Brasil depende do dólar mesmo com mudança para dívida interna, diz Campos Neto

Em palestra organizada pelo FMI, Campos Neto voltou a dizer que o BC só deve intervir no mercado de câmbio em caso de disfuncionalidades

Reuters

Ilustração fotográfica de uma nota de dólar
17/07/2022
REUTERS/Dado Ruvic
Ilustração fotográfica de uma nota de dólar 17/07/2022 REUTERS/Dado Ruvic

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O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira (19) que o Brasil ainda depende do dólar mesmo depois que o governo optou por reduzir a dívida externa e compensá-la com aumento da dívida interna, movimento que aconteceu a partir do início dos anos 2000.

Em palestra organizada pelo FMI, Campos Neto voltou a dizer que o BC só deve intervir no mercado de câmbio em caso de disfuncionalidades de forma a evitar criar novas distorções financeiras. Ele afirmou ainda que um país que não intervém de forma alguma no câmbio erra tanto quanto um país que interfere demais.

“Se o câmbio está se valorizando porque as pessoas estão comprando dólar, deve ser porque as pessoas perceberam um risco que é maior. E você não quer que essa variável não reflita o risco”, disse.

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Campos Neto afirmou que, no caso do Brasil, uma eventual intervenção pesada no câmbio pode gerar uma migração de investidores para outros ativos em busca de proteção, o que impactaria a curva de juros do país, afetando também a rolagem da dívida pública.

O presidente do BC disse não ser verdadeiro o argumento de que a troca de dívida externa por interna acabou com a vulnerabilidade do Brasil em relação ao dólar.

Segundo ele, parte dos detentores dos títulos públicos brasileiros são estrangeiros, que precisam vender dólares e comprar reais para fazer as operações. Com isso, movimentos na curva de juros acabam impactando a demanda por dólar.

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“Você está emitindo dívida na sua própria moeda, mas você não pode esquecer que parte do que te permitiu fazer isso é porque você trocou dívida externa por dívida interna de longo prazo”, afirmou, ponderando que essa relação ficou menos intensa no Brasil do que em outros países.