Falas de dirigentes do Fed mostram divergência sobre tamanho do corte de juros

Presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse em entrevista hoje que a projeção de três cortes de juros em 2024 está "em linha” com seu pensamento; Raphael Bostic, do Fed de Atlanta espera apenas um corte

Roberto de Lira

Sede do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA) (Nathan Howard/Bloomberg)

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As diferentes visões sobre o desenvolvimento do processo de desinflação e, consequentemente, do início e o tamanho dos cortes de juros nos Estados Unidos, têm ficado cada vez mais claras nas falas dos integrantes do dentro do Comitê de Mercado Aberto (Fomc). Nesta segunda-feira (25), o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse em entrevista que a projeção de três cortes de juros em 2024 está “em linha” com seu pensamento.

Ao Yahoo Finance Live, Goolsbee disse não ter mudado de opinião sobre a história fundamental da queda da inflação no país, apesar das leituras mais quentes do que o esperado nos indicadores de janeiro e fevereiro. “Parece difícil para mim ver que os sete meses anteriores ao início deste ano foram apenas aleatórios”, comentou.

A mediana do sumário de projeções econômicas do Fed de março manteve a estimativa de três cortes de 25 pontos-base até o final do ano, embora a previsão para o PIB tenha crescido e as de inflação também tenham avançado.

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Embora essa posição mais moderada similar à externada pelo presidente do Fed, Jerome Powell, na coletiva de imprensa que se seguiu à decisão do Comitê de manter novamente as taxas de juros, ela destoa bastante da apresentada pelo colega do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, na semana passada.

Na sexta-feira (22) Bostic disse esperar apenas um corte de juros este ano e essa redução corte acontecerá mais tarde no ano do que o esperado anteriormente. Para ele, o Fed pode se dar ao luxo de ser paciente enquanto a economia se mantiver no atual estágio.

Outra diretora do banco central americano, Lisa Cook, também declarou em um discurso hoje na Universidade de Harvard que o Fed não está com pressa para reduzir os juros. Para ela, é preciso “restaurar totalmente a estabilidade de preços” e “adotar uma abordagem cautelosa para aliviar a política monetária ao longo do tempo”.

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“A trajetória de desinflação, como esperado, tem sido acidentada e desigual, mas uma abordagem cuidadosa para novos ajustes de política pode garantir que a inflação retorne de forma sustentável a 2%, enquanto se esforça para manter o mercado de trabalho forte”, afirmou.

Mas Goolsbee pediu na entrevista hoje que as autoridades do Fed encontrem o equilíbrio no duplo mandato do banco central: preços estáveis e emprego. “Acho que, com esse nível de restrição, terá que começar a prestar atenção ao outro lado do mandato também. Você viu o presidente Powell discutir o lado do mandato do emprego na coletiva de imprensa também”, disse ele.

(Com Reuters)