Autoridades monetárias dos EUA ainda veem como incerto início de corte de juros

Embora exista uma convicção de que a inflação caminha no sentido certo, o crescimento ainda robusto do emprego gera dúvidas sobre começo seguro da flexbilização

Roberto de Lira

Sede do Federal Reserve em Washington - (Foto: Jim Bourg/Reuters)

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As autoridades monetárias dos Estados Unidos continuam a considerar que está difícil precisar o momento em que será seguro iniciar a flexibilização da política, com o Fed praticando uma esperada queda dos juros. Essa posição foi explicitada nesta sexta-feira (10) tanto presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic – que tem direito a voto nas reuniões do Fomc – como pela chefe do Fed de Dallas, Lorie Logan.

Segundo disse Bostic, em entrevista à Reuters, é provável que o BC dos EUA continue no caminho certo para reduzir as taxas de juros este ano, mesmo que o momento e a extensão da flexibilização da política monetária sejam incertos e que novas quedas na inflação ocorram apenas lentamente.

Ele disse “ainda” acreditar que as taxas de juros podem ser reduzidas este ano, apesar de um primeiro trimestre em que o ritmo de aumento dos preços pareceu ficar bem acima da meta de 2% do Fed.

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Conversas com empresas em seu distrito sudeste do Fed indicam que o crescimento dos salários e dos empregos provavelmente desacelerará, disse Bostic, e que a maioria das empresas sente que seu poder de precificação está em declínio após os rápidos aumentos de preços que levaram a inflação a máximas de 40 anos em 2022.

“Há uma expectativa para a maioria dos empregadores com quem converso de que eles voltarão ao crescimento salarial pré-pandêmico”, disse Bostic. “E, com a possível exceção das empresas de tecnologia, “estamos ouvindo de praticamente todos… que seu poder de fixação de preços está praticamente no limite”, completou.

Para ele, isso deve preparar o cenário para um maior progresso da inflação ao longo do ano, assim como para que o Fed eventualmente comece a flexibilizar a política monetária.

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Mas isso pode demorar um pouco. Bostic observou, por exemplo, que embora o crescimento do emprego nos EUA em abril tenha sido mais fraco do que o esperado, a abertura de 175 mil postos de trabalho ainda foi um número forte, que precisa diminuir ainda mais para que ele sinta que é consistente com a meta de inflação do Fed.

“Acho que não saberemos disso por pelo menos alguns meses”, disse ele. “Tenho esperança de que continuaremos a ver essa desaceleração, porque minha perspectiva realmente diz que será preciso ver alguma desaceleração para que a inflação volte à nossa meta de 2%… Ainda estamos observando um crescimento robusto do emprego.”

“Teremos de ser pacientes e esperar até que a inflação nos dê sinais de que está se encaminhando de forma mais robusta para 2%. Isso levará algum tempo. Para mim, a questão, ao contrário de quantos este ano, é quando ocorrerá o primeiro.”

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Já presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, disse nesta sexta-feira que há “incertezas” sobre se a política monetária está suficientemente restritiva para reduzir a inflação para a meta de 2% do banco central dos Estados Unidos, e que é “muito cedo” para cortar as taxas de juros.

(Com Reuters)