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Que renda precisarei ter ao me aposentar?

No mundo ideal, a renda após aposentadoria deve variar entre 70 e 80% daquilo que se recebia na ativa; é importante analisar com que fontes de renda poderá contar no futuro

SÃO PAULO - Uma variável importante no planejamento da sua aposentadoria é a renda que pretende ter ao se aposentar. O exercício é particularmente difícil para quem ainda está longe desta data, pois ainda não consegue pensar no seu orçamento sem os gastos com filhos, com a compra da casa, etc.

Antes de tentar responder a essa pergunta, é preciso que você procure entender que tipo de padrão de vida pretende ter ao se aposentar. Como você pretende gozar o seu tempo livre? Quais são os sonhos que pretende realizar? Você vai querer viajar muito ou pretende dar festas e receber os amigos com maior frequência?

Renda pode ser menor
Em geral, as firmas norte-americanas especializadas em consultoria na área de planejamento financeiro recomendam que, para manter um padrão de vida em linha com o que tinha antes de se aposentar, você deve planejar receber uma renda entre 70 e 80% daquela que recebia pouco antes de se aposentar.

A percentagem exata não só varia de acordo com os seus planos de gastos durante a aposentadoria como também com o patamar de renda que você tinha ao se aposentar. O percentual tende a ser menor no caso de aposentados solteiros do que para os que têm companheiro e para quem tinha uma renda mais elevada ao se aposentar, por exemplo.

Mas, se você está longe de se aposentar, estimar a renda pré-aposentadoria já é uma tarefa e tanto. Uma forma de fazer isso é projetar, somente com base na variação da inflação, qual será sua renda pouco antes de se aposentar. Essa é uma estimativa conservadora, visto que é de se esperar que você receba promoções no decorrer de sua carreira, e que com isso se beneficie de aumentos acima da inflação.

Quais as fontes com que poderá contar?
Esse raciocínio não inclui renda com ganho financeiro que você poderá auferir aos poucos à medida que acumula um patrimônio - até porque acreditamos que essa renda não deva ser usada, mas sim acumulada para garantir seu sustento ao se aposentar.

Isso nos traz para a análise das fontes de renda que você pretende ter ao se aposentar. Você já pensou nisso? Atualmente, o brasileiro pode contar com as seguintes fontes de renda: Previdência Social, Previdência Privada, Renda financeira, outras receitas e salário, esse último caso você opte por continuar fazendo trabalho temporário após se aposentar.

  • Previdência Social
    O valor a ser recebido vai depender do quanto você contribuiu durante toda sua vida ativa e da data em que optar por parar de trabalhar. De qualquer forma, não se iluda, pois mesmo que tenha ganhado bem mais do que o teto da Previdência, não receberá mais do que isso ao se aposentar.

    Além disso, desde 1999, é aplicado o fator previdenciário, que, de maneira simplificada, procura incentivar que você se mantenha na ativa por mais tempo, pois ajusta o seu benefício pela sua expectativa de vida. A participação dessa fonte de renda na garantia do seu futuro vai depender da renda que auferiu enquanto esteve ativo.

    Para quem recebia entre 10 e 20 salários mínimos, é recomendável prudência, dado o desequilíbrio das contas da Previdência Social, novas reformas são inevitáveis. Na prática isso significa que para essas pessoas, os benefícios pagos pela Previdência Social não devem responder por mais de 10 a 15% da renda que é necessário ter ao se aposentar.

  • Planos empresariais
    Aqui estamos falando dos benefícios que você receberá por ter contribuído a um plano coletivo que era patrocinado pelo seu empregador. Como até pouco tempo os planos coletivos, ou empresariais, praticamente só existam entre grandes empresas, que empregam uma parcela pequena dos brasileiros, o número de brasileiros que pode ter acesso a essa fonte de renda ainda é pequeno.

    Essa situação tende a mudar à medida que surgem novos planos multi-patrocinados que procuram atender empresas de menor porte, ou os planos instituídos, que sendo oferecidos pelas associações ou entidades de classe podem garantir proteção a quem não possui empregador formal, ou atua como autônomo, por exemplo. A grande vantagem aqui é que quando a empresa patrocina o plano, as contribuições são compartilhadas de forma que cada R$ 1 que você direciona ao plano a empresa direciona a mesma quantia. Isso exige menos esforço para acumular reservas.

  • Planos individuais
    Aqui estamos falando dos benefícios que serão pagos a você quando se aposentar devido ao fato de ter contratado um plano de previdência por conta própria. Tanto no caso dos planos empresariais quanto nos individuais é possível projetar que tipo de benefício você irá receber, já que as entidades que oferecem esses planos possuem modelos de simulação para isso.

    Porém, é preciso cuidado! Isso porque como todo modelo o resultado depende das hipóteses que você considerar, se for excessivamente otimista com relação ao retorno obtido pela carteira do plano, isso pode levá-lo a acreditar que receberá um benefício maior do que o efetivamente receberá. Uma estimativa realista seria simular o benefício para vários cenários de juros reais, ou seja, de juros após a dedução da inflação.

  • Renda financeira
    É a renda que você poderá obter da aplicação do patrimônio que acumulou antes de se aposentar. Em geral, recomenda-se que nos primeiros anos de sua aposentadoria, quando ainda pode fazer trabalhos temporários, você não saque mais do que os juros obtidos com a aplicação dos investimentos.

    Contudo, esses juros devem ser calculados em uma base real, portanto, se acumulou R$ 500 mil, e a sua carteira rendeu ganhos líquidos de 1% no mês, e que a inflação no mês foi de 0,2%! Nesse caso para manter o poder de compra do seu patrimônio ele precisaria ser de R$ 501 mil no mês seguinte, isso embute correção pela inflação.

    Porém, na verdade o fato de ter auferido ganhos de 1% em termos líquidos, faz com que, ao final do mês, tenha um patrimônio de R$ 505 mil, portanto se quiser preservar seu patrimônio não deve sacar mais do que R$ 4 mil. Ainda que o patrimônio acumulado sirva para lhe garantir o sustento durante o resto da vida, o ideal é que nos primeiros anos de aposentadoria, você seja conservador, e procure preservar o seu patrimônio.

  • Renda de trabalho
    Você se aposentou seja porque foi obrigado, ou porque já não agüentava a vida corporativa, mas isso não significa que precise parar de trabalhar. Dependendo do seu estado de saúde e do quanto pode contar das demais fontes de renda mencionadas acima, é provável que trabalhar após a aposentadoria seja uma necessidade e não uma escolha.

    De qualquer forma, até mesmo pela sua qualidade de vida, pois trabalhar com moderação é saudável, é recomendável que se mantenha na ativa, obtendo renda com bicos e trabalhos esporádicos. O objetivo aqui é que você encontre colocações que lhe permitam utilizar sua experiência, mas que se acomodem à nova realidade de vida, em que gozar a vida passa a ser mais importante do que trabalhar.

    A menos que você queira abrir mão de muita coisa na sua aposentadoria, o que reduziria a sua renda necessária ao se aposentar, é bastante provável que a soma da sua renda financeira com a sua renda de trabalho responda por cerca de 60% da sua necessidade de renda ao se aposentar. Quanto maior o patrimônio acumulado, menor a necessidade de trabalhar após se aposentar, e vice-versa.

Agora que tem uma idéia melhor do quanto precisará receber ao se aposentar e das fontes de renda com as quais poderá contar, pode incluir essas variáveis no seu planejamento de forma a garantir uma aposentadoria o mais tranqüila possível.

 

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