Vejo investimentos. O tempo todo

Ao investir na academia que está na esquina da sua casa, fica bem mais fácil de entender no que você está investindo do que quando a Bolsa era formada basicamente por Petrobras, Vale, Gerdau e grandes bancos

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Mercado – ações (Foto: Getty Images)

A análise de uma ação é até bem parecida com o pensamento que você tem quando passa pela barraca de água de coco do lado do parque e ela está cheia de pessoas correndo querendo se hidratar após a corrida no domingo ensolarado.

Quando você se pergunta “Quanto será que esse cara fatura? E no inverno? Será que faz dinheiro para o ano todo?”, está se fazendo questões básicas e bem parecidas com os principais pontos analisados em qualquer tese de investimento.

A diferença é que investir na barraca de água de coco pode ser menos líquido que colocar dinheiro em ações. Ou seja, se você quiser deixar de ser sócio da barraca, talvez seja mais difícil.

Esse pensamento se repete em minha cabeça várias vezes ao longo do dia: “Quanto será que fatura?”; “Mas será que esse negócio se paga?”; “Seria um bom investimento?”. O ponto positivo de ter esses pensamentos em 2021 é que grande parte das marcas e empresas que estão por trás dos produtos e serviços que consumimos estão listadas na Bolsa de Valores.

Ou seja, meus questionamentos podem de fato se concretizar em investimentos através da compra e venda de ações. Importante dizer que não foi sempre assim, ainda mais no Brasil.

Nosso mercado de ações está em desenvolvimento. Qualquer semelhança com o termo usado para descrever a classe de países que o Brasil se encontra não é mera coincidência.

Começamos os anos 1990 com um número próximo a 100 ações listadas na Bolsa de Valores, ou seja, o investidor daquela época tinha aproximadamente 100 alternativas para alocar dinheiro quando olhava para o mercado acionário brasileiro. Entramos nos anos 2000 beirando as 250. Hoje, são mais de 550 ações* listadas na B3.

Em termos práticos, isso quer dizer que, entre você tomar o seu suco da manhã, que tem grandes chances de ser da Ambev (listada na bolsa como ABEV3), malhar na SmartFit (recém chegada na bolsa como SMTF3), se vestir para trabalhar — podendo ser desde uma camiseta Hering básica (negociada na bolsa com o código HGTX3) a um salto alto da Arezzo (ação ARZZ3) —, entrar no seu carro abastecido com combustível da Petrobras (a famosa PETR4) e chegar no trabalho, você deve ter consumido os produtos ou serviços de pelo menos dez empresas negociadas na Bolsa de Valores.

Fora da lista, ficaram empresas de energia, saneamento, infraestrutura, comunicação e outros serviços básicos que estão presentes no dia a dia de todos.

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Mas o movimento que quero mostrar neste artigo é justamente a chegada de novas ações na Bolsa.

Vimos recentemente diferentes negócios que passaram a ter suas ações negociadas, colocando na Bolsa setores que até então não estavam presentes na B3. Isso possibilita ao investidor ter cada vez mais alternativas.

Só neste ano, foram mais de 30 IPOs (Initial Public Offering), ou seja, mais de 30 empresas chegaram à Bolsa para que suas ações pudessem ser negociadas por qualquer pessoa.

Esse movimento também aproxima a Bolsa de Valores do brasileiro. A nossa B3 é hoje composta de diferentes empresas, que todos conhecem e consomem, que gostam das marcas e sabem o que fazem.

Diferente de como era nos anos 1990, quando o investidor tinha pouco menos de 100 alternativas, sendo a maioria ações de empresas que pouco se conectavam no dia a dia de consumo.

Vamos combinar que, ao investir na academia que está na esquina da sua casa, como a SmartFit, fica bem tangível e fácil de entender no que você está investindo do que quando a Bolsa era formada basicamente por Petrobras, Vale, Gerdau e grandes bancos.

Logo, quando me vem à cabeça os questionamentos “Será que esse negócio é rentável?” ou “Será que essa marca é um bom investimento?”, sobre produtos e serviços que estão no meu cotidiano e são negociados na Bolsa de Valores, eles já criam uma curiosidade natural de olhar o desempenho da ação.

Essas perguntas que surgem na nossa cabeça podem ser ótimos pontos de partida para analisarmos as ações de empresas que temos curiosidade em saber o resultado financeiro e, inclusive, se concretizar em um investimento em ações.

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Cheguei à conclusão de que, sim, eu vejo investimentos. O tempo todo.

*fonte: Economática

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Pietra Guerra

Pietra Guerra é especialista em ações da Clear Corretora. Antes disso, trabalhou no Itaú BBA, na asset do banco francês BNP Paribas, no Bank of America Merrill Lynch e na trading de commodities Olam International Limited. É formada em administração de empresas pela Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP) e tem especialização no mercado financeiro pela Saint Paul Escola de Negócios