Dinheiro para tecnologia

Maya Capital capta mais US$ 100 milhões para investir em startups da América Latina

Gestora liderada por Lara Lemann e Mônica Saggioro colocará os novos recursos em 25 a 30 startups. Entre investidas, Maya Capital já tem dois unicórnios

Por  Mariana Fonseca -

Os valores de mercado das empresas públicas e privadas de tecnologia estão sofrendo correções. Mas, ao mesmo tempo, os fundos que investem no setor estão capitalizados e de olho nas oportunidades. Prova disso é a nova captação de recursos da Maya Capital.

A gestora de capital de risco liderada por Lara Lemann e Mônica Saggioro anunciou nesta quarta-feira (22) um novo fundo de US$ 100 milhões. Somando-se o primeiro fundo da Maya Capital, de US$ 41 milhões, a gestora administra agora US$ 141 milhões ao todo.

A Maya Capital investe em startups em estágio inicial pela América Latina, liderando rodadas pré-semente ou semente. O primeiro fundo investiu em 29 startups, e duas delas atingiram uma avaliação de mercado bilionária e ganharam o status de unicórnio: a foodtech chilena The Not Company e a empresa de e-commerce mexicana-brasileira Merama.

“Nossa tese continua a de liderar a primeira rodada dos melhores times da região, independente do setor de atuação”, afirma Lara Lemann, sócio da Maya Capital, ao Do Zero Ao Topo, marca de empreendedorismo do InfoMoney. Mônica, a outra sócia da Maya Capital, discorre sobre o que significa fazer parte desses melhores times. “Procuramos fundadores que sejam apaixonados pelos problemas e não pelas soluções. Que tenham garra e resiliência. E, por fim, que sejam ímãs de talentos.”

Em troca, a Maya Capital oferece investimento e conexões a talentos, a mercados e a novos investidores.

“Fazemos mapeamento, triagem e apresentação de talentos ao nosso portfólio, totalizando até o momento 400 mediações desse tipo. Também ajudamos a montar a estratégia comercial e abrimos nossa rede de contatos para apresentar a startup para potenciais clientes. Fizemos 250 apresentações comerciais. Um exemplo foi a conexão entre The Not Company e Starbucks. Por fim, estamos sempre ajudando os empreendedores a pensar em sua estratégia de fundraising [captação de recursos] e promovendo contatos. Fizemos cerca de 200 apresentações a investidores líderes ou estratégicos, locais e internacionais”, diz Lara.

Além de family offices e fundadores de grandes empresas de tecnologia, com seu segundo fundo a Maya Capital trouxe agora investidores institucionais. Apesar de a tese continuar a mesma, o fundo II tem bem mais capital a ser investido do que o fundo I. “O primeiro fundo foi importante para validar nossa atuação e ganharmos confiança de fundadores de startup. Os investidores deram mais um voto de confiança nesse segundo fundo”, afirma Mônica.

Lara completa que a gestora pode agora também definir mais os termos da rodada, e “chegar a uma participação mais relevante nesses negócios, justificando os esforços e tempos envolvidos”. O objetivo é investir os US$ 100 milhões em 25 a 30 startups, escopo similar ao do primeiro fundo.

A Maya Capital não abre a taxa de retorno do seu primeiro fundo, mas afirma que a performance está “duas vezes acima do benchmark”. Esse padrão é composto pelas análises da consultoria Cambridge Associates sobre o mercado de capital de risco, e por conhecimento do desempenho de outras gestoras na América Latina.

Captação robusta em momento de correção

Houve uma mudança de cenário brutal para as empresas de tecnologia entre 2021 e 2022. As techs conviviam com baixas taxas de juros e consumidores muito dispostos a experimentar produtos e serviços, um contexto que também atraiu investidores. Diversas gestoras anunciaram novos fundos entre 2020 e 2021.

Porém, o cerco apertou em 2022. Governos de diversos países aumentaram suas taxas de juros, inclusive o Brasil. A renda fixa passou a ser uma aplicação mais atrativa e segura para muitos investidores, ainda mais diante de instabilidades como o conflito entre Ucrânia e Rússia. Todos os outros ativos precisaram ser reprecificados, incluindo as empresas de tecnologia.

As sócias da Maya Capital reconhecem o momento de correção nos valuations das techs, mas afirmam que os fundamentos para criar negócios excepcionais ainda estão presentes na América Latina. “Temos problemas estruturais para serem resolvidos, empreendedores talentosos, fundos de renome capitalizados e oportunidades de saída [retorno sobre o investimento]. Continuamos em um bom momento para encontrar fundadores de startups”, diz Mônica.

“Somos otimistas, mas racionais. Reconhecemos que será um momento mais duro em termos de captação para os empreendedores, mas, ao mesmo tempo, estamos sempre investindo naqueles que são fora da curva. Nossa proposta de apoiar com captação de talentos e com captação de rodadas futuras entra como uma diminuição de risco para eles. Esses empreendedores continuarão existindo, e resolvendo problemas grandes da região. Independente de termos uma crise ou não, talentos e problemas não faltam na América Latina”, completa Lara.

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