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Copom deve cortar Selic para 2% nesta quarta e pode não fechar as portas para “novo ajuste residual”

Analistas acreditam que Selic ficará em 2% no fim do ano, mas têm dúvidas se o BC deixará claro em comunicado que o ciclo de ajuste chegou ao fim

SÃO PAULO – Diante da economia ainda derrapante e uma inflação sustentada em níveis baixos, o mercado espera que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza mais uma vez a Selic em 25 pontos-base, para 2% ao ano, nesta quarta-feira (5).

Das 34 estimativas compiladas pela Bloomberg, 30 analistas acreditam neste corte da taxa básica de juros, enquanto quatro acreditam que o Banco Central irá encerrar o ciclo de ajuste monetário.

Um dado bom para a economia e que poderia jogar contra as apostas de corte, a produção industrial nacional teve alta de 8,9% em junho, no segundo mês seguido de alta, segundo informou nesta terça o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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Contudo, o indicador em si não deve pesar muito na decisão, já que o País ainda está longe de apagar a queda acumulada de 26,6% da indústria entre março e abril. Nestes quatro meses, o recuo agora é de 13,5%.

De outro lado, a inflação segue baixa diante de um consumo ainda fraco por conta da pandemia. “Os dados recentes de inflação abaixo do esperado e as projeções de inflação condicional visivelmente abaixo da meta para 2021 apoiam o corte adicional”, afirmam os analistas do Goldman Sachs.

A equipe do banco americano aponta ainda que, mais do que na decisão, o mercado estará de olho no comunicado. No encontro de 17 de junho, o Copom já havia apontado que o nível dos juros eram compatíveis com o cenário econômico, mas que avaliaria o impacto da pandemia para um possível novo ajuste.

Já no comunicado desta reunião, Goldman destaca que os diretores do Banco Central podem sinalizar o fim do ciclo de flexibilização e apontar que a Selic será mantida por um tempo. Por outro lado, há ainda chances de que eles deixem a porta aberta para novas reduções de juros, o que seria dependente de dados da inflação e também caso houvesse maiores riscos da recuperação da economia perder força. Porém, a avaliação é de que, provavelmente, a autoridade monetária “elevaria a barra” para novos cortes, dado o cenário de incerteza macroeconômica e levando em conta os juros já em patamares mínimos.

A equipe de análise do banco ainda ressalta que, embora tenha no cenário base a expectativa de um corte final na Selic de 25 pontos, atribui uma probabilidade de 30% a 40% de não ocorrer um corte, devido a preocupações persistentes com relação à dinâmica/volatilidade do câmbio, fluxos de conta de capital, pressões de portfólio entre fundos de renda fixa, além de pressões de natureza política, do risco fiscal de curto prazo e também levando em conta o fato de a orientação fiscal de curto prazo ser altamente expansionista.

Na mesma linha, Leonardo Fonseca e Lucas Vilela, economistas do Credit Suisse, apontam em relatório que o BC deve cortar a Selic em 25 pontos-base na reunião da próxima quarta. Já em termos de orientações para a reunião de setembro, a autoridade monetária pode indicar que o cenário-base aponta para estabilidade na taxa, mas que ajustes “residuais” adicionais poderiam ser implementados. Contudo, os economistas seguem com a expectativa de que a taxa de juros Selic terminará em 2% ao final de 2020.

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O UBS acredita que este corte será o último e que os juros serão mantidos até pelo menos o terceiro trimestre de 2021. “Enquanto o IPCA está mostrando alguma recuperação em relação ao segundo trimestre à medida que os preços dos combustíveis se recuperam, os bens não comercializáveis, os serviços e o núcleo da inflação estão próximos do mínimo”, destacam os economistas do banco, dando mais conforto para o BC seguir mantendo os juros baixos.

No mais recente relatório Focus do BC, divulgado na última segunda-feira (3), os economistas consultados projetaram um corte de 25 pontos-base no Copom desta semana, com a taxa de juros se mantendo estável até o fim deste ano.

Para 2021, porém, a expectativa atual é que a Selic volte a subir, fechando o próximo ano em 3%.

Por outro lado, contra a maioria, a equipe de análise econômica do Bradesco acredita em manutenção da taxa Selic em 2,25% em função do grande volume de estímulos na economia o que, na avaliação dos economistas, tornam mais incertas as projeções futuras de crescimento e inflação, levando o Banco Central a dar mais peso ao balanço de riscos do que às projeções de inflação. “De toda forma, reconhecemos que o modelo do Banco Central, no cenário central, indica haver espaço para algum corte residual”, afirmam.

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