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Principais erros cometidos pelos jovens na gestão de suas finanças

Ainda que errar seja uma forma válida de aprender, quando o assunto é dinheiro a situação muda de figura

SÃO PAULO - Entrar na faculdade é um momento muito especial para qualquer jovem. Além da realização pessoal e familiar, é chegada a hora de experimentar um mundo novo, onde é possível ser mais independente, principalmente quando o ingresso na universidade exige que o jovem vá morar longe dos pais.

Se, por um lado, esta liberdade traz maturidade e experiência ao estudante, por outro pode levá-lo a cometer erros, especialmente quanto às suas decisões financeiras. Mesmo que errar seja uma forma válida de aprendizado, quando o assunto é dinheiro, são poucas as pessoas que estão dispostas a "pagar do próprio bolso" pelos enganos cometidos.

Pensando nisso, a InfoMoney elaborou uma lista dos erros mais comuns cometidos por jovens universitários em relação à gestão do seu dinheiro. Veja a seguir:

  • Gastar mais do que pode por influência de amigos
    Longe da família, muitos universitários encontram nos colegas de faculdade um grupo de apoio muito importante. Sentindo-se pressionados por eles, acabam gastando mais do que podem com festas, bares e viagens, ou até mesmo roupas e assessórios.

    Pensando nisso, mesmo que já trabalhe e não dependa dos seus pais, você não deve viver além da sua realidade financeira. Aprenda a conviver com o que tem, e não deseje coisas só porque seus amigos acreditam que são importantes. Ter personalidade é fundamental para uma vida universitária saudável.

  • Não pesquisar preços
    Por preguiça ou falta de tempo, são poucos os estudantes que efetivamente pesquisam o preço dos produtos e serviços que pretendem contratar. Ao contrário dos seus pais, habituados com a inflação que forçava a pesquisa de preços todos os dias, os mais jovens não acreditam que o esforço valha a pena.

    Contudo, isso não é bem verdade quando tratamos de alguns determinados produtos e serviços. Um exemplo no qual pode haver muita diferença de preço se refere aos serviços bancários. Alguns bancos estão adotando uma estratégia de preços mais agressiva para atrair jovens correntistas, mas às vezes as ofertas e descontos não se aplicam aos produtos que você efetivamente utiliza.

    O banco escolhido não deve ser apenas o mais conveniente, mas também aquele que oferece a cesta de produtos que você precisa a um preço menor.

  • Não controlar conta corrente
    Os jovens em geral saem em grupo, o que facilita os gastos por impulso, e dificulta o controle dos chamados gastos invisíveis, ou seja, aqueles pequenos gastos, que juntos acabam pesando no nosso orçamento.

    Por mais que controlar o saldo da conta corrente seja uma tarefa que você considera chata, ela pode lhe economizar algum dinheiro se, através do melhor controle do seu saldo, você evitar o uso recorrente do cheque especial. Como alguns bancos oferecem isenção por alguns dias de uso do limite, é importante controlar o saldo, pois você ainda pode ter a chance de evitar o pagamento dos juros.

  • Pagar demais pela faculdade
    A menos que você tenha conseguido entrar em uma faculdade pública na qual não são cobradas mensalidades ou matrículas, você precisa analisar com cuidado o custo da faculdade que pretende ingressar.

    Não são raros os estudantes que, com muito esforço, pagam a faculdade por alguns anos, mas, faltando pouco tempo para a conclusão do curso, se vêem em dificuldades para manter os pagamentos. Analise com cuidado a política de reajuste das mensalidades da faculdade que pretende cursar, e verifique o quanto do seu orçamento será consumido com a conta mensal.

    Lembre-se que este não é o único custo. Você precisa comer e se vestir. Além disto, se estuda em faculdade privada, terá gastos com habitação e transportes, pois não são oferecidas moradias no campus, isso sem falar nos gastos com livros e material, já que nem sempre é possível emprestar os livros.

