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Risco país: o que representa e como é calculado

Apesar do assunto ser bastante comentado pelos meios de comunicação, muitas pessoas têm dúvidas quanto à sua finalidade; saiba mais a respeito

SÃO PAULO - Apesar de ser bastante abordado pela imprensa nacional, muita gente não sabe exatamente o que é risco país, e para que ele é usado. Criado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, em 1992, o indicador mede o risco de se investir em títulos soberanos, principalmente em países emergentes.

Metodologia
Para o cálculo do índice, o JP Morgan compara os juros oferecidos pelos títulos soberanos do país cujo risco está sendo avaliado, frente aos juros dos Treasuries (que são os papéis do Tesouro norte-americano) de prazo equivalente.

Assim, quando falamos que o risco país do Brasil caiu, isso significa que a diferença entre os juros pagos nos títulos públicos brasileiros e os Treasuries diminuiu: o que sinaliza que a percepção dos investidores quanto ao risco de se investir no Brasil melhorou. Vale o raciocínio inverso, caso os papéis brasileiros passem a oferecer uma maior rentabilidade ao investidor.

Em pontos

Se o risco país é um diferencial de juros, por que então ele é cotado em pontos base? Como muitos diferenciais de juros não são tão expressivos quanto os do Brasil, adotou-se a medida de serem multiplicados por 100, para facilitar a compreensão do indicador.

Por exemplo, o risco Brasil atualmente é cotado perto dos 214 pontos base, significando que o diferencial de juros dos títulos brasileiros em relação aos títulos norte-americanos de mesmo prazo é de 2,14%. Basta multiplicarmos os 2,14% por 100 e chegaremos aos 214 pontos base.

Desvantagens de um risco país elevado
Imagine uma situação em que dois amigos seus lhe pedem dinheiro emprestado. Para quem você emprestaria o dinheiro? Assumindo que você não tenha o suficiente para emprestar para os dois, certamente optaria por aquele que acreditasse fosse o melhor pagador. Ou seja, o que apresentasse o menor risco.

Mas, e se você tivesse o suficiente para emprestar aos dois amigos? Provavelmente exigiria uma garantia maior, ou até mesmo cobraria juros do amigo cujo risco é maior, não? Pois, pense nos seus amigos como sendo dois países, e você como sendo os investidores internacionais.

Nos casos em que não há dinheiro suficiente para investir em vários países, eles tendem a optar por aqueles que apresentam menor risco. De forma que o país com risco elevado tende a enfrentar dificuldades para atrair recursos. Para compensar isso, esse país precisa oferecer condições mais vantajosas ao investidor, ou seja, o país precisa aceitar pagar juros mais altos pelo dinheiro que tomou emprestado do investidor. Assim, como o seu amigo, teve que lhe dar garantias maiores.

Em outras palavras, um país cujo risco é maior tem que pagar mais juros, o que prejudica as contas públicas. Considerando que as contas públicas são para o governo o que o orçamento é para você, não é difícil ver que, quanto mais você tiver que pagar em juros no cheque especial, menos terá para poupar. Do ponto de vista do país, quanto maior o risco país, maior será o gasto do governo com juros, e menor a sua capacidade de investir em infra-estrutura, saúde, educação etc.

Agora fica mais fácil entender o porquê do governo norte-americano, historicamente considerado um bom pagador, oferecer uma baixa rentabilidade por seus papéis, enquanto países como Brasil, Venezuela e Argentina têm a necessidade de lançar os títulos a um yield (retorno) maior para atrair o interesse dos investidores.

 

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