Após BC da Argentina cortar juros para 40%, dólar paralelo volta a subir

Mercado de câmbio vinha em fase de estabilidade nas últimas semanas, mas se ajustou ao novo corte de juros no país e o dólar blue bateu em 1.100 pesos, nível mais alto desde fevereiro

Equipe InfoMoney

Imagem de nota de 100 dólares com foto do presidente da Argentina, Javier Milei  - 16/11/2023. (Reuters/Matias Baglietto)
Imagem de nota de 100 dólares com foto do presidente da Argentina, Javier Milei - 16/11/2023. (Reuters/Matias Baglietto)

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O dólar blue, a cotação paralela da moeda americana mais utilizada na Argenta, voltou a ultrapassar o patamar de 1.000 pesos nesta quinta-feira (16), batendo nesta tarde na casa dos 1.080 para compra e 1.100 para venda, um nível não visto desde 21 de fevereiro, quando a divisa fechou em 1.115. A diferença para a cotação oficial do dólar está em 19%.

O motivo para a “pax cambial”, como vinha sendo chamada pela imprensa local, ter sido quebrada foi o anúncio da nova redução de juros pelo Banco Central (BCRA). A taxa básica da economia local caiu mais 10 pontos percentuais na terça-feira, de 50% para 40%, assim que foi divulgada a quarta retração seguida da inflação mensal ao consumidor.  A inflação de abril ficou em 8,8%, ficando abaixo de dois dígitos pela primeira vez em meses.

O especialista Gustavo Quintana, da PR Operadores de câmbio, destacou ao jornal Ámbito Financiero que a taxa muito baixa em relação à “desencoraja um pouco as colocações em pesos”, por isso há uma reação “um tanto lógica do mercado”, de buscar um novo preço de equilíbrio para o dólar.

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O economista Joel Lupieri, da Epyca Consultores, também disse que “é muito possível que a alta do blue se deva ao novo corte de juros”. Ele explicou que, até agora, os investidores tinham seus pesos gerando interesse e “foram desencorajados a continuar com essa estratégia devido aos novos cortes aplicados pelo BCRA”.

O jornal Clarín lembra que, hoje, na Argentina, existem pelo menos seis tipos diferentes de cotações para a moeda americana, algumas mais usadas do que outras.