Inflação

Preço ao produtor da China tem alta anual de 10,7% em setembro; aumenta temor por estagflação

Em relação a agosto, os preços ao produtor tiveram alta de 1,2%. Em agosto, a inflação mensal havia sido de 0,7%.

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BEIJING, CHINA – MARCH 19: (CHINA OUT) Stock index is seen on a display screen at a securities company on March 19, 2007 in Beijing, China. The Shanghai Composite Index, the most widely followed indicator of the Chinese stock market, rose 2.87 percent today to close at 3,014.44 points, after the People’s Bank of China (PBOC) raised interest rates by 0.27 percent on March 18.. (Photo by China Photos/Getty Images)

O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da China subiu 10,7% em setembro na comparação com o mesmo mês de 2020, informou o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês) do país. O índice, que mede a inflação no setor produtivo, veio acima do previsto por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que esperavam aceleração de 10,4%.

Nos nove primeiros meses do ano, os preços ao produtor na China acumulam alta de 6,7%, de acordo com o NBS. Em base anual, os preços de produtos de mineração subiram 49,4%, enquanto os da indústria de materiais brutos tiveram alta de 20,4%.

Em relação a agosto, os preços ao produtor tiveram alta de 1,2%. Em agosto, a inflação mensal havia sido de 0,7%.

As pressões de custo nas fábricas chinesas continuaram a se acumular no último mês diante da alta dos preços de energia, reduzindo a esperança de um arrefecimento da inflação global no curto prazo. A alta de 10,7% do PPI em setembro na comparação anual é a maior alta desde 1996, quando os oficiais chineses começaram a divulgar o dado.

A alta recorde foi puxada principalmente pela alta nos preços do carvão e de alguns produtos intensivos em energia, como metais não ferrosos, aço e químicos, disse Dong Lijuan, porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas (NBS, na sigla em inglês), nesta quinta-feira.

Os preços persistentemente altos no setor produtivo chinês excederam as expectativas de muitos economistas, elevando o temor de uma estagflação, que é quando os preços continuam em alta mesmo em períodos de menor crescimento econômico. O impulso da economia chinesa diminuiu nos últimos meses, diante de um crescimento mais lento do crédito e de regulações mais estritas a alguns setores.

Preços mais altos nos itens produzidos na China, em conjunto com fortes atrasos nos fretes globais, podem adicionar pressão à inflação nos Estados Unidos e em outros países do Ocidente, que também lidam com a alta nos preços do petróleo e do gás natural.

“Acreditamos que o risco de estagflação na China está aumentando, assim como no resto do mundo”, disse Zhiwei Zhang, economista da Pinpoint Asset Management em Xangai. Ele adicionou que a meta de Pequim de atingir a neutralidade em emissões de carbono colocou “uma pressão persistente nos preços de commodities”.

A agressiva campanha de Pequim pela eficiência energética levou ao fechamento de muitas minas de carvão altamente poluentes, enquanto uma queda nas importações de carvão de países como Austrália, Mongólia e Indonésia exacerbou a escassez do insumo. Nesta semana, enchentes atingiram a província de Shanxi, onde cerca de um terço do carvão chinês é produzido, piorando a situação.

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Embora as autoridades chinesas tenham reaberto algumas minas nas últimas semanas, e tenham elevado as tarifas de energia para encorajar o funcionamento de termoelétricas a carvão, economistas acreditam que vai levar algum tempo até que as medidas surtam efeito, e que os preços de carvão devem ficar elevados por até mais dois meses.

O contrato futuro mais líquido de carvão térmico na Bolsa de commodities de Zhengzhou saltou 60% em setembro, e continua em alta em outubro. A cotação atingiu um recorde, com valor equivalente a US$ 255 a tonelada, na quarta-feira.

Fonte: Dow Jones Newswires.

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