Cepal identifica 14 áreas de possível cooperação entre UE e América Latina e Caribe para investimentos

Documento da Comissão antecede cúpula de chefes de Estado da Celac e UE, marcada para 2ª e 3ª feira em Bruxelas

Roberto de Lira

(Shutterstock)

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A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) elaborou um documento no qual identifica e analisa possíveis áreas de colaboração para investimentos em setores estratégicos entre a América Latina e o Caribe e a União Europeia. No estudo, foram listadas ao menos 14 áreas de oportunidades de desenvolvimento, que poderiam fazer parte dos compromissos produtivos dos países das regiões.

O documento foi publicado em preparação para a cúpula de chefes de estado e de governo da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da União Europeia, marcada para segunda e terça-feira, (17 e 18 de julho) em Bruxelas, na Bélgica.

O texto da Cepal traz diagnósticos, identifica oportunidades e propõe agendas de trabalho e políticas para expansão e aprofundamento no futuro em setores como transição energética, eletromobilidade, economia circular, bioeconomia, a indústria farmacêutica e de dispositivos médicos, tecnologias de informação e comunicação (TIC), entre outros.

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Também mostra possibilidades de cooperação em temas como igualdade de gênero, gestão sustentável da água, turismo sustentável, governo digital e segurança alimentar.

“Estas áreas de oportunidade são meramente ilustrativas e outras poderão ser acrescentadas. Todas elas abrem novas oportunidades, não só de investimento e crescimento, mas também de colaboração e alianças estratégicas no âmbito internacional”, diz o documento.

A publicação destaca que, no plano comercial, a União Europeia tem atualmente acordos comerciais vigentes com 25 países da América Latina e Caribe, número que aumentaria para 29 países com a assinatura e entrada em vigor do acordo firmado com o Mercosul. Isso torna a União Europeia o parceiro extrarregional com a maior rede de acordos da região.

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Brasil e México lideram

Em 2021, as duas maiores economias da região, o Brasil e o México, concentraram 60% do valor do comércio entre a América Latina e Caribe e a União Europeia, com participações de 32% e 28%, respectivamente. Eles foram seguidos por Chile e Argentina, ambos com participação de 8%.

O Brasil é historicamente o principal exportador regional para o mercado comunitário europeu, e em 2021 atingiu uma participação de 38% no valor total exportado – somando com os demais membros do Mercosul, chegou-se a 49% do total exportado para a UE naquele ano.

Na pauta de exportação do Mercosul para a UE se destacam petróleo, soja, cobre e minério de ferro, café e celulose, ou seja, ela é dominada por recursos naturais na forma primária ou processada.

Em relação ao investimento direto estrangeiro, Brasil, México, Chile e Colômbia representaram 91% das entradas de recursos vindo da UE 2017 e 2021. Nesse período, a União Europeia foi a principal fonte de IED no Brasil (43% do total), Chile (44%) e Colômbia (30%), enquanto os investimentos dos Estados Unidos tiveram maior protagonismo no México no mesmo período (41%, ante 30% da UE).

Segundo o texto, ambas as regiões enfrentam um cenário internacional turbulento, marcado por tensões entre Estados Unidos e China, enfraquecimento do sistema multilateral de comércio e interrupções nas cadeias de suprimentos globais causadas pela pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucrânia.

É nesse contexto, diz o documento, que a rede de acordos comerciais existente constitui um ativo valioso para ambos os blocos, pois pode reforçar suas respectivas iniciativas voltadas para uma maior autonomia estratégica, oferecendo não apenas oportunidades de exportação, mas também um fornecimento confiável de produtos essenciais.

A UE, por exemplo, é hoje a principal fornecedora de produtos farmacêuticos da América Latina e Caribe – em 2021 o bloco europeu representou 36% das importações totais. Por sua vez, a região abastece a União Europeia com combustíveis, alimentos e produtos minerais cruciais para a transição energética, como o cobre e o lítio. A ele se soma o grande potencial que existe para a produção e exportação de hidrogênio verde.

O documento sugere que América Latina e o Caribe e a UE precisam buscar um marco regulatório adequado aplicável aos fluxos de comércio exterior e investimentos. “Da mesma forma, é crucial modernizar acordos atuais para se adaptar aos desafios que surgiram nas últimas décadas, especialmente a revolução digital e a mudança climática.”

A recente atualização dos acordos da UE com Chile e o México aponta nessa direção, uma vez que incluiu disposições obrigatórias sobre comércio eletrônico, sustentabilidade ambiental, normas trabalhistas, igualdade de gênero e pequenas e médias empresas (PMEs), entre outros assuntos.

Da mesma forma, essas renovações definem um novo marco aplicável ao investimento estrangeiro, incluindo a resolução de conflitos e estimulando investimentos em setores estratégicos para uma transição sustentável e inclusiva. “A médio prazo, ter uma base comum de acordos semelhantes com a União Europeia pode facilitar a convergência entre estrangeiros, a própria revolução da integração econômica da região.”

A Cepal sugere ainda que os acordos comerciais que vinculam a região com a UE podem ser enriquecidos com normas e padrões que facilitem projetos conjuntos de pesquisa e promovam o intercâmbio tecnológico por meio de patentes, licenças e autorizações e facilitar projetos conjuntos de investimento e produção.

Entre as áreas que seriam beneficiadas com isso, o documento lista as relacionadas à transição verde, transição digital, saúde, segurança alimentar e cuidados da sociedade.

Só em energia renováveis, a Cepal destaca que a América Latina e o Caribe investiram cerca de US$ 71 bilhões entre 2008 a 2019, com o Brasil liderando os aportes. São citadas ainda grandes oportunidades em projetos de hidrogênio verde, em redes móveis de 5G, computação em nuvem, internet das coisas, inteligência artificial e na indústria farmacêutica.

A revitalização dos investimentos entre os dois blocos e o fortalecimento dos vínculos produtivos podem reforçar uma aliança estratégica que apoie os países da região no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que também apoie a União Europeia no fortalecimento de sua presença internacional.