Prolongamento de políticas de apoio à renda pode elevar risco e expectativa de inflação, aponta ata do Copom

Na semana passada, o Banco Central subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, a 13,75% ao ano

Reuters

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O Banco Central avalia que políticas temporárias de apoio à renda devem estimular a demanda e que o prolongamento dessas iniciativas pode elevar os prêmios de risco do país e as expectativas de inflação, conforme ata do Comitê de Política Monetária publicada nesta terça-feira.

Na semana passada, o Banco Central subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, a 13,75% ao ano, maior patamar desde janeiro de 2017, e indicou que poderá encerrar o agressivo ciclo de aperto com um ajuste menor em setembro.

Segundo a ata, o Comitê optou por sinalizar que avaliará a necessidade de um ajuste residual com o objetivo de trazer a inflação para o redor da meta no horizonte relevante.

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O BC ainda informou que, dada a persistência dos choques recentes, o Comitê seguirá vigilante e avaliará se somente a perspectiva de manutenção da taxa básica de juros por um período suficientemente longo assegurará tal convergência.

“O Comitê avalia que políticas temporárias de apoio à renda devem trazer estímulo à demanda agregada e que o prolongamento de tais políticas pode elevar os prêmios de risco do país e as expectativas de inflação à medida que pressionam a demanda agregada e pioram a trajetória fiscal”, disse.

A autoridade monetária ressaltou que há vários canais pelos quais a política fiscal pode afetar a inflação, incluindo seu efeito sobre a atividade, preços de ativos e expectativas de inflação.

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No comunicado da última semana, em tom considerado duro por analistas, o BC já havia afirmado que a possibilidade de que medidas fiscais de estímulo à demanda se tornem permanentes acentua os riscos de alta para o cenário inflacionário.

Sob o argumento de ser necessário adotar medidas emergenciais após a guerra na Ucrânia, o governo liberou pagamentos por fora do teto de gastos para elevar em 50% o Auxílio Brasil e fazer repasses a caminhoneiros e taxistas, além de um incremento no auxílio gás.

Embora as medidas aprovadas tenham validade apenas até dezembro deste ano, o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já prometeram que manterão o Auxílio Brasil em 600 reais em 2023, se eleitos.

No boletim Focus mais recente, publicado na segunda-feira, as projeções dos economistas apontam para IPCA de 7,11% no encerramento deste ano e de 5,36% em 2023. A estimativa do BC, apresentada na semana passada, aponta para alta de 6,8% em 2022 e 4,6% em 2023.

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