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Pequenas empresas

Fintech brasileira capta mais de R$ 600 milhões para conquistar a conta das PMEs – e até a Tencent participou

Fintech fornece meios de pagamento e ferramentas de gestão para pequenos e médios negócios. Novo aporte servirá para lançar ofertas de crédito para PMEs

Leonardo Mendes e Igor Senra, da Cora (Divulgação)
Leonardo Mendes e Igor Senra, da Cora (Divulgação)

SÃO PAULO – O Brasil tem cerca de 12,7 milhões de microempreendedores individuais (MEIs) – e diversas startups estão de olho em atender essa fatia de clientes. A última startup do ramo a captar uma rodada ambiciosa, com investidores de peso, é a Cora. A fintech recebeu um investimento série B de mais de R$ 600 milhões (US$ 116 milhões) para se tornar o banco das pequenas empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano.

O investimento será usado para construir produtos de crédito, melhorar a operação e manter taxas de crescimento da Cora. O Do Zero Ao Topo, marca de empreendedorismo do InfoMoney, conversou com o cofundador Igor Senra sobre o mercado de finanças para PMEs e sobre os planos após a série B.

Ideia de negócio: banco das PMEs

A Cora começou a operar em outubro de 2020. A fintech foi criada pelos empreendedores Igor Senra e Leonardo Mendes. Os empreendedores já tinham experiência em serviços financeiros: eles fundaram a Moip, fintech de pagamentos vendida para a Wirecard em 2016.

Procurando serviços financeiros em mercados menos saturados, esbarraram no atendimento às PMEs. “A maioria das instituições financeiras têm produtos bancários genéricos, com pouca diferenciação entre as modalidades pessoa física e pessoa jurídica. Ouvimos diversos pequenos empreendedores para criar um produto focado nas necessidades deles”, diz Senra.

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A Cora fornece uma conta digital que permite receber e fazer pagamentos por boletos, transferências e Pix sem custos. Outras funcionalidades que surgiram a partir das conversas com empreendedores foram a automatização de e-mails de cobranças e um extrato que já projeta o fluxo de caixa do empreendedor para os próximos dias.

“Temos um painel simples com contas pagas e em atraso, assim como uma projeção de receitas que se torna mais precisa de acordo com o volume transacionado. Todas as funcionalidades têm como objetivo liberar tempo do dono do pequeno negócio, para que ele foque na atividade principal da empresa”, explica Senra.

A fintech se monetiza por meio do cartão de débito e crédito que fornece aos empreendedores – as adquirentes repassam uma comissão por cada compra feita pelo cartão à Cora.

A Cora atende mais de 140 mil pequenos negócios. “Já estávamos de olho em uma tendência de insatisfação das pequenas empresas com o serviço das instituições tradicionais. Mas nascemos durante a pandemia, em um contexto que reforçou a tendência de migração por meio da digitalização de diversos serviços financeiros”, diz Senra.

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A fintech tem crescido a uma taxa de 40% ao mês em número de clientes, enquanto as transações aumentam em 60% ao mês. “A primeira transação é sempre pequena, como uma forma de testar o serviço. Depois o empreendedor faz transações maiores. É natural que as transações cresçam mais do que a base de clientes.”

Novo investimento e expansão

A Cora havia captado um investimento semente de US$ 10 milhões e um série A de US$ 26,7 milhões. O série B de US$ 116 milhões veio apenas quatro meses após o série A. De acordo com a Cora, a rodada estava prevista apenas para 2022.

“Antecipamos porque vimos altos níveis de crescimento, engajamento e satisfação. Captar uma nova rodada agora nos permite ser mais ambiciosos e focarmos no negócio, e não em nos preparar novamente para levantar capital. Temos a oportunidade de dar dois passos de uma vez só”, diz Senra.

O investimento série B reuniu investidores antigos da Cora, como Greenoaks (fundo que investiu em startups como Brex, e Flipkart), Kaszek (Creditas, Nuvemshop), QED (Loft, Nubank) e Ribbit Capital (Coinbase, Nubank, Warren). Mas também trouxe novos aportadores, como o conglomerado chinês Tencent (Nubank, QuintoAndar) e o fundo americano Tiger Capital (Facebook, Uber).

A Cora usará os US$ 116 milhões para desenvolver novos produtos de crédito. Por exemplo, conceder antecipação de recebível e capital de giro e ampliar o cartão de crédito para toda a base de clientes. Em termos de operação, a fintech espera equilibrar taxas de crescimento com indicadores de bom atendimento. “O objetivo é que o empreendedor não precise entrar em contato conosco. Se precisar, devemos aprender para que ele não precise falar de novo. Os maiores motivos de contato num mês não devem aparecer no mês seguinte”, diz Senra.

O objetivo é crescer mais de 2,7 vezes neste semestre, passando para 380 mil clientes. Para 2022, a projeção é passar do primeiro milhão de pequenos empreendedores atendidos.

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