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EXCLUSIVO: Independente e lucrativa, CSU fará dois anúncios importantes em março

InfoMoney conversou com exclusividade com os diretores da empresa nesta sexta, logo após a divulgação dos resultados de 2016; empresa chegou a triplicar de valor na Bolsa de novembro pra cá

CSU - Ricardo Leite e Renata Oliva
(Divulgação)

SÃO PAULO - De uma pequena pouquíssimo comentada e negociada na Bovespa para uma das grandes estrelas desde começo de 2017: a ascensão meteórica de quase 200% em 2 meses das ações da CSU CardSystem (CARD3) pegou muita gente de surpresa e deixou uma interrogação enorme na cabeça de muitos investidores. Mas a partir desta sexta-feira (10), essa dúvida pode começar a ser mais esclarecida, já que a prestadora de serviços de tecnologia divulgou os resultados de 2016 e, consequentemente, saiu do período de silêncio.

O InfoMoney conversou com exclusividade na manhã desta sexta com dois diretores da CSU: Renata Oliva (diretora de relações com investidores) e Ricardo Ribeiro Leite (CFO, ou Chief Financial Officer). Eles exaltaram o "turnaround" operacional que a companhia vem passando nos últimos e que ficou evidente no último semestre de 2016, com a empresa entregando sólidos resultados operacionais mesmo com a perda de um cliente importante no período, consequência da ampliação da atuação da empresa nos 4 principais segmentos - CSU CardSystem, CSU MarketSystem, CSU Contact e CSU ITS -, explica Renata. Como consequência, as ações têm tido muito mais procura na Bovespa, provocando um forte aumento no volume e nos preços - influenciado ainda pela forte distribuição de proventos anunciado pela empresa ao final de 2016.

Para 2017, o otimismo é mantido. O CFO revelou ainda ainda que dois anúncios relevantes deverão ser feitos pelo segmento CSU ContactCenter em março: a implementação de um cliente atual relevante e um novo contrato com um grande cliente, que está em fase de fechamento. "São operações que têm relevância na base instalada e mostra uma reversão da perda de 'tamanho' em 2016", disse o diretor, referindo-se ao término das operações de adquirência do Banrisul (BRSR6), que aconteceu em junho mas continuou afetando negativamente os indicadores operacionais da companhia. 

Às 11h55 (horário de Brasília), as ações da CardSystem recuavam 1,48%, a R$ 11,33, após chegarem a subir 11,30% na máxima do dia. Em 2017, a alta chega a 131,22%.

Efeito Banrisul ofuscado pela eficiência
Líder no mercado brasileiro de prestação de serviços de alta tecnologia voltados ao consumo, relacionamento com clientes, processamento e transações eletrônicas, a CSU fechou o 4º trimestre de 2016 com receita líquida de R$ 123,7 milhões, número 2,8% menor que o visto no mesmo período de 2015. Já o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 10% na mesma base comparativa, para R$ 21,8 milhões, enquanto o lucro líquido saltou 48,1%, para R$ 11 milhões - em 2016, o lucro acumulado foi de R$ 34,9 milhões, alta de 83,6% ante 2015.

Segundo explicou Leite, o 4º trimestre já costuma ser mais forte para a CSU por conta de uma sazonalidade específica, que é a declaração de JCP (Juros sobre Capital Próprio), que determina um benefício fiscal que impacta a última linha do resultado da empresa - ou seja, a comparação entre o 3ºe o 4º trimestre fica defasada. Contudo, pela forte expansão de 48% em relação aos últimos três meses de 2015, fica evidente a evolução estrutural do resultado, exalta o CFO. Dentre os pontos positivos relatados por ele estão o fortalecimento das 4 diferentes áreas de negócios da CSU - o que tem mitigado a dependência operacional da empresa - e também a boa performance do carro-chefe da empresa, que é a área de pagamentos.

"Mesmo com a saída do Banrisul em junho, o resultado entregue ofuscou esse efeito", disse Leite. A partir de 1º de julho de 2016, o banco estatal do Rio Grande do Sul decidiu  ele mesmo prestar serviço de adquirência - o serviço de emissores continua sendo prestado pela CSU, mas o restante ficou com o Banrisul. Contudo, mesmo com uma redução de resultado pela saída de um cliente importante. Contudo, a agilidade da companhia em se mobilizar e a política de redução de custos e despesas ofuscaram esse efeito e fizeram a empresa se equilibrar, explicam os diretores.

