PMI de serviços no Brasil cai para 51,0 em dezembro, o mais fraco em 19 meses

Segundo a S&P Global, crescimento teria sido impedido por incertezas políticas e por paralisações ligadas à Copa do Mundo

Roberto de Lira

Serviços de TI e comunicações foram destaque na pesquisa de março

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O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços no Brasil recuou de 51,6 em novembro para 51,0 em dezembro, atingindo uma mínima de 19 meses, informou nesta quarta-feira (4) a S&P Global. Embora na pesquisa algumas empresas tenham citado parcerias bem-sucedidas no período, conquistas de novos clientes e resiliência da demanda sustentando a produção, o maior crescimento teria sido impedido tanto por distrações políticas como por paralisações ligadas à realização Copa do Mundo no último mês de 2022.

Já o índice dos gerentes de compras composto do Brasil recuou de 49,8 em novembro para 49,1 em dezembro.

Segundo a S&P Global, o volume de novos pedidos aumentou a um ritmo sólido e acelerado, mas as empresas reduziram o número de empregos pela primeira vez desde maio de 2021 em meio à falta de pressão sobre as capacidades operacionais.

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Olhando para o futuro, houve uma melhora na confiança nos negócios, uma vez que os participantes da pesquisa preveem maior clareza em torno de políticas públicas, inflação controlada, investimentos e melhores condições de demanda.

Para Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, o desempenho do setor de serviços do Brasil foi decepcionante no final de 2022, especialmente considerando a força com a qual começou o ano.

“Parte da fraqueza observada em dezembro foi atribuída a futuras políticas públicas pouco claras, enquanto algumas empresas fecharam suas portas durante os jogos da Copa do Mundo”, afirmou.

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Segundo a diretora, as empresas de serviços apresentaram sinais mistos para 2023. “Por um lado, a confiança nos negócios foi fortalecida, alinhada às expectativas de melhores condições econômicas com uma maior clareza das políticas públicas. Por outro lado, os postos de trabalho foram reduzidos porque as empresas optaram por esperar para ver se suas previsões para a produção iriam se concretizar”, ponderou.