IEA vê riscos de excesso de oferta e abrandamento da demanda por petróleo

Agência Internacional de Energia cita força da oferta dos países não ligados à Opep+, com destaque para EUA, Brasil e Guiana

Roberto de Lira

Plataforma de petróleo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (Foto: Getty Images)

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O sentimento do mercado de petróleo tornou-se decididamente pessimista em novembro e no início de dezembro, diz o mais recente relatório mensal da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira (14). Segundo o estudo, a força da oferta dos países não ligados à Opep+ coincidiu com o abrandamento do crescimento da demanda mundial de petróleo.

O relatório destaca que a extensão dos cortes de produção da Opep+ até ao 1º trimestre de 2024 pouco fez para sustentar os preços do petróleo. No início de dezembro, esses preços tinham caído cerca de US$ 25 por barril desde as máximos de setembro, para os níveis mais baixos dos últimos seis meses. No momento em que o texto foi escrito, os futuros do Brent estavam sendo negociados em torno de US$ 74/por barril e o WTI perto de US$ 69/bbl.

Segundo a IEA, a oferta recorde de Estados Unidos, Brasil e Guiana, e o aumento acentuado da produção de petróleo iraniana, juntamente com a redução da demanda, levaram alguns membros da Opep+ a anunciar cortes mais extensos para evitar um potencial aumento de estoques.

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A melhoria da eficiência de perfuração e a produtividade de poços na área de xisto fizeram com que o fornecimento de petróleo nos EUA ultrapassasse os 20 milhões de barris por dia em setembro, desafiando os avisos da indústria sobre um abrandamento iminente no crescimento. Isso devido à inflação de custos e às restrições de capacidade de serviço nos campos petrolíferos.

Como resultado, as revisões em alta da oferta dos EUA no 2º semestre deverão ficar perto de 600 mil barris/dia. “Os Estados Unidos estão agora no caminho para proporcionar um aumento de oferta de 1,4 mb/d em 2023, representando dois terços da expansão de 2,2 mb/d não-Opep+”, diz o relatório da agência.

Enquanto isso, a OPEP+ registará um declínio de 400 mil barris/dia, reduzindo a sua quota de mercado para 51% em 2023 – a mais baixa desde a criação do bloco, em 2016.

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O texto lembra que fortes cortes de oferta, em grande parte suportados pela Arábia Saudita, foram atenuados pela produção iraniana.

Embora o crescimento da oferta não-OPEP+ deva perder dinamismo em 2024, a previsão é que os ganhos previstos de 1,2 mb/d poderão ainda exceder o aumento da demanda mundial de petróleo.

Demanda

O texto detalha que a evidência de um abrandamento na procura de petróleo está crescendo, com o ritmo de expansão caindo de 2,8 mb/d em termos anuais no 3º trimestre para 1,9 mb/d no 4º trimestre.

“A deterioração das perspectivas macroeconômicas levou a uma revisão em baixa da nossa previsão de crescimento do consumo global de petróleo de quase 400 mil barris/dia nos últimos três meses do ano. A Europa, a Rússia e o Oriente Médio são responsáveis ​​pela maior parte do ajuste”, diz a IEA.

Além disso, o impacto das taxas de juros mais elevadas está repercutindo na economia real, enquanto a atividade petroquímica se desloca cada vez mais para a China, prejudicando o crescimento em outros países.

“A Europa está particularmente fraca no meio da ampla recessão industrial e manufatureira do continente. Além disso, padrões de eficiência mais rigorosos e uma frota de veículos eléctricos em expansão continuam a reduzir a utilização de petróleo”, comenta a IEA.

Como resultado, o crescimento da demanda mundial de petróleo em 2023 foi ajustado para menos 90 mil barris/dia em relação ao relatório de novembro, para 2,3 mb/d. “A China é responsável por 78% do aumento deste ano. A previsão é que o crescimento do consumo de petróleo diminua significativamente em 2024, para 1,1 mb/d, com os valores de base da demanda normalizando à medida que as distorções relacionadas com a covid-19 desaparecem.”

O estudo complementa com a visão que a mudança no fornecimento global de petróleo dos principais produtores do Oriente Médio para os Estados Unidos e outros países da Bacia Atlântica, e o impacto dominante da China e do seu sector petroquímico em expansão na procura de petróleo, estão tendo um impacto profundo no comércio global de petróleo.

“Os mercados a leste de Suez já absorveram a maioria dos fluxos russos após a invasão da Ucrânia, bem como o aumento das exportações iranianas, mas agora devem ajustar-se aos volumes crescentes de petróleo bruto e GNL da Bacia do Atlântico”, diz o texto.

“O aumento contínuo da produção e o abrandamento do crescimento da demanda complicarão os esforços dos principais produtores para defenderem a sua quota de mercado e manterem os preços do petróleo elevados”, conclui.