Britânicos nas urnas

Eleição no Reino Unido: o que está em jogo em mais um evento decisivo para o Brexit

Votação ocorre em meio ao grande impasse no Parlamento para andar com as propostas do primeiro-ministro Boris Johnson sobre a saída do Reino Unido da UE

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SÃO PAULO – Após algumas semanas de “tranquilidade”, os britânicos voltam a ter, nesta quinta-feira (12), um grande evento decisivo para o Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), conforme cerca de 46 milhões de eleitores vão às urnas para eleições gerais.

Esta votação foi convocada – deveria acontecer apenas em 2022 – em meio ao grande impasse no Parlamento para andar com as propostas do primeiro-ministro Boris Johnson sobre o divórcio com a União Europeia.

A intenção do premiê agora é conquistar maioria na Casa – algo que ele não tem atualmente – para poder aprovar o acordo que já costurou com os integrantes do bloco europeu.

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Atualmente, existem alguns grupos no Parlamento com ideias diferentes para o que deve acontecer. Há quem defenda o Brexit do jeito que foi acordado, enquanto alguns não gostam dos atuais termos. Existem parlamentares que também querem a realização de um novo referendo, e os mais radicais, que defendem o cancelamento da saída do Reino Unido da UE.

Em relatório, o Morgan Stanley disse ver dois resultados plausíveis para o pleito: i) um governo de maioria conservadora (do atual primeiro-ministro), que deve cumprir o atual acordo para o Brexit e busque um novo relacionamento comercial com a UE; ii) um governo minoritário liderado por trabalhistas apoiado por outros partidos da oposição, que deve realizar um segundo referendo em 2020.

Diante das recentes pesquisas, o Morgan avalia que o primeiro cenário tem 70% de chance, contra 25% do segundo, sendo que ainda existe 5% de chance de ocorrer um parlamento dividido.

Até o início desta semana, os conservadores, liderados por Johnson lideravam a maioria das pesquisas, mas com uma vantagem cada vez menor. Na terça-feira, a empresa de pesquisas Focaldata apontou que o partido Conservador deve ter maioria de 24 cadeiras no Parlamento, uma forte queda sobre a vantagem de 82 cadeiras apresentada mês passado.

Já a pesquisa YouGov, que previu com exatidão o resultado da última eleição, também reduziu sua previsão sobre uma maioria provável de Johnson para 28 cadeiras – duas semanas atrás a estimativa era de uma maioria de 68. Com isso, eles não garantem mais a vitória do atual premiê.

Vitória ameaçada

Esta mudança de tendência nas principais pesquisas começou a ocorrer na última segunda-feira (9), após um vídeo controverso de Johnson viralizar nas redes sociais.

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Nele, o premiê é questionado por um jornalista sobre a fotografia de um menino doente sendo tratado no chão de um hospital do serviço de saúde público britânico (NHS, na sigla em inglês). Johnson se recusa a olhar para a imagem e responder a pergunta e, em seguida, ainda pega o celular do repórter e guarda no bolso.

O vídeo já superou 10 milhões de visualizações e se tornou uma forte arma da oposição na corrida eleitoral. O partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn, tem batido na tecla da questão da saúde desde o início da campanha, diferente do premiê, que usa o Brexit como ferramenta para ganhar o pleito.

Faltando apenas um dia para a eleição a disputa se tornou bastante imprevisível, e analistas ressaltam que Johnson precisa conseguir maioria absoluta para conseguir andar com seus planos. Caso contrário, terá vida dura para conseguir realizar o Brexit no atual prazo, em 31 de janeiro de 2020.

“O único partido com o qual os conservadores podem governar e conseguir o acordo é o Partido Brexit, que provavelmente terá alguns assentos [no Parlamento]”, afirma o Credit Suisse em relatório.

Segundo os analistas, se os conservadores precisarem de outros partidos para formar o governo, talvez será preciso concordar com a realização de um segundo referendo.

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