Reformas

Bolsonaro apoia as reformas, mas há um “timing” para agenda, diz Guedes a jornal

Para Guedes, o Congresso é “reformista” e a governabilidade se formou em torno da agenda econômica

Paulo Guedes
(Valter Campanato/Agência Brasil)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, avaliou em entrevista ao jornal O Globo ter feito a “aposta” certa ao embarcar no projeto do presidente Jair Bolsonaro e que suas “expectativas” estão se confirmando. Segundo Guedes, o presidente o apoiou até agora em todas as suas propostas na área econômica – como a da reforma da Previdência –, mas pontuou que o avanço das demais iniciativas é uma questão “timing” político.

Para Guedes, o Congresso é “reformista” e a governabilidade se formou em torno da agenda econômica. “O que está acontecendo é o seguinte: já existe a nova política. Ela já está acontecendo. Temos um Congresso reformista sem que o governo tenha tomado a frente. Há um clima de total cooperação”, disse.

“Os senadores estão com as equipes acampadas no ministério (da Economia) tratando do pacto federativo. A governabilidade está sendo feita em cima da agenda de reformas”, acrescentou Guedes.

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Especialmente sobre a reforma administrativa, ele afirmou também ter o apoio do presidente, mas que “não quer dar um pretexto” para quebra-quebra nas ruas. “Quando você bota quatro reformas, pelo menos uma começa a fazer bagunça”, disse.

Cheque Especial

Ele também reconheceu que, inicialmente, achou uma “esculhambação” o projeto do Banco Central de limitar juro do cheque especial, mas terminou convencido de que isso não fere preceitos liberais. Segundo ele, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, estudou por cinco meses o problema do “descalabro dos juros do cheque especial”.

“É um negócio completamente absurdo. Os juros estavam em torno de 400% ao ano. Quem recorre ao cheque especial é quem não tem dinheiro. A classe média também usa muito, mas o pobre recém-bancarizado é o usuário intensivo”, afirmou.

O ministro reforçou que “sempre advertiu” que não gostaria do tabelamento dos juros. “Qualquer liberal pode, sim, intervir num mercado em que haja alta concentração de poder econômico. Você tem fundamento teórico para intervir. Quando a economia é competitiva, você não precisa se preocupar com exploração do uso”, disse.

Déficit fiscal

Guedes respondeu também sobre a promessa de campanha de zerar o déficit público, o que, segundo ele, “deu tudo errado”, porém ficou no menor patamar em seus anos. “O previsto era R$ 139 bilhões e vai ser R$ 80 bilhões. Então você tem de trabalhar com a meta ousada”, afirmou.

“Tem economista que trabalha diferente: ‘vamos baixar de R$ 139 bilhões pra R$ 122 bilhões e aí você cumpre a meta’. O meu é big, bold target. Todo ano eu vou tentar. Vai ser possível? Não sei. Mas vou tentar. E privatização? Vou vender tudo. Essa é a meta. Tem uma particularmente que pode ser de R$ 250 bilhões”, enfatizou.

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