Ata do Copom: BC cita progresso desinflacionário, mas mantém ‘serenidade e moderação’

O Comitê vê necessidade de manter a política monetária ainda contracionista pelo horizonte relevante para consolida a convergência da inflação para a meta e a ancoragem das expectativas

Roberto de Lira

Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil. Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Publicidade

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil avaliou em sua última reunião, encerrada no dia 13 de dezembro, que o houve um progresso desinflacionário relevante no país, mas considerou que ainda há um caminho longo a percorrer para a ancoragem das expectativas e o retorno da inflação à meta, “o que exige serenidade e moderação na condução da política monetária”. A avaliação está na Ata da reunião, divulgada nesta terça-feira (19).

Para os diretores do BC, a incerteza no cenário internacional, que tem se mostrado volátil, prescreve cautela na condução da política monetária. “O Comitê relembrou que a incorporação de cenários e variáveis exógenas, como a dinâmica fiscal ou o cenário externo, se dá por meio de seus impactos na dinâmica prospectiva de inflação, sem relação mecânica com a determinação da taxa de juros”, diz o texto

Segundo a Ata, o cenário doméstico tem caminhado em linha com o esperado, com a sequência da trajetória desinflacionária dos núcleos e da inflação de serviços, reforçando a dinâmica benigna recente da inflação. “Além disso, dados recentes sugerem moderação da atividade econômica, como antecipado pelo Comitê”, afirma o texto da Ata.

Masterclass

As Ações mais Promissoras da Bolsa

Baixe uma lista de 10 ações de Small Caps que, na opinião dos especialistas, possuem potencial de valorização para os próximos meses e anos, e assista a uma aula gratuita

E-mail inválido!

Ao informar os dados, você concorda com a nossa Política de Privacidade.

No entanto, foi comentado que a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos se manteve desde a última reunião do Copom. “Por fim, as projeções de inflação no horizonte relevante não se alteraram significativamente, mantendo-se acima da meta.”

Antes de optar por um novo corte de 50 pontos-base na Selic, o Comitê também debateu qual a estratégia e a extensão de ciclo apropriados em cada um dos cenários econômicos apresentados.

“Optou-se por manter a comunicação recente, que já embute a condicionalidade apropriada em um ambiente incerto, especificando o curso de ação caso se confirme o cenário esperado.”

Continua depois da publicidade

Com relação aos próximos passos, os membros do Comitê concordaram unanimemente com a expectativa de cortes de 0,50 ponto percentual nas próximas reuniões e avaliaram que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.

“Tal ritmo conjuga, de um lado, o firme compromisso com a reancoragem de expectativas e a dinâmica desinflacionária e, de outro, o ajuste no nível de aperto monetário em termos reais diante da dinâmica mais benigna da inflação antecipada nas projeções do cenário de referência”, diz a Ata.

Por fim, o Comitê debateu a extensão do ciclo de ajustes na política monetária. O Comitê disse perceber a necessidade de se manter uma política monetária ainda contracionista pelo horizonte relevante para que se consolide a convergência da inflação para a meta e a ancoragem das expectativas.

“Enfatizou-se novamente que a extensão do ciclo ao longo do tempo dependerá da evolução da dinâmica inflacionária, em especial dos componentes mais sensíveis à política monetária e à atividade econômica, das expectativas de inflação, em particular as de maior prazo, de suas projeções de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos.”

O Comitê também manteve “seu firme compromisso com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante e reforça que a extensão do ciclo refletirá o mandato legal do Banco Central.”

Balanço de riscos

Segundo a Ata, O Comitê avaliou em seus cenários para a inflação que permanecem fatores de risco em ambas as direções.

Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação foram destacados a maior persistência das pressões inflacionárias globais e a maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado.

Entre os riscos de baixa, foram ressaltados a desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrando mais fortes do que o esperado.

“O Comitê avalia que a conjuntura, em particular devido ao cenário internacional, segue incerta e exige cautela na condução da política monetária.”

O Copom julgou que a dinâmica desinflacionária não divergiu significativamente do que era esperado, na medida em que prossegue a evolução benigna do cenário corrente de inflação e esgotam-se algumas fontes que contribuíram para o primeiro estágio da desinflação.

“O Comitê notou alguma surpresa para baixo no componente de serviços subjacentes, o que ensejou um debate das razões para esse resultado, enumerando, dentre outras, a normalização de preços relativos, o impacto inercial da inflação cheia, o comportamento benigno de salários, o movimento mais acentuado dos choques primários de commodities e alimentação e os impactos defasados da política monetária.”

Para os diretores, a evolução prospectiva do hiato do produto e o comportamento do mercado de trabalho foram considerados muito relevantes para determinar a velocidade com que a inflação atingirá a meta.

“O Comitê, após acumular mais evidência, elevou um pouco o impacto inflacionário do fenômeno climático do El Niño sobre a inflação de alimentos. Ao fim, concluiu-se unanimemente pela necessidade de uma política monetária contracionista e cautelosa, de modo a reforçar a dinâmica desinflacionária.”

Segundo a Ata, a expectativas de inflação seguem desancoradas e são um fator de preocupação. “O Comitê avalia que a redução das expectativas requer uma atuação firme da autoridade monetária, bem como o contínuo fortalecimento da credibilidade e da reputação tanto das instituições como dos arcabouços fiscal e monetário que compõem a política econômica brasileira.”

Com relação ao cenário fiscal, tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o Comitê reafirmou a importância da firme persecução dessas metas.