Agricultores franceses mantêm protestos e bloqueios de estradas

Setor se organizou para realizar barreiras, impedindo a passagem de produtos de origem não-francesa; eles se queixam particularmente do excesso de regulamentação ambiental e dos altos custos de produção

Roberto de Lira

Bandeira da França (Atypeek Dgn/Pexels)

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Agricultores em toda a França prosseguem nesta quinta-feira (25) em seus protestos contra o que consideram um excesso de regulação por parte do governo, que tem deteriorado seus negócios e colocado em risco a própria existência do setor.

Durante a semana, vários caminhões com placas de outros países têm sido parados nas estradas, com as cargas de origem não-francesa sendo destruídas ou apreendidas e remetidas para instituições de caridade.

Segundo o jornal Le Monde, esse tipo protesto, na verdade, tem sido comum em vários países, como Holanda, Romênia, Polônia e Alemanha. Os agricultores estão particularmente insatisfeitos com o Acordo Verde europeu e os aumentos dos impostos sobre os combustíveis fósseis, tudo num contexto de inflação e concorrência das importações ucranianas.

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Na França, o maior produtor agrícola do bloco,  o poderoso sindicato FNSEA anunciou ações durante toda esta semana e prometeu ir além disso, caso o governo não responda às suas exigências.

Preocupação eleitoral

Com a onda de descontentamento, as autoridades da União Europeia (UE) temem que o movimento de protesto se possa espalhar, como aquele que abalou França entre 2018 e 2019, na crise dos “coletes amarelos”.

Uma preocupação paralela é que o clima polarizado possa beneficiar politicamente setores da extrema direita num ano de eleições para o Parlamento Europeu, elevando o tom de pautas xenófobas e protecionistas, muitas vezes antagonistas às políticas da UE.

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Além dos problemas da concorrência com produtos mais baratos – especialmente os vindos da Ucrânia – e com os custos de produção, os agricultores reclamam da redução da utilização de pesticidas, da limitação das emissões de gases de efeito de estufa e da elevação das áreas de preservação da biodiversidade.

Atenta ao momento desafiador, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reconheceu hoje que há um “senso de urgência” de que as coisas têm de melhorar para o setor agrícola europeu. Para ela, as discussões agora visam “encontrar um novo consenso sobre questões com as quais todos lutamos”.