Como tirar proveito de nosso perfil comportamental no mercado

Definimos uma pessoa por seu padrão de comportamento apresentado. Nossas atitudes definem nossa característica marcante, inclusive no mercado financeiro

Danuza Machado

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

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Padrão de comportamento: já parou para pensar que, sem perceber, tiramos conclusões baseadas nele? Quem nunca qualificou uma pessoa por suas atitudes: “Pedro é exigente, Marta é indisciplinada, Felipe é rude demais”. Isso nada mais é que identificar algumas atitudes frequentes em certas pessoas e tentar enquadra-las num adjetivo que as representa.

Pois é, definimos uma pessoa por seu padrão de comportamento apresentado. Nossas atitudes definem nossa característica marcante, inclusive no mercado financeiro.

Podemos tirar proveito disso para sermos mais assertivos no mercado financeiro. Como? Primeiro porque interpretamos o mercado mediante padrões de comportamentos que ele segue (análise gráfica, TR, entre outros) e, segundo, porque podemos identificar nossas próprias atitudes diante do padrão apresentado pelo mercado (“sempre que levo stop quero me vingar do mercado”, por exemplo).

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Em complemento, pesquisas mostram que o número de CPFs na Bolsa tem crescido consideravelmente. A B3 e a Anbima traçaram padrões de comportamentos dos novos CPFs e, sendo assim, sobre a perspectiva emocional, pode-se utilizar essa pesquisa como suporte interessante na tentativa de entender e, consequentemente, evitar atitudes arriscadas nas negociações.

O objetivo aqui é atuar preventivamente, utilizando as vantagens do autoconhecimento, ou seja, identificar o perfil (ou padrão de comportamento) para se antecipar ao risco aceito e adotado por cada perfil em suas negociações.

Basicamente, o número de CPFs cresceu desde 2019/2020 e uma das razões foi a pandemia. Existem mais pessoas se interessando por investimentos e negociações financeiras.

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No entanto, esse interesse não é algo fundamentado porque não temos a cultura do investimento e da negociação no Brasil. Prova disso é que 45% dos brasileiros não faz controle financeiro algum, se utilizando apenas da memória para futuras negociações.

Segundo a B3, em outubro de 2022, deu-se o recorde histórico de CPFs inscritos, em torno de 4 milhões. Fator relevante, o aumento de CPFs inscritos não é proporcional ao valor patrimonial destinado às negociações. Desde 2019, o valor destinado aos investimentos tem diminuído.

Outra novidade é a faixa etária desses investidores, que vai em média de 25 a 36 anos. Eles representam 32% do total de investidores.  A segunda faixa etária que mais investe é de 26 a 45 anos, que representa cerca de 27% dos investidores.

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Basicamente, as razões para entrar no mercado financeiro são sempre as mesmas: guardar dinheiro, realizar sonhos, buscar qualidade de vida.

Dito isso, o capital destinado às negociações, alinhado à faixa etária e cultura do investidor, podem influenciar a tomada de decisão. Vamos ver como isso ocorre?

Na prática, perceber como os perfis funcionam diante do mercado financeiro permite sugerir técnicas de autocontrole para minimizar fatores de risco. Exemplo disso é que muitos traders e investidores vêm para o mercado financeiro querendo maior liberdade e qualidade de vida.

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No entanto, quando chegam no mercado financeiro, no tempo livre que têm, permanecem na frente da tela jogando fora o dinheiro que conquistaram em negociações anteriores.

Somente para fins didáticos, vamos considerar três perfis, cujos nomes foram adaptados aos nomes da pesquisa Anbima: Planejadores, Camaleões e Sonhadores.

Independentemente do tipo de perfil, temos que entender, à princípio, que todos eles agem sob crenças culturais. Portanto, o relacionamento com o dinheiro sempre é reflexo das relações pessoais e percepção de mundo.

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Perfis planejadores tendem a ser voltados a construção de patrimônios, valorizam cada ganho e cada retirada que fazem no mercado. Isso parece muito bom. É um perfil que tem características de autocontrole e de disciplina. Ou seja, dificilmente irá arriscar mais do que pode em suas negociações.

Geralmente suas análises estão pautadas em probabilidades, possibilidades e estatísticas. No entanto, podem ser muito competitivos em suas negociações. Esse padrão poderá estimular seu gosto por desafios, levando-os a estabelecerem metas acima das suas possibilidades quando sentirem-se desafiados.

Perfis camaleões, apesar da boa adaptabilidade que garante uma tomada de decisão mais rápida quando as circunstâncias mudam de repente, podem ser perigosos por terem propensão à gastos excessivos.

São investidores que preferem viver uma vida mais prazerosa a uma vida equilibrada. A crença que pode incorrer em risco para esse perfil é de expectativa muito elevada, acima da realidade, a qual poderá nutrir a tomada de decisão desse negociador. Seus objetivos são mais ideais que práticos.

Perfis sonhadores adoram adrenalina, viver fortes e intensas emoções. No mercado financeiro, podem ser dotados de extremo otimismo, autoconfiança e imediatismo. Estão sempre em busca de novos investimentos e novas oportunidades.

A motivação desse perfil é viver a sensação de grandiosidade e o desejo de reconhecimento o que implica na possibilidade de tomar atitudes infundadas para atingir (ou manter) um padrão financeiro elevado. É movido por sua paixão à grandiosidade.

Outro risco deste perfil é a crença de que, na maioria das vezes, não é responsável pelos problemas e erros que acometem suas negociações. Há sempre um fator alheio a sua vontade que o leva a situações desgastantes ou destruidoras.

Enfim, é claro que a intenção desse texto não é incentivar o negociador a deixar de investir, nem criar rótulos ou estigmas. Para tanto, é fundamental entender que cada perfil não se trata de uma análise diagnóstica e sim estratégia didática para identificação e alerta para os riscos que podem ser diminuídos ou evitados quando olhamos para padrões comportamentais adotados nas negociações.

Bons negócios!

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Danuza Machado

Psicóloga há 25 anos e trader há quase 10 anos. Já trabalhou como Oficial Psicóloga nas Forças Armadas no Controle Emocional para Pilotos do Exército Brasileiro, também como facilitadora no processo de Desenvolvimento de Comportamentos Empreendedores para Empresários no SEBRAE-SP