Alta da massa salarial renova preocupação com inflação de serviços, dizem economistas

Especialistas dizem que aumento dos salários e da população ocupada impulsionam a massa de renda real efetiva e que isso deve continuar estimulando o consumo das famílias

Roberto de Lira

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Dados do IBGE mostraram, nesta quarta-feira (31), que a taxa de desemprego permaneceu em níveis baixos em dezembro — mas os economistas olharam atenção mesmo para a contínua alta da massa salarial real, que pode exercer pressão sobre a inflação de serviços, via estímulo ao consumo das famílias.

De acordo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a taxa de desocupação no país chegou a 7,4% no trimestre encerrado em dezembro de 2023. E a massa salarial atingiu mais uma vez seu valor recorde, de R$ 301,6 bilhões, um aumento de 5% na comparação anual.

O rendimento real habitual subiu 0,8% no mês, após os ajustes sazonais e de calendário, destacou análise do Bradesco. E o aumento dos salários e da população ocupada impulsionou a massa de renda real efetiva.

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Para o banco, os dados confirmam a resiliência do mercado de trabalho. “A
dinâmica recente de salários tem contribuído adicionalmente para a elevação
da massa de rendimentos, o que deve sustentar o consumo das famílias.
Essa alta é um ponto de atenção do ponto de vista da inflação”, alertou.

Para a XP, ainda que os rendimentos reais do trabalho tenham arrefecido um pouco em dezembro contra novembro, as luzes amarelas continuam a piscar. Ajustado pela inflação, o rendimento médio habitual do trabalho caiu 0,1% em relação ao mês anterior, após uma expansão acumulada de 3,2% entre agosto e novembro. E esse indicador está 2,5% acima dos níveis pré-covid-19.

“Globalmente, espera-se que o aumento dos rendimentos reais do trabalho apoie o consumo das famílias em 2024. Ao mesmo tempo, representa uma preocupação relativamente ao recuo da inflação nos serviços, apesar dos valores menos preocupantes em dezembro”, diz.

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A XP destacou ainda que o rendimento agregado real do trabalho subiu 0,8% no mês, o sétimo avanço consecutivo. “Como sublinhamos, o rendimento disponível real das famílias aumentará cerca de 4% este ano, depois de ter disparado 6,5% em 2023”, calcula. “Em suma, a solidez do mercado de trabalho brasileiro deverá persistir em 2024. Esperamos que a taxa de desemprego fique ligeiramente acima de 8% no final deste ano”.

Na avaliação de João Savignon, chefe de pesquisa macroeconômica da Kínitro Capital, com a ocupação e a renda nos atuais níveis, há um suporte ao consumo das famílias, especificamente do setor de serviços e das atividades do comércio ligadas à renda, “mesmo considerando a saída do efeito positivo do agronegócio e a política monetária ainda restritiva no país”.

E o Copom?

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que o desemprego baixo somado ao aumento da renda real habitual traz desafios para a desaceleração da inflação de serviços. “Nossa projeção é que o Copom mantenha seu plano de voo e promova mais dois cortes de 0,50 ponto percentual, um na reunião de hoje e outro na de março”.

Além das pressões inflacionárias, existe a leitura de que o mercado de trabalho deve continuar impulsionando a economia em 2024. Na opinião de Rafael Perez, economista da Suno Research, o mercado de trabalho foi uma das principais surpresas positivas em 2023, com a taxa da PNAD Contínua caindo de 8,4% para 7,4% entre janeiro e dezembro. Além disso, houve forte expansão dos rendimentos dos trabalhadores, sustentando o crescimento da economia no ano passado.

“Para 2024, não vemos espaço para quedas significativas no desemprego, já que o mercado de trabalho deve refletir o menor crescimento da economia. Contudo, a taxa de desemprego deve se acomodar em níveis bem mais baixos que nos últimos anos e deverá continuar impulsionando o consumo das famílias, sendo um dos principais vetores para a expansão do PIB este ano”, disse.