Empresas chinesas aproveitam janela de oportunidade no Mar Vermelho

Companhias da China se valem da "imunidade" oferecida pela milícia Houthi, que tem como alvos preferenciais embarcações de países aliados dos Estados Unidos e de Israel

Roberto de Lira

Canal de Suez (Bloomberg)

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A onda de ataques da milícia Houthi aos navios comerciais que trafegam no Mar Vermelho rumo ao Canal de Suez é dirigida apenas às embarcações identificadas como aliadas dos Estados Unidos e Israel. Com isso, outros países, como a China e a Rússia, tem aproveitado para estabelecer um ganho de competitividade com a crise. Segundo o jornal Financial Times, várias companhias marítimas chinesas têm redistribuído suas rotas para a região.

O jornal informa que essas empresas chinesas menores tem aproveitado a “imunidade” para atender a portos como Doraleh, no Djibouti, Hodeidah, no Iêmen, e Jeddah, na Arábia Saudita, que vêm enfrentaram grandes quedas no tráfego com o afastamento das grandes companhias internacionais de transporte de contêineres.

O FT cita entre essas empresas que aproveitaram essa janela de oportunidade a Transfar Shipping, com sede em Qingdao, que no seu website se descreve como “um player emergente no mercado transpacífico”, oferecendo serviços entre a China e os EUA.

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Ainda segundo a reportagem, as companhias marítimas procuram deixar claras as suas ligações chinesas ante potenciais ataques dos Houthis. Os navios ostentam a bandeira da China de forma proeminente e navegam escoltados pela marinha chinesa.

Seguro mais caro

A seletividade dos ataques fica clara com o impacto mais moderado nos fluxos de petróleo em viagens pelo Mar Vermelho, uma vez que muitos petroleiros são provenientes da Rússia e do próprio Oriente Médio, ambos na lista “amigável” dos Houthi.

Por outro lado, o jornal econômico israelense Globes informou nesta semana que as companhias de seguros tem suspendido seus serviços aos navios com bandeira do país e também aos americanos que atravessam o Mar Vermelho.

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Sem os seguros, os navios israelenses só têm como opção contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança, acrescentando pelo menos duas semanas e mais custos à viagem, e usar portos logísticos no Mediterrâneo Oriental.

O jornal calculou que as operações das forças rebelde do Iêmen já tinha resultado num aumento da taxa de seguro para a travessia do Mar Vermelho, que passou de 0,01% do valor das mercadorias, no início de dezembro, para 1% agora.

Isso significa que um navio transportando cerca de 12.000 contêineres TEU (Twenty-Foot Equivalent Unit), com o valor da carga de aproximadamente US$ 100 milhões, tem agora um o custo adicional equivalente a US$ 1 milhão.