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Fibria x Suzano: quem tem mais a ganhar com uma possível compra da Eldorado?

As especulações sobre a consolidação do setor de papel e celulose voltaram à cena por conta do "leilão" da Eldorado Brasil

SÃO PAULO – Ano vai, ano vem, sempre circula pelo mercado rumor (ou sugestