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CSN vai recomprar 10% das ações em 1 mês; o que há por trás do anúncio?

A siderúrgica informou na última quinta-feira que aprovou a recompra de 70,2 milhões de ações, o que equivale a 11 dias de negociação das ações da empresa na Bolsa

SÃO PAULO - A CSN (CSNA3) informou na véspera que seu conselho de administração aprovou um agressivo programa de recompra de ações. A siderúrgica vai recomprar o equivalente a 11 dias de negociação das ações da empresa na Bolsa em apenas um mês. O programa envolverá a recompra de 70.205.661 ações, o representa 10% dos papéis em circulação em mercado. O anúncio intrigou o mercado, justamente pelo tamanho e rapidez do programa. Normalmente, essas recompras têm prazo de um ano. Diante disso, começaram a pipocar especulações do que poderia haver por trás disso. 

Segundo a equipe de análise da XP Investimentos, o programa é bem agressivo e sendo em um mês gera ainda mais incertezas. Poderia ser uma resolução favorável no imbróglio referente a Namisa?, questionam. 

A CSN tenta há anos convencer seus sócios na Namisa - que incluem Itochu, JFE, Posco, Kobe Steel - a unificar a mineradora com a mina Casa de Pedra. Em conferência sobre os resultados, a siderúrgica comentou que iria unir ativos de mineração, embora não tivesse uma definição do quadro. Sem um acordo, no entanto, a CSN seria obrigada a pagar US$ 3 bilhões referentes a participação de 40% da Namisa, que atualmente está nas mãos do consórcio e desfazer a parcela de 5 anos. 

A CSN vendeu a participação em 2008, mas oferecendo uma put (opção de venda) que poderia ser usada caso fossem descumpridas algumas obrigações. O prazo da put, contudo, se encerrou em julho de 2013, mas vem sendo postergado. 

Recompra pode "estabilizar" ações da CSN
Além das especulações do que estaria por trás do programa, a Planner Corretora comentou em relatório que a recompra poderia "estabilizar" as ações da CSN, que estão sob forte pressão. Nesta sessão, os papéis da companhia registravam às 11h26 (horário de Brasília) ganhos de 11,86%, sendo cotados a R$ 9,62 - liderando a ponta positiva do Ibovespa.

Em 2014, no entanto, os papéis acumulam uma queda de 33,10%, que foi acentuada depois da divulgação do resultado do quarto trimestre, no dia 28 de fevereiro. Entre os meses de outubro e dezembro, a empresa teve prejuízo de R$ 487 milhões, em função da adesão do Refis, que impactou o resultado em R$ 937 milhões. 

 

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