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Clube de investimento: alternativa para o pequeno investidor ficar maior

Aplicação criada por um grupo de pessoas que desejam investir em conjunto, para ganhar escala e poder diversificar na alocação

SÃO PAULO - Você quer participar mais ativamente do mercado de ações, porém possui poucos recursos? Isso não é necessariamente um problema, pois existem maneiras de você operar como um grande investidor, através dos clubes de investimento. Para tanto, fique atento às características desse modelo.

O que é um clube de investimento?
Para quem não quer investir diretamente no mercado, seja por não conseguir montar uma carteira diversificada ou simplesmente por não ter tempo ou conhecimento necessário do mercado para tomar decisões por conta própria, os clubes de investimento aparecem como uma boa alternativa, mesmo comparados aos fundos de investimento.

Os clubes podem ser criados por empregados ou contratados de uma empresa, ou ainda por um grupo de pessoas que tenham interesses em comum. Para criar o clube, é preciso de um administrador, que deve ser uma corretora membro da Bovespa, uma distribuidora de títulos ou um banco.

Como constituir um clube?
A constituição dos clubes é bastante simples, tendo os membros que entrar em contato com uma corretora de valores credenciada pela Bovespa, que vai formar e gerir a carteira de investimentos. Então é só estabelecer um estatuto com as regras básicas de funcionamento do clube, providenciar o CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) na Receita Federal, registrando o clube na Bovespa.

As regras que regerão o clube devem estar em seu Estatuto Social, como, por exemplo, o prazo mínimo para deixar o dinheiro ou o que se deve fazer no caso de morte ou invalidez dos participantes.

O administrador cuidará de todos os documentos e registros legais do clube de investimento, além de ser o responsável pela captação dos ativos que farão parte da carteira do clube. Aqui é bom lembrar que ao menos 51% do dinheiro arrecadado deve ser investido em ações.

Quais as vantagens dos clubes?
Os clubes de investimento apresentam vantagens interessantes para pequenos e médios investidores, tendo sido o modelo escolhido por vários grupos durante as operações de desestatização, como na ocasião da privatização da Telebrás, por exemplo. Dentre as vantagens dos clubes de investimento sobre os fundos de investimento, podemos destacar:

  • Maior influência dos participantes sobre a gestão da carteira, pois, diferentemente dos fundos de investimento, que são totalmente geridos por profissionais designados pelas corretoras de valores, nos clubes de investimento os membros têm atuação ativa na gestão dos recursos;

  • Maior flexibilidade para moldar a carteira de investimentos, segundo o perfil dos participantes do clube;

  • Taxas de gestão e administração mais baixas, além de custos menores, por conta da estrutura de gestão ser mais enxuta e da inexistência de encargos com auditorias ou fiscalizações da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), como acontece com os fundos;

Tributação
De acordo com a BM&F Bovespa, os rendimentos obtidos no resgate de cotas de clubes de investimento, cujas carteiras sejam constituídas, no mínimo, por 67% de ações negociadas no mercado à vista de bolsas ou entidades assemelhadas, são tributados à alíquota de 15%, tributação esta que ocorrerá exclusivamente no resgate de cotas.

A responsabilidade pelo recolhimento do imposto, que acontece no terceiro dia útil da semana subsequente ao resgate, é do administrador do clube.

Caso a carteira do clube de investimento (que deve, como regra geral, ter ao menos 51% dos recursos investidos em ações para continuar em funcionamento) não atinja o percentual mínimo de 67% em ações negociadas no mercado à vista, aplica-se tributação idêntica à da renda fixa: semestralmente com vencimento da carência, à alíquota de 15% e, se necessário, variando de 15% a 22,5% no resgate, de acordo com o tempo da aplicação:

  • Aplicações até 180 dias: 22,5%;

  • Aplicações de 181 a 360 dias: 20%;

  • Aplicações de 361 a 720 dias: 17,5%;

  • Aplicações acima de 720 dias: 15%.

Existem clubes abertos!
O clube de investimentos precisa ter ao menos três e no máximo 150 participantes, exceto quando reúne membros de uma mesma empresa ou qualquer grupo de sociedade. Porém, nenhum participante pode ter mais de 40% do total das cotas do clube.

As cotas são mantidas em depósito, em nome de seus compradores, sendo que o próprio clube pode determinar qual o número mínimo de cotas que cada participante deve comprar. Cada cota representa a divisão do valor do dinheiro do clube pelo número total de cotas.

Apesar do risco inerente das aplicações no mercado acionário, como as atividades do grupo estão sobre controle estreito dos participantes do clube, ou seja, dos investidores, à medida que os recursos administrados aumentam, as aplicações podem ser mais diversificadas e menos arriscadas, o que não aconteceria se você aplicasse sozinho.

Não é preciso, porém, formar um clube de investimento para pode investir seus recursos nessa modalidade. Várias corretoras dispõem de clubes de investimento abertos, que aceitam a entrada de novos participantes. Basta encontrar um clube que esteja aceitando novos participantes e que seja compatível com seu perfil de investimento! Boa sorte!

 

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