Atividade ainda fraca em outubro reforça apostas de queda no PIB do 4º trimestre

Economia tem sofrido com a política monetária contracionista; BC fez revisões para baixo no indicador dos meses anteriores

Roberto de Lira

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A confirmação que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) registrou sua terceira queda mensal em outubro – o BC anunciou hoje que a variação no mês foi de -0,06% – demonstrou que a desaceleração econômica observada no terceiro trimestre do ano se estendeu também ao início do quarto trimestre.

Os economistas atribuem esse momento tanto aos efeitos da política monetária ainda contracionista pelo Banco Central como aos efeitos de uma base forte nos trimestre anteriores. Na melhor das hipóteses, os especialistas preveem estabilidade nos dados de novembro e dezembro.

Na análise do Santander Brasil, foi lembrado que outubro trouxe resultados majoritariamente negativos para a atividade econômica, em especial no volume de serviços, que contraiu -0,6% na comparação mensal, e nas vendas do varejo ampliado, que recuaram -0,4% na mesma comparação. A produção industrial, por sua vez, caminhou perto da estabilidade (+0,1%), mas com uma composição considerada negativa.

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Para novembro, o Santander está com projeções pessimistas, uma vez que os dados de confiança divulgados pela FGV permanecem abaixo do limite neutro, enquanto os dados proprietários do banco sugerem uma diminuição nas vendas no varejo ampliado, uma vez que os serviços prestados às famílias tiveram uma recuperação apenas parcial.

O banco projeta um PIB de -0,2% no quarto trimestre em relação ao terceiro, mas ainda com alta de 1,8% ante o mesmo trimestre do ano anterior. Para este ano, a estimativa de crescimento do PIB é de 2,8%, desacelerando para 1,2% no ano que vem.

A XP Investimentos, por sua vez, destacou não só a queda mensal do indicador, mas também as revisões para baixo nos dados dos meses anteriores. Por exemplo, o IBC-Br subiu 0,6% em relação ao 3º trimestre de 2022, abaixo do crescimento de 0,8% registrado na divulgação anterior. E as taxas de crescimento no 1º e 2º trimestres também foram revisadas para baixo.

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Na análise da XP, o indicador deve recuar moderadamente no 4º trimestre (-0,3%) e, com isso, a projeção para o ano recuou de uma lata de 2,6% para 2,3%. XP Tracker aponta para uma queda no PIB do 4º trimestre de 0,1% ante 3º trimestre de 2023 e um aumento de 2,0% em relação ao 4º trimestre de 2022.

“Em nossa visão, a atividade doméstica continuará perdendo força no curto prazo. Projetamos que o PIB crescerá 3,0% em 2023 e 1,5% em 2024.

João Savignon, chefe pesquisa macroeconômica da Kínitro, também alertou para a revisão de baixa na série do IBC-Br, não descartando novas ajustes similares até o final do trimestre. O tracking interno do PIB do 4º tri aponta para -0,1% ante o trimestre anterior e alta de 2,0% ante o mesmo trimestre do ano passado, o que é compatível com um crescimento de 2,9% no ano.

“Olhando para os próximos meses, continuamos com o nosso cenário base de perda de fôlego da atividade no 2º semestre de 2023, mas não de queda significativa. reflexo da dissipação dos efeitos da supersafra desse ano, que impulsionou o 1º semestre, e do nível de aperto monetário ainda presente na economia”, disse Savignon.

Embora as perspectivas continuem desafiadoras para o crescimento, o economista destacou que alguns elementos permitem acreditar num cenário mais de desaceleração do que de queda. Entre esses fatores, ele citou a manutenção do mercado de trabalho apertado – mantendo a renda real positiva -, os efeitos do programa “Desenrola” e do aumento do salário-mínimo no ano que vem, assim como do processo de desinflação da economia.

Política monetária

Rafael Perez, economista da Suno Research, afirmou que a queda no indicador revela que a atividade está sentindo de forma mais clara os efeitos da política monetária restritiva.

Para este final de ano, ele acredita que a economia deve continuar apresentando um menor crescimento, porém a desaceleração tende a set amenizada pelo mercado de trabalho aquecido, o crescimento da massa salarial e o arrefecimento da inflação sustentando o consumo.

“Para 2024, enxergamos uma expansão menor da economia brasileira, mas que deverá ser mais homogêneo entre os setores, muito em função do ciclo de cortes da Selic, que deve favorecer o mercado de crédito e beneficiar segmentos mais ligados à taxa de juros, em especial os investimentos.”

Igor Cadilhac, economista do PicPay, analisou que o resultado de outubro foi influenciado por variações próximas à estabilidade em quase todos os setores da atividade econômica. “Em termos gerais, o resultado permanece predominantemente negativo, com números expansionistas concentrados em poucas áreas. O destaque do mês foi a perda de ímpeto nos setores de transportes e na demanda das famílias”, comentou.

Ele afirmou ser importante observar a capacidade de resiliência do setor de serviços, o de maior peso para a economia e cuja dinâmica tende a ser mais inercial. “Ainda vemos um desempenho relativamente positivo no último trimestre. Esperamos que a Black Friday, o Natal e as festas de fim de ano estimulem a demanda das famílias, beneficiadas por um mercado de trabalho aquecido e um aumento na massa de rendimentos”, afirmou.

O PicPay estima uma variação negativa de -0,1% no PIB do quarto trimestre e um crescimento de 2,9% em 2023. Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, aposta que nos de novembro e dezembro a atividade deve ficar virtualmente estável, mas ponderou que será preciso esperar os dados dos serviços porque eventos pontuais como a série de grandes shows musicais, a Black Friday e eventos como GP de Fórmula 1 podem ter contribuído positivamente