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Análise Técnica: preveja o timing do mercado com os números de Fibonacci

Baseadas na razão de ouro, linhas aplicadas com um padrão de tempo permitem antever retomadas de alta e baixa

SÃO PAULO - Poucos sabem que as dimensões das espirais formadas em conchas marinhas, a multiplicação de uma ninhada de coelhos ou ainda o crescimento de folhas em uma árvore obedecem todas a uma mesma relação: a série de Fibonacci.

Descobertos pelo matemático italiano de mesmo nome no século XII, os números de Fibonacci obedecem à simples regra de que a soma de dois números consecutivos quaisquer é sempre igual ao próximo número. Desta forma, partindo do número 1, a seqüência se sucede em 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, e assim por diante, até o infinito.

Simples, porém enigmática. A relação entre qualquer número de tal seqüência sobre seu anterior sempre dá origem ao número 1,618, chamado de razão de ouro ou proporção áurea. Seja qual for sua denominação, o número está misteriosamente presente na proporção de diversos elementos da natureza.

Fibonacci também no mercado de ações
"Os números de Fibonacci são usados para calcular padrões em toda a natureza, inclusive nas reações dos homens, e por isso, pode ser usado também para acompanhar preços", afirma James Franciscus, da Modulus Financial Engineering. De fato, a seqüência descoberta na Idade Média é hoje aplicada por diversos analistas técnicos na tentativa de se prever pontos de resistência e suporte e de se detectar antecipadamente tendências de ativos no mercado.

E não são poucas as formações aplicadas pela análise técnica. A mais comum, baseada na construção de linhas retas de Fibonacci, consiste em traçar pontos de recuo no comportamento gráfico dos ativos, com base em porcentagens derivadas da seqüência, principalmente as reversões de 38,2% e 61,8%, esta última baseada no inverso do número áureo, isto é, em 0,618. Há ainda outras formações sustentadas na razão de ouro, como os arcos e os leques de Fibonacci.

No entanto, recentemente, surgiu uma nova forma de se aplicar os números descobertos pelo matemático italiano ao mercado de ações, por meio da observação de um padrão de tempo: o chamado Fibonacci Time Zones, ferramenta já disponível no software de análise técnica InfoChartX, comercializado pela InfoMoney.

Passo a passo
O Fibonacci Time Zones se traduz como uma série de linhas verticais baseadas no movimento do padrão de tempo do ativo a ser analisado, espaçadas nos intervalos 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, e daí por diante. A primeira linha é posicionada em um ponto extremo do gráfico, seja de alta ou baixa na cotação do ativo, e as subseqüentes linhas crescem de acordo com os números de Fibonacci.

Como exemplo, veja o gráfico abaixo:



Tal comportamento é típico de um movimento de alta. Neste caso, o primeiro passo é posicionar a primeira linha no primeiro fundo da onda para, posteriormente, traçar outra linha com espaçamento na proporção de 61,8%.

Feitas tais etapas, é possível prever um ponto significativo do movimento do ativo, mais provavelmente uma retomada da trajetória de alta, localizada na última linha. É por esta razão que o Fibonacci Time Zones é considerado um indicador "leading", isto é, que permite a previsão de mudanças que ocorrerão em tempos futuros, e não apenas a compreensão de fatos já passados, como ocorre nos chamados indicadores "lagging".

O procedimento é o oposto quando adotado a um movimento declinante, como o configurado no gráfico abaixo:



Aqui, a primeira linha é posicionada no primeiro topo da onda, para posteriormente a linha dos 61,8% ser fixada no fundo formado pelas ondas do desempenho gráfico do ativo. Analogamente, o resultado será um ponto significativo do movimento da ação, provavelmente uma retomada de trajetória de queda, na última "linha de tempo de Fibonacci".

 

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