Desalavancagem nos deixou até "inadequados"
A dívida líquida da CSU fechou 2016 em R$ 45 milhões, queda de 6,4% ante 2015. Com o crescimento de 30% do Ebitda anual no mesmo período, a relação "Dívida Líquida/Ebitda" da empresa caiu de 0,7x para 0,5x, número que ficou até "inadequado" para a estrutura de capital da companhia, explica o CFO. "Estávamos com uma alavancagem muito boa, agora ela está inadequada, está muito baixa". Esse foi um dos motivos para o forte investimento feito pela empresa nos últimos três meses do ano - o capex (investimentos em bens de capital) duplicou tanto na comparação entre os 4º trimestres quanto no acumulado em 12 entre 2015 e 2016. "Aproveitamos a geração de caixa operacional e redução da alavancagem financeira para acelerar o implemento de capex estratégicos", complementa.

Um investimento foi feito na unidade CardSystem, referente à contratação de novos elementos e características à plataforma de pagamentos. "Passamos a ter muito mais condições favoráveis em termos de processamento de cartões. Aproveitamos esse momento para fazer uma negociação e foi bastante satisfatório este investimento”, explica.

Liquidez, dividendos e alta das ações: a lua de mel com a Bolsa continuará?
No começo de março, as ações da CSU CardSystem chegaram a valer R$ 14,50, valor 270% superior aos quase R$ 3,80 que elas valiam em novembro do ano passado - 12 meses atrás, CARD3 era cotada a R$ 2,30 a unidade na Bolsa -, conseguindo dessa forma cada vez mais "enterrar" um passado difícil na Bovespa. Entre o IPO (Oferta Pública Inicial), em maio de 2006, e março de 2014, a empresa acumulou mais de 90% de perda de valor de mercado. Duas perdas de clientes importantes marcantes essa época sombria: a Caixa Econômica Federal em 2006 e o HSBC em 2013. Embora o Banrisul seja bem menor que os outros dois bancos, a resiliência apresentada pela CSU em 2016 mostra que a dependência de um determinado cliente em seus resultados operacionais pode ter ficado para trás.

Além do "turnaround" operacional, outros dois eventos que aconteceram em 2016 ajudaram a companhia a entrar nesta lua de mel com o mercado. O primeiro foi a saída de um grande investidor da sua composição acionária, a SulAmérica Investimentos, que chegou a deter 17% das ações da empresa mas foi diminuindo consideravelmente essa quantia, tendo anunciado em fevereiro que passou a deter menos de 5% das CARD3 disponíveis no mercado - o que lhe tira a obrigação de comunicar a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) sobre movimentos feitos com ações da companhia. Embora a saída de um investidor grande possa trazer uma pressão vendedora nas ações, no caso da CSU o efeito foi o oposto: a empresa passou a ter mais papéis disponíveis. "A saída deste investidor possibilitou aumentar a liquidez do papel em Bolsa", disse Leite.

Explicando em números: a ação CARD3 fechou 2016 com tendo um giro médio diário pouco abaixo de R$ 500 mil na Bolsa (cálculo feito com base nos 21 pregões anteriores). Em fevereiro, esse número saltou para R$ 5 milhões, e hoje já chega na casa dos R$ 10 milhões/dia em média. Nos 4 dias desta semana, o giro financeiro da ação ficou entre R$ 24 e R$ 30 milhões em todas as sessões.

O segundo evento foi a distribuição de proventos: em 21 de dezembro, a CSU anunciou um JCP na casa dos R$ 0,30 por ação, o que representava um "yield" (valor do provento/preço da ação) de quase 10% - de lá pra cá, a empresa chegou a triplicar de valor na Bolsa. Complementar a CSU, os diretores contaram que o conselho de administração aprovou uma proposta de dividendos complementares para que seja atingido um "dividend payout" (percentual do lucro líquido que será distribuído em dividendos) de 40% em 2016 - os acionistas votarão essa proposta em abril.

"É importante esse momento novo de relação que a empresa está tendo com o mercado de capitais desde 2016. Nossa liquidez aumentou bastante e anunciamos uma alta remuneração aos acionistas, o que tem nos ajudado a ter uma forte valorização nas ações", disse o CFO. Além dos investidores, muitos analistas de investimentos têm procurado a empresa nos últimos dois anos, o que ajuda a popularizar a ação aos investidores.

"2016 não marcou um fim do ciclo. Temos tudo para acreditar que teremos crescimento em 2017", disse Leite. A empresa fará um call com o mercado às 11h (horário de Brasília).

 

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