Revisão de cenário

Credit Suisse eleva previsão para Selic em dezembro de 7,25% para 8,25%, após tom mais duro do Copom

Com visão mais cautelosa do Banco Central em relação à inflação, Credit espera agora três novas altas consecutivas de um ponto percentual da Selic

SÃO PAULO – Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de aumentar a taxa básica de juros em um ponto percentual, de 4,25% para 5,25% ao ano, e do tom mais duro do comunicado divulgado após o encontro, a equipe do Credit Suisse revisou seu cenário macro.

O banco espera agora que a Selic seja elevada para 8,25% ao ano até o fim de 2021, a partir de três novas altas consecutivas de um ponto percentual. Até então, o Credit trabalhava com uma projeção de Selic a 7,25% em dezembro.

A visão do banco para a inflação segue mais elevada que a do Banco Central, com a expectativa de avanço de 7,2% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2021 e de 4,7%, em 2022.

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Em relatório, Solange Srour e Lucas Vilela disseram que a revisão levou em conta a indicação mais incisiva do Copom sobre a ancoragem das expectativas de inflação. “A nosso ver, os riscos para a inflação e a taxa de juros Selic ainda estão inclinados para uma possível alta”, afirmaram, em relatório.

Em seu comunicado da noite desta quarta-feira (04), o Banco Central ressaltou que “neste momento, o cenário básico e o balanço de riscos do Copom indicam ser apropriado um ciclo de elevação da taxa de juros para patamar acima do neutro”.

Quando está abaixo do ponto neutro, a intenção da autoridade monetária com a taxa Selic é gerar um estímulo para o aquecimento da economia, e, quando está acima desse ponto, o objetivo é reduzir o ritmo de expansão.

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O Credit destacou que o aumento da Selic ficou dentro da expectativa da grande maioria do mercado, mas que o documento apresentou um tom um pouco mais hawkish (inclinada ao aperto monetário) do que o esperado.

“O BC indicou que pretende aumentar outros cem pontos-base em 22 de setembro no cenário base e que a taxa de juros terminal deve ficar acima do nível neutro, confirmando a visão mais cautelosa em relação a inflação e uma estratégia de implementar ‘whatever it takes’ [o que for necessário] para ancorar a expectativa de inflação”, afirmou o banco, em relatório.

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