Dolarização e fechamento do BC argentino continuam como objetivos de Milei, diz ministro da Economia

Luis Caputo não deu um cronograma para o abandono total da moeda argentina, mas admitiu que não é uma meta de curto prazo

Roberto de Lira

Imagem de nota de 100 dólares com foto do presidente eleito da Argentina, Javier Milei 16/11/2023. REUTERS/Matias Baglietto/

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O novo ministro da Economia da Argentina, Luis “Toto” Caputo, confirmou que a dolarização e o fechamento do Banco Central continuam como objetivos do presidente Javier Milei. “O presidente sempre fez campanha pela dolarização e pelo fechamento do Banco Central. Essas bandeiras não foram postas de lado”, afirmou em entrevista na noite de quinta-feira (14) ao canal LN+.

“Nosso objetivo é resolver a catástrofe do legado. O objetivo continua o mesmo, alcançar a dolarização. O presidente não mente. Eu gostaria que ficasse claro, porque você tem que ter um contrato real com o povo”, disse. E garantiu: “Estamos com um doente que está nos cuidados intensivos”.

Segundo o ministro, se forem anualizados os dados dos últimos 15 dias, o país já está com uma inflação de 3.700%, a uma taxa de 1% ao dia. “Se você analisar os números, eles não são exagerados”. Estamos numa catástrofe, o que foi herdado é o pior legado da história”.

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Para o ministro, as pessoas estão mais conscientes da crise porque a inflação é consequência de políticas passadas”. Ele reconheceu que o governo começou com um plano de estabilização ortodoxo clássico e disse estar confiante confiantes em sua execução.

“O coração do programa sempre foi fiscal, minha concordância com o presidente sobre isso foi absoluta. Ele sempre disse e reconheceu que dados os 20 pontos de financiamento do déficit com emissão monetária dificultavam muito a saída dos estoques”.

Segundo ele, dentro do programa de estabilização, existe essa âncora fiscal necessária para reduzir a inflação e o Banco Central complementou com medidas monetárias. “Estamos garantindo a independência do Banco Central e reduzindo drasticamente as emissões”, acrescentou.

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Caputo não deu um cronograma para o abandono total da moeda argentina, mas admitiu que não é uma meta de curto prazo.

O ministro disse ainda que a agressiva desvalorização cambial desta semana teve como objetivo começar a reancorar as expectativas de inflação. Ao definir que seria melhor aproximar a taxa de câmbio oficial das taxas dos mercados paralelos, ao invés de optar por um ajuste gradual de desvalorização, Caputo disse que intenção foi de “conter a inflação reprimida”.