Frustração com inflação de janeiro muda apostas para cortes de juros pelo Fed

Havia uma expectativa de que o indicador cheio pudesse ficar abaixo de 3% na leitura anualizada pela primeira vez desde março de 2021, mas o dado ficou em 3,1,%; aposta majoritária agora é que juros caiam em junho

Roberto de Lira

Traders operando na Nyse, a Bolsa de Nova York (Michael M. Santiago/Getty Images)

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Foi com frustração que os economistas e analistas de mercado receberam nesta terça-feira (13) a notícia que a inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) ainda inspira cuidados por parte do Federal Reserve. Havia uma expectativa de que o indicador cheio pudesse ficar abaixo de 3% na leitura anualizada pela primeira vez desde março de 2021. O índice até desacelerou dos 3,4% observados em dezembro, mas permaneceu teimosamente em 3,1%.

Como próprio presidente do Fed, Jerome Powell, bateu na tecla de que era preciso esperar mais evidências de que a inflação estava caindo de forma sustentável rumo à meta de 2% – antes de pensar em reduzir os juros -, a chance de um início mais rápido na flexibilização da política monetária ficou ainda mais remota.

Na plataforma FedWatch, do CME Group, a probabilidade da manutenção das taxas na reunião de março do Fomc subiram para 93,5%, enquanto as chances de um corte de 25 pontos-base recuaram para 6,5%. Esse pessimismo contagiou também as apostas para maio, com a probabilidade de manutenção indo a 62,1% e de um ligeiro corte recuando para 36,3%.

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Com isso, começa a se consolidar no mercado uma tendência de início de cortes apenas no encontro do Fomc de 12 de junho: as chances de um corte de 25 bps subiu de 41,9% para 53,1% desde ontem, mas as de manutenção também avançaram, de 7,8% para 21,8%. E a probabilidade de o corte começar com 50 pontos está em 24,1%.

O The Wall Street Journal lembra que os economistas do banco Goldman Sachs previram, com precisão, que a inflação seria mais firme em janeiro, devido à forma como certos preços foram redefinidos no início do ano. Segundo essa análise, se as pressões mais firmes sobre os preços se revelarem um caso isolado, que se reverta em fevereiro e março, o relatório de inflação desta terça-feira terá menos implicações para o Fed.

“O Fed verá isso como mais um motivo para esperar até maio ou junho, mas a direção da tendência ainda é menor”, disse à Bloomberg Kathy Jones, estrategista-chefe de renda fixa da Charles Schwab. “Com grande parte do aumento devido à habitação, é um jogo de espera para ver quando esses custos vão baixar.”

Para a Bloomberg Economics, o relatório do CPI de janeiro mostra que não será um caminho tranquilo para que a inflação volte à meta de 2%. Segundo a análise, a projeção ainda é que o Fed comece a cortar os juros em maio, mas se os sinais preocupantes relatório persistirem, o risco de um corte posterior aumenta.

Paul Ashworth, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, disse ao jornal britânico The Guardian que a leitura inesperadamente forte de janeiro deve reforçar a visão de que “a última milha (no combate à inflação) é a mais difícil”. Mas ele ponderou que os preços em algumas categorias-chave, como vestuário e produtos de cuidados médicos, caíram no mês passado. “Ainda há muita desinflação na economia”, observou.

(Com Bloomberg)

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