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CVC: colosso do turismo lucra R$ 318 milhões em 2018 - e vai atacar digital em 2019

Adepta bem-sucedida da omnicanalidade, a CVC pretende estudar o seu comportamento para estar presente em todas as fases da sua vida  

loja da CVC
(divulgação)

SÃO PAULO – A CVC divulgou nesta quinta-feira (21) o balanço financeiro referente ao quarto trimestre de 2018, completando o ciclo do ano. A gigante do turismo teve lucro líquido ajustado de R$ 318,7 milhões nos 12 meses, crescimento de 27,2% com relação a 2017.

Em reservas de viagens (que representam as vendas) o crescimento foi de 31,3% na comparação com 2017, totalizando R$ 3,7 bilhões. As vendas nas mesmas lojas (“SSS”) apresentaram crescimento de 6,3% no 4T18 e 6,1% no ano de 2018.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 196,5 milhões no trimestre e R$ 721,6 milhões em 2018, aumento de 14,9% e 21,6% em relação ao quarto trimestre de 2017 e  ao ano anterior, respectivamente.

Considerado parte importante da transformação rumo ao futuro, o canal online viu crescimento de 70% no ano e 114,5% no trimestre, e a empresa fez pelo menos duas contratações importantes nessa área, sendo um ex-Google. Segundo Luiz Fernando Fogaça, presidente da companhia, esta área já conta com 130 funcionários, e “está indo” para 180.

Fora isso, o CEO destaca no trimestre o crescimento da categoria de negócios dentro do portfólio. “No final do ano, as viagens de negócios cresceram em linha com o lazer, algo que não vinha acontecendo”, disse o executivo em entrevista exclusiva ao InfoMoney. De acordo com ele, isso é reflexo da retomada da confiança dos empresários – que tende a melhorar ainda mais nos próximos trimestres.

Ano novo, gestão nova

Com a troca recente da presidência (Fogaça assumiu em janeiro deste ano, após 8 meses de treinamento com o então CEO Luiz Eduardo Falco e passando por todas as áreas do negócio), a companhia pretende alçar voos mais altos, mas sem perder a essência.

“Estou na empresa há 9 anos, sempre como CFO, mas participando de todas as decisões estratégicas”, diz Fogaça. “Estamos bem alinhados, o Falco continua como presidente do conselho. Em gestão, vai haver pouca mudança”, diz, destacando a manutenção do foco no que dá certo.

Considerando o passado recente, é possível prever parte do futuro. Em 4 anos, a CVC comprou 8 empresas em diferentes segmentos do turismo e iniciou expansão na América Latina com duas aquisições na Argentina.

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Fogaça diz que o momento é de consolidação neste novo mercado, mas confirma a intenção de chegar em outros países da região. “É um plano com certeza [expandir]. “Obviamente primeiro vamos consolidar na Argentina, mas se aparecer uma oportunidade no meio do caminho a gente vai analisar com carinho”.

Outro dos dos grandes méritos da CVC, na visão de analistas, é a aplicação bem-sucedida do conceito de compras omnicanal, ou seja, quando uma mesma compra ou interação do consumidor utiliza mais de um canal (loja física, app e site, por exemplo). A companhia adiantou a intenção de investir cada vez mais na evolução desse conceito.

O futuro aos dados pertence

Para fazer decolar essa revolução no varejo, uma das armas essenciais será a análise de dados. E, com tantas empresas juntas, a CVC tem muitos deles. “Hoje estamos em uma fase de unificação da base de dados das empresas [do grupo]”, explica.

Cada uma das 7 empresas com presença no Brasil tem atualmente um sistema diferente. É necessário criar uma plataforma única para garantir a inteligência que identifique cada cliente individualmente. Mas o próximo passo já é utilizar a inteligência artificial para vender mais e melhor.

“Em paralelo, vamos criar o algoritmo. Criar uma experiência que nos ajude a predizer qual a melhor alternativa para cada cliente a partir da análise de dados”, confirma. Para isso, a CVC já começou a contratar engenheiros de dados e especialistas em análises de dados. A ideia é aproveitar as frentes disponíveis (turismo, intercâmbio e negócios) para participar de todas as fases da vida de seus clientes.

Vale lembrar, porém, que esse processo leva tempo. Os efeitos devem começar a dar as caras entre o final deste ano e o primeiro semestre de 2020, de acordo com Fogaça.

Queridinha dos gestores

A ação da CVC representa percentual importante das carteiras de dois dos melhores fundos de ações do Brasil nos últimos 3 anos, de acordo com o ranking Infomoney-Ibmec. Tanto o Neo Future, segundo colocado, quanto o Apex Infinity 8 Long Biased, medalha de bronze, têm a ação como uma das principais posições nas carteiras – no caso da Neo, vale lembrar, são apenas duas atualmente.

E o fundo campeão vê a ausência da empresa como um “arrependimento”. No evento de premiação dos melhores fundos do Brasil, o gestor Henrique Bredda, que toca o campeão Alaska Black, elogiou a CVC e disse lamentar não ter comprado o papel em momento oportuno para aproveitar a alta dentro do fundo.

Na carta mais recente aos investidores, a Apex resume por que gosta da empresa de viagens. “Acreditamos que o setor tenha uma tendência secular de forte crescimento, que deve ser potencializado pela melhora da economia e neste contexto a CVC ainda tem muito espaço para continuar ganhando market share”, diz a asset. “Cabe ressaltar também o grande potencial de ganhos no processo de digitalização”.

Para eles, a plataforma online é um destaque positivo, bem como as aquisições, a forma como a empresa lida com a jornada do consumidor e a eficiência de suas lojas físicas, mesmo com a concorrência digital. Por isso, o gestor Fábio Spinola classifica a empresa como uma "jabuticaba brasileira".

Já a Neo, que só investe em empresas que acompanha nos mínimos detalhes, enfatiza uma visão de longo prazo positiva. Para a gestora, a CVC seguirá sendo “líder em viagens, entregando uma plataforma que foque em todos os momentos de vida dos clientes”, conforme destacado em carta exclusiva aos cotistas do fundo.

Papel

À espera do resultado, a ação CVCB3 subiu 1,03% nesta quinta-feira, acima do Ibovespa (0,40%). Foi uma alta expressiva em um início de ano em que praticamente andou de lado: a alta acumulada para 2019 é de 0,80% até agora.

Para Fogaça, a falta de empolgação em janeiro e fevereiro vem de uma visão errônea de que o setor de turismo tem grande correlação com o crescimento da economia como um todo. “Já provamos que isso é errado. Em 2015 o PIB caiu 4% e nós crescemos 12%”, comenta.

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