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De tanto economizar, você virou um "pão duro"?

Fique atento aos sinais do pão duro crônico: dificuldade de puxar a carteira, ausência de troco, dificuldade de dar gorjeta e de retribuir gentileza financeira

SÃO PAULO - Se gastar demais pode colocar você em sérios apuros financeiros, adotar uma postura extremamente conservadora com relação ao dinheiro pode acabar lhe transformando em um "pão duro". Para quem não está seguro de se encaixar neste perfil, elaboramos abaixo uma lista com os dez tipos mais comuns de "pão duro".

Reflita sobre as seguintes perguntas. Você vai ao restaurante, mas quando a conta chega sente uma necessidade de se ausentar para evitar ter que pagá-la? Depois de jantar em um restaurante maravilhoso, você deixa apenas R$ 1,00 de gorjeta? Você é daqueles que sempre reclama da qualidade do serviço, com o objetivo de receber algum tipo de desconto?

Por que uma pessoa é "pão dura"?
Na visão da psicóloga norte-americana Olívia Mellan, e também autora do livro "Guia para Psicologia do Dinheiro", a preocupação excessiva do pão duro com relação ao dinheiro reflete um distúrbio psicológico. Para estas pessoas, o dinheiro é uma forma de segurança.

Em geral, são pessoas que acreditam que, se não adotarem este tipo de postura com relação aos seus gastos, futuramente enfrentarão enormes problemas financeiros. Mas, como explicar a transformação de uma pessoa em um pão duro?

As razões por trás deste tipo de atitude são várias. Pode se tratar de um trauma de infância, no qual nunca havia o suficiente para todos. Neste caso, o pão duro busca evitar que isso venha a se repetir na fase adulta.

Outra possibilidade é que se trate de que você esteja apenas agindo da forma como aprendeu com seus pais, quando ainda era uma criança. Não são raros os casos de pessoas que se transformam em pão duro em reação à existência de um gastador compulsivo na família. Nestes casos, agir de maneira oposta ajuda.

Quando os opostos se atraem
Já ouviu falar que no amor as pessoas de gênios opostos se atraem? Segundo a psicóloga, na maioria dos relacionamentos em que o comportamento dos dois cônjuges com relação a dinheiro é totalmente distinto, aos poucos a tendência é que haja uma polarização.

Assim, ela afirma que, mesmo quando dois gastadores se juntam, eventualmente eles tendem a polarizar e surge uma disputa pelo cargo de maior gastador. Em alguns casos, contudo, o indivíduo pode acumular as duas personalidades, estas pessoas, segundo Olívia, tendem a poupar tanto que, em um determinado momento, perdem o controle e gastam.

Ainda que a polarização seja inevitável, a psicóloga acredita que seja possível mudar o perfil do pão duro. Mas, para isso é preciso que ele queira mudar, e em geral isso só acontece quando existe o risco de perda, seja afetiva, material, etc. Abaixo, descrevemos alguns exemplos de pessoas que se encaixam no perfil de pão duro.

  • Os Sem Carteira
    Quem não conhece alguém assim? Você não tem um amigo que sempre esquece a carteira e que por isso vai de graça no cinema, ou nunca paga o chopp no bar, ou simplesmente não compra cigarro, apesar de fumar mais de um maço por dia.

    Este tipo de pão duro aposta na sua amizade, e acredita que por ser amigo você nunca vai dizer não. Afinal, você vai deixar de pagar a entrada e fazer ele voltar a pé para casa? Não bastasse estar sempre Sem Carteira, ele também tem a memória fraca, pois nunca se lembra daquilo que deve, e fica tudo por isso mesmo. Diante de tanta economia, ele até consegue poupar e comprar um celular bem mais moderno que o seu...

  • Os Sem Troco
    Este tipo de pão duro não esquece a carteira nunca, mas em compensação só anda com nota de cem reais, e nunca tem troco para pagar nada. Ao invés de oferecer para pagar por todos e ser ressarcido, ele prefere aceitar a generosidade dos amigos.

    Ao contrário do Sem Carteira, este tipo de pão duro é mais sutil, mas ainda que não ter troco uma ou duas vezes seja aceitável, mais do que isso sugere um apego excessivo com o dinheiro. Procure sugerir que ele pague a conta de todos, para ver sua reação.

  • Defensor dos consumidores
    Alegando estar defendendo os direitos de todos os consumidores, este grupo reclama tanto da quantidade, qualidade e serviço prestado em restaurantes, bares, e outros locais, que acabam pressionando o dono do estabelecimento a oferecer um desconto no preço, ou simplesmente isentá-lo do pagamento.

  • Gorjeta única
    Quando o serviço não é incluído na conta do restaurante, é recomendável deixar uma quantia ao redor de 10-15% do valor da conta a título de gorjeta. Mas, para algumas pessoas as gorjetas são fixas, e não devem variar com o valor da conta, ou tipo do serviço.

    Este grupo de pão duro acredita que não importa se o carregador de malas teve que levar uma ou cinco malas, a gorjeta deve ser a mesma, de R$ 5,00. O mesmo conceito é usado no posto de gasolina, onde há anos eles pagam a mesma quantia, independente do serviço prestado.

  • Item por item
    É bem verdade que muitos de nós somos vítimas dos "sem carteira", que tentam, a todo o custo, fazer com que os amigos arquem com os gastos. A menos que você tenha saído com alguém que abusa da boa vontade dos amigos, separar item por item do menu, somente para ter certeza de que você não vai pagar nem um centavo a mais, sugere uma preocupação excessiva com dinheiro, e pode lhe render o apelido de pão duro.

    Ainda que conferir a conta seja um hábito bastante saudável, especialmente quando várias pessoas estão consumindo, é preciso bom senso! Não existe nada mais desagradável do que alguém que, depois de um jantar maravilhoso, quer separar item por item da conta, mesmo sabendo que todos gastaram mais ou menos a mesma quantia.

  • Financiamento à vista
    Muitas vezes para facilitar a vida dos amigos, algumas pessoas se oferecem para pagar a conta no cartão e receber o pagamento de cada um em dinheiro. Ainda que a prática seja bastante comum entre amigos, existem aqueles que se aproveitam da situação.

    Conscientes do fato de que a maioria das pessoas faz tudo para evitar o aborrecimento de ter que dividir a conta após um jantar agradável, estes indivíduos arredondam para cima a quantia devida por cada um, de forma que no final acabam pagando menos do que o resto. Na melhor das hipóteses conseguem evitar dividir a gorjeta, afinal, é o mínimo que se pode esperar pelo favor de pagar no seu cartão.

  • Quando a sua vez nunca chega
    Quem não conhece alguém que sempre aceita a oferta dos outros de pagar a conta, mas nunca retribui a gentileza? Em geral, são pessoas que se beneficiam do fato de que a maioria não irá reclamar se esquecerem quando for a sua vez de pagar.

    Mas, não se iluda: mesmo que você seja direto e lembre-o de que essa é a sua vez de pagar a conta, ele provavelmente irá vir com uma desculpa, prometendo, com todas as forças, que da próxima vez que saírem pagará a conta.

Mas, se você conhece alguém que não se encaixa em nenhum desses perfis, mas por motivos que não parecem clínicos sempre vai ao toalete antes da conta chegar, desconfie! Pode ser um caso raro de incontinência financeira, seu amigo simplesmente não consegue se controlar e puxar a carteira na hora H.

 

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