Ata do Fomc: discussões sobre incertezas com a economia dominaram a reunião

Além da falta de confiança com a evolução de dados sobre atividade econômica, mercado de trabalho e tendência da inflação, participantes mencionaram dúvidas sobre os efeitos dos juros sobre a demanda agregada

Roberto de Lira

Prédio do Federal Reserve em Washington (REUTERS/Joshua Roberts/File Photo)
Prédio do Federal Reserve em Washington (REUTERS/Joshua Roberts/File Photo)

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Discussões sobre as incertezas associadas às perspectivas para a atividade econômica dos Estados Unidos, bem como sobre mercado de trabalho e a tendência da inflação, dominaram as discussões na última reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Fed (o banco central americano).  A informação está na ata da reunião dos dias 19 e 20 de março, divulgada nesta quarta-feira (10).

Na ocasião, o Comitê de Mercado Aberto decidiu manter no mesmo nível os juros básicos da economia do país. A taxa oscila dentro de uma banda entre 5,25% e 5,50% ao ano desde julho do ano passado.

Segundo o documento do Fed, alguns participantes mencionaram adicionalmente a incerteza sobre até que ponto as ações de política monetária passadas ou a atual orientação da política pesariam ainda mais sobre a demanda agregada.

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“De modo geral, os participantes destacaram sua incerteza quanto à persistência da inflação elevada e expressaram a opinião de que dados recentes não haviam aumentado sua confiança de que a inflação esteja se movendo de forma sustentável para 2%”, disse a ata, percepção que pode ter sido reforçada pelos dados divulgados nesta quarta-feira mostrando outro salto surpreendente na inflação.

O texto aponta que os participantes do Fomc citaram indicadores que apontavam para uma forte dinâmica econômica e leituras decepcionantes sobre a inflação nos últimos meses.

Eles comentaram ainda que não esperavam que fosse apropriado reduzir o intervalo-alvo para a taxa dos Fed funds até que tivessem ganho maior confiança de que a inflação estava se movendo de forma sustentável em direção à meta de 2% ao ano.

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“Os participantes salientaram a importância de continuar a comunicar claramente a abordagem dependente de dados do Comitê na formulação da política monetária e o forte compromisso de alcançar os seus objetivos de duplo mandato, de máximo emprego e estabilidade de preços”, diz a ata.

Os diretores concordaram, no entanto, que a política monetária continuava bem posicionada para responder à evolução das condições econômicas e aos riscos para as perspectivas, incluindo a possibilidade de manter a atual orientação política restritiva por mais tempo, caso o processo de desinflação abrandasse. Ou até de reduzir a contenção, no caso de uma enfraquecimento inesperado das condições do mercado de trabalho.

Nas discussões sobre política monetária, os membros concordaram que a atividade econômica estava se expandindo num ritmo sólido e que os ganhos de emprego permaneceram fortes, enquanto a taxa de desemprego permaneceu baixa.

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Os membros concordaram que permaneciam muito atentos aos riscos de inflação. “Alguns participantes observaram que os recentes aumentos da inflação foram relativamente generalizados e, portanto, não deveriam ser descontados como meras aberrações estatísticas. Contudo, observaram que a sazonalidade residual poderia ter afetado as leituras da inflação no início do ano.”

(Com Reuters)