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Os 2 "detalhes" que explicam a derrocada de 30% das ações da CPFL mesmo com a OPA concluída

Diferentemente do que ocorre quando uma ação é alvo de OPA, as ações da CPFL desabaram na bolsa nos últimos pregões, atingindo ontem seu pior patamar no mercado desde junho de 2016

CPFL Energia 04 - Sede Campinas 03
(Divulgação CPFL Energia)

SÃO PAULO - Normalmente, quando uma empresa listada na bolsa é alvo de OPA (Oferta Pública de Aquisição), suas ações perdem totalmente a volatilidade e passam a ser negociadas a cotações bem próximas do preço oferecido pelo comprador, mantendo-se dessa forma até a conclusão da Oferta. Mas não foi bem isso que aconteceu com a OPA da CPFL Energia (CPFE3).

Em julho do ano passado, a chinesa State Grid anunciou uma OPA para tomar o controle da CPFL, que antes era controlada pela dividido entre Camargo Correa e os fundos de pensão Previ, Fundação Cesp, Sabesprev, Sistel e Petros. A oferta foi concluída na última quinta-feira (31 de novembro) ao preço de R$ 27,69. No entanto, as ações CPFE3, que operavam praticamente sem volatilidade e acima de R$ 27 desde setembro, despencaram cerca de 30% nos últimos 4 pregões, com a queda mais derradeira na própria quinta-feira, quando chegaram a afundar 24% no pior momento do dia (quando bateram R$ 19,15), mas fecharam com queda de 17%, a R$ 20,99.

Mas como uma ação que foi comprada por um investidor a R$ 27,69 fechou o dia a R$ 20,99? Dois pequenos detalhes podem explicar essa anomalia. O primeiro: a OPA era por alienação de controle acionário e não necessariamente resultaria em fechamento de capital da empresa (que é quando o comprador precisa levar 100% das ações existentes). Nesse caso, o acionista detentor de CPFE3 precisa manifestar sua intenção de participar da oferta. Quem não o fez seguiu com a ação em carteira, só que a partir de agora terá um ativo com menor liquidez na bolsa - já que a oferta foi concluída e a State Grid passou a deter 94,8% dos papéis da CPFL. A empresa, que possuía 461,7 milhões ações em circulação em mercado, agora passa a ter em “free float” de 53,3 milhões.

O segundo motivo que explica essa distorção está em outro detalhe da oferta: apenas poderiam aderir à OPA os acionistas que tinham as ações em custódia até quinta-feira, e como a data de liquidação na B3 é de três dias úteis, esse investidor precisaria ter comprado a ação até a última segunda-feira (27). A suspeita que esse detalhe pode ter passado desapercebido está no forte volume financeiro de CPFE3 nos dias 28 e 29 de novembro, que somou R$ 62 milhões nos dois pregões.

Muitos acionistas devem ter se distraído com o tempo necessário para liquidação das ações no mercado, provocando uma correria nos últimos dias, já que poucos estavam dispostos a ficar com um papel que perdeu boa parte de sua liquidez na Bolsa, explicou um operador do mercado ao InfoMoney. Por isso, vimos uma queda tão abrupta, disse um gestor de mercado que pediu anonimato.

Como não bastasse toda a movimentação incomum no mercado que envolveu essa OPA, presenciamos uma força compradora nos minutos finais provocada por uma notícia do Terminal Bloomberg que dizia, citando a B3, que a OPA da CPFL teria sido cancelada - a própria B3 disse que a notícia estava errada e explicou que a OPA ocorreu normalmente, o que aconteceu foi um cancelamento de um lote negociado no mercado à vista e que não tinha relação com a oferta.

Mas entre o “pisca” da Bloomberg e a explicação da B3, as ações CPFE3 saltaram 7,7% no leilão de fechamento - o que explica porque os papéis fecharam acima da mínima do dia.

Nesta sexta-feira, as ações da CPFL operam em alta de 1,43%, a R$ 21,29 (cotação das 11h15, horário de Brasília). Curiosamente, elas estão sendo cotadas bem próximas dos patamares vistos em junho de 2016, antes do anúncio da OPA da State Grid.

Veja abaixo dois gráficos que mostram o desempenho recente da ação CPFE3:

O suspiro nos minutos finais de pregão

A derrocada dos últimos 4 dias

 

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