    Mesmo que você pretenda levantar crédito estudantil, é preciso ter em mente que, depois de formado, terá que quitar essa dívida, e que isso pode não ser fácil se as condições do mercado de trabalho não estiverem boas.

  • Errar na escolha do cartão de crédito
    As administradoras de cartão de crédito estão bastante agressivas na captação de novos clientes, e o público jovem está entre os de maior interesse. Antes de aceitar um cartão de crédito, informe-se sobre os termos oferecidos e não se deixe iludir por vantagens ou brindes.

    Analise com cuidado o que lhe for oferecido e veja se efetivamente irá usar tudo. Abrir mão de algumas "vantagens" pode implicar em redução significativa da anuidade. Informe-se sobre a forma de pagamento e incidência de juros; não deixe de saber qual é a taxa cobrada quando não tiver como pagar o valor mínimo da fatura, e não se esqueça de que cartão de crédito é dinheiro de plástico: este dinheiro não é seu, é emprestado; uma hora você tem que pagar por ele.

  • Emprestar dinheiro para amigos
    Nunca empreste dinheiro para amigos. Esta é a receita mais fácil de perdê-los, a menos, é claro, que você esteja disposto a perdoar a dívida se for preciso. Aqui vale lembrar que a inadimplência tende a ser maior entre amigos e familiares do que junto a instituições financeiras. Afinal, as pessoas não temem ter seu nome enviado aos serviços de proteção ao crédito por alguém conhecido.

    Se você tem um amigo que está enfrentando dificuldades financeiras, muito provavelmente isso pode ser mais facilmente resolvido com um pouco de planejamento, do que com um empréstimo.

    Nesta fase da vida, as responsabilidades financeiras ainda são poucas, de forma que é improvável que o jovem esteja financiando uma casa ou pagando a escola dos filhos, por exemplo. Isso significa que é mais fácil e produtivo ajudá-lo a cortar gastos e aprender novos hábitos, do que lhe emprestar dinheiro. Enquanto planejar pode resolver o problema para sempre, emprestar dinheiro, em geral, só é uma solução temporária.

  • Não trabalhar
    Ainda que estudar deva ser a sua prioridade, a menos que você esteja antecipando crédito para concluir o curso antes do tempo, é bastante provável que a partir do 3º ano já possa trabalhar. Desde que a atividade seja gratificante e contribua para a sua formação, algumas horas a menos de estudo não vão afetar sua capacidade profissional, muito ao contrário: a combinação de conhecimento acadêmico e prática é o que molda um profissional.

    Além da ajuda extra no orçamento, você ganha experiência para o futuro. Mas aqui é importante que você encare a experiência não como um bico, mas com seriedade. Se a sua intenção não é aprender mais sobre a vida corporativa, o melhor é procurar bicos, pois você terá maior flexibilidade com horários, e não queimará uma oportunidade futura.

Nunca é cedo para planejar
Se gastar por impulso ou influência é ruim, a situação se agrava ainda mais quando o jovem sequer tem idéia do quanto recebe, e para onde está indo o seu dinheiro.

Não importa se você vive da mesada dos seus pais ou se trabalha e já ganha o seu dinheiro. É preciso ter uma idéia clara do quanto recebe e pode gastar no mês. Se não funcionar no papel, certamente não irá funcionar na vida real, e o mais provável é que, no final do mês, deixe de pagar a fatura do cartão ou tenha que pedir dinheiro emprestado aos pais.

Por outro lado, um bom planejamento pode permitir que cometa algumas extravagâncias de vez em quando, ou simplesmente que viaje durante as férias. Lembre-se, planejar é um hábito saudável, que deve ser cultivado desde cedo. Quanto antes você começar a programar suas contas, mais fácil será acumular um patrimônio para o futuro.

Lembre-se do poder multiplicador dos juros. Comece a poupar desde já! Por mais jovem que você seja, e por mais distante que isso lhe pareça, uma hora o futuro irá chegar. Quanto mais preparado estiver, melhor.

 

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