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Empreendedorismo no Brasil: universidades entram em cena para impulsionar a inovação

Exemplos bem-sucedidos inspiram universitários a empreender

Foi em 1996 que dois alunos da Universidade de Stanford desenvolveram uma ferramenta de busca na web cujos resultados seriam ordenados por relevância. Essa iniciativa era parte de um projeto de pesquisa e marcou o pontapé inicial de uma solução que, em pouco tempo, passaria a dominar a internet até os dias de hoje. Dois anos depois, essa ideia evoluiu e Larry Page e Sergey Brin fundaram o Google, que se transformaria no maior mecanismo de buscas e uma das empresas mais valiosas do mundo.

Esse é apenas um dos inúmeros casos de sucesso na ligação entre o ensino acadêmico e o empreendedorismo nos EUA. No Brasil, a realidade é bem diferente: quando comparado ao cenário internacional, ainda são muito raros os exemplos de sucesso nessa área.

Um estudo de 2016, elaborado pelo Sebrae, em parceria com a Endeavor, mostrou que 25% dos alunos querem abrir um negócio próprio, mas apenas 6% deles de fato seguem esses planos. Uma das explicações apresentadas é de que as universidades brasileiras estão desconectadas do mercado. Afinal, 46% dos professores nunca tiveram experiência com empreendedorismo, e entre os que se dizem empreendedores mais da metade atua apenas com consultoria.

Mais do que isso, até mesmo entre aqueles alunos que colocam a mão na massa e montam suas empresas, as ambições não costumam ser das mais audaciosas: cerca de 70% de todos os produtos e serviços criados pelos universitários empreendedores já existiam no mercado nacional. Quando a comparação é com o mercado global, nenhum deles apresentou novidades. A pesquisa foi feita com 2.230 alunos e 680 professores de mais de 70 instituições de ensino em todas as regiões do país.

Esses dados e informações, no entanto, não significam que experiências bem-sucedidas não existam no Brasil – elas são limitadas a algumas unidades, mas dão sinais de crescimento. No Rio Grande do Sul, a Unisinos, por exemplo, montou uma grade curricular em que as disciplinas de empreendedorismo são transversais a praticamente todos os cursos, e ainda conta com um parque tecnológico inserido dentro do campus.

“A universidade tem trabalhado para fomentar essa visão de que precisamos ter mais empreendedores”, explica Sandro Cortezia, professor de graduação e pós-graduação com foco em disciplinas de empreendedorismo na Unisinos e fundador da aceleradora de startups Ventiur.

A aceleradora está sediada no Tecnosinos, parque tecnológico montado junto à Unisinos. O modelo de parceria do parque é conhecido como “Tríplice Hélice”, contando com o apoio do setor público, privado e a academia – a Prefeitura Municipal de São Leopoldo, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de São Leopoldo e a Unisinos, respectivamente.  “Particularmente, sempre acreditei muito nessa conexão da universidade com o parque tecnológico, e estamos sediados aqui para identificar melhor as startups com maior potencial de inovação”, afirma.

1Bem
1Bem/Divulgação

Essa relação já tem rendido frutos. Uma das empresas incubadas por alunos da Unisinos é a 1Bem, focada em ações de filantropia. Três ex-alunos da universidade – Fernando Potrick (jornalista, à esquerda na foto), Felipe Techio (publicitário, centro) e Bernardo Krebs (administrador, à direita na foto) – preparam para os próximos meses o lançamento de uma plataforma para conectar ídolos nos campos do esporte, música e entretenimento aos fãs por meio de doações.

O projeto começou a ser desenvolvido em 2014, e ganhou novo fôlego após ser incubado na universidade, em março do ano passado, quando também recebeu a consultoria de Cortezia. “Esse cruzamento do mundo empresarial com o acadêmico é muito bacana, nos ajudou a organizar a nossa empresa e a desenvolver estudos de mercado, o mapeamento estratégico e o plano de negócio”, afirma Krebs. O ex-aluno da Unisinos explica que sempre teve espírito empreendedor, mas que foi no ambiente universitário que ele se desenvolveu com mais força.

Cortezia diz que essa conexão entre alunos e empreendedores representa um novo movimento no modo como a sociedade e as relações de trabalho estão inseridas. Para ele, é cada vez mais urgente que os profissionais estejam preparados para lidar com um ambiente em que ser empreendedor é fundamental, seja criando uma empresa ou novos projetos dentro de companhias já estabelecidas.

“Man on demand”

Aquele cenário de grandes empresas com quadros inflados de funcionários está mudando rapidamente. Elas têm que ser mais eficientes: fazer mais com menos recursos. O professor conta que a característica mais importante para desenvolver ideias e negócios é a atitude. “O que vai fazer a diferença não é necessariamente o conhecimento, mas a atitude que cada um tem para agir de forma diferente. O empreendedor é um fazedor, é alguém que arregaça as mangas e faz”, afirma.

Paralelamente a isso, o mundo dos negócios caminha para um conceito conhecido como “man on demand”. Esse termo faz menção a pequenas startups que oferecem serviços especializados para as empresas. “A tendência é de profissionais autônomos, independentes”, complementa Cortezia, lembrando que cabe à universidade despertar e desenvolver esse perfil.

Essa preocupação não é uma exclusividade dos graduandos, mas cada vez mais se apresenta como necessidade para quem está formado e atuando no mercado de trabalho. Cortezia explica que, em suas aulas de gestão na pós-graduação, há muitos profissionais insatisfeitos com suas trajetórias profissionais e que buscam na universidade os conhecimentos e as conexões para se reciclar e se reposicionar.

Por fim, o professor e empreendedor da Ventiur, aceleradora que conta com quase 50 investidores, explica os critérios que utiliza quando decide acelerar uma startup. “O item que olhamos com mais atenção é a capacidade empreendedora, ou seja, o time que compõe essa startup.” Isso significa que não é preciso ter uma mente brilhante, mas sim contar com uma equipe que, de modo conjunto, consiga entender e desenvolver a ideia.

O CEO da Ventiur busca times que possuam pelo menos três profissionais que se complementem, sendo basicamente um nome mais técnico para desenvolver a tecnologia, outro com uma visão voltada para vendas, e mais um que tenha uma perspectiva de gestão.

Pela ótica do aluno, Krebs compartilha sua dica para quem quer crescer como empreendedor, seja criando uma empresa ou dentro de sua própria carreira: “é fundamental a questão do autoconhecimento; quando temos uma boa ideia não podemos ter medo de questionar. No universo empreendedor descobrimos que não há idade ou experiência que ditem regras”, conclui.

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