Projeção

Em cenário pessimista, UBS prevê retração do PIB brasileiro de até 10,1% em 2020

Economistas disseram, no entanto, que maior probabilidade, por enquanto, é de uma queda mais amena do PIB, entre 5,5% e 7,2% neste ano

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SÃO PAULO — A pandemia de coronavírus pode causar uma retração de até 10,1% no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2020. A projeção foi apontada no pior dos três cenários divulgados pela equipe de análise do UBS.

Em relatório, os economistas Tony Volpon e Fabio Ramos destacaram que a imposição de medidas de distanciamento social geraram um choque extremo de oferta, no qual muitas empresas “não essenciais” acabaram interrompendo (ou reduzindo drasticamente) sua produção, gerando um corte repentino nas receitas, em muitos casos a zero. “Isso gerou uma cadeia de cortes repentinos na renda dos trabalhadores e pagamentos a fornecedores e credores.”

Eles levantaram cenários para a economia brasileira com base em três perguntas: qual o tamanho da queda imediata do PIB devido à imposição de medidas de distanciamento social? Qual será o ganho “pontual” na produção quando as medidas de distanciamento social forem flexibilizadas? E qual será a taxa de crescimento da economia quando o distanciamento social for totalmente abandonado?

“Os programas de apoio do governo tentaram preencher as lacunas no fluxo de caixa, mas apesar desses esforços, a economia sofrerá um grande grau de desorganização, o que significa inicialmente que um grande choque de oferta se transformará em um choque de demanda de tamanho recessivo”, disseram os economistas.

À medida que o distanciamento social for sendo flexibilizado, o UBS prevê uma recuperação rápida, mas parcial, de atividade econômica. “No final do ano, vemos uma produção 2% abaixo dos níveis observados em fevereiro nos cenários um e dois [mais otimistas]. No cenário três, vemos a economia recuperando apenas para 92% dos níveis vistos em fevereiro.”

Com o fim da pandemia, o UBS acredita que a taxa de crescimento inicial será de 1%, como visto após a última recessão. “Nos cenários um e dois, vemos uma aceleração gradual para o nível de 2%, mas não no cenário três. Sob essas premissas, o crescimento para 2020 seria -5,5% no cenário um, -7,2% no cenário dois e -10,1% no cenário três. Para 2021, vemos respectivamente 6,5%, 8,3%, 5,4%”, destacaram os economistas.

Cenário desastroso

“Se a pandemia nos guiar a níveis elevados de incerteza política, negativamente impactando a confiança dos investidores e gerando um estado permanente de prêmios de risco mais altos nos preços dos ativos, além de condições financeiras mais apertadas que geram impacto ainda pior no crescimento, podemos ver um resultado semelhante ao cenário três, mesmo que a pandemia seja sob controle”, afirmou o UBS.

Essa incerteza política, de acordo com o banco, seria refletida na incapacidade de formular, comunicar e executar uma agenda de reformas para lidar com os impactos fiscais e de crescimento da crise. Volpon e Ramos, no entanto, enfatizam que a maior probabilidade é que o país caminhe para os cenários dois e um, mais otimistas.

“No Brasil, apesar das discussões sobre o custo econômico das medidas de distanciamento social entre o presidente Bolsonaro e muitos governadores estaduais, o Supremo Tribunal Federal decidiu que as decisões sobre tais assuntos devem ser tomadas em nível local. Para São Paulo, que representa cerca de 30% do PIB nacional,o governador Doria anunciou a flexibilização gradual do distanciamento social a partir de 11 de maio, que está de acordo com o nosso cenário, que tomamos como nosso caso base”, concluíram.

O último Boletim Focus do Banco Central apontou uma projeção de retração do PIB brasileiro de 3,34% em 2020, um patamar bem mais ameno do que algumas entidades projetam para este ano. A agência de risco Moody’s, por exemplo, divulgou hoje uma expectativa de baixa de 5,2% da economia brasileira até dezembro.

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