Entrevista

A resposta do BC à crise do coronavírus está mais lenta do que deveria, diz Alexandre Schwartsman

Economista, colunista do InfoMoney e ex-diretor do Banco Central vê espaço para mais cortes na Selic e projeta dívida em 90% do PIB

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SÃO PAULO — A resposta de política monetária do Banco Central à crise do coronavírus está mais lenta do que deveria. A avaliação é do economista, colunista do InfoMoney e ex-diretor do BC, Alexandre Schwarstman.

Em live realizada nesta quarta-feira (8), Schwartsman afirmou que há espaço para novos cortes na Selic, a taxa básica de juros brasileira, que já está em seu menor patamar histórico. Segundo ele a inflação neste ano não vai chegar na meta de 4%, deve ficar na casa dos 2%.

“A resposta de política monetária está mais lenta do que deveria, mas o BC foi ágil em prover liquidez ao sistema financeiro, tomando medidas como a redução do compulsório dos bancos”, disse.

O economista comentou ainda que a relação entre a dívida pública e o PIB brasileiro deve chegar a 90% neste ano, frente aos 76% do ano passado. A estimativa antes da crise era de que ela ficasse em 78% em 2020.

“Muitos outros economistas têm falado isso e eu concordo, os gastos que o governo está fazendo agora não podem ser perenes. A tarefa de estabilização da dívida vai ficar mais difícil. (…) Já estamos falando em déficit na casa de meio trilhão de reais para este ano, que é dinheiro para caramba.”

Schwartsman também criticou a postura do governo que, segundo ele, está se autodepreciando. “O governo extraordinariamente enfraqueceu do ponto de vista político. (…) No torneio de tiro ao pé, este governo é absolutamente campeão”, disse. Assista à entrevista completa acima.

InfoMoney Orienta

A entrevista faz parte da campanha InfoMoney Orienta, que lançamos no mês passado. O objetivo é resolver dúvidas sobre investimentos e economia publicando informações de qualidade nas nossas diferentes plataformas — site, YouTube, redes sociais.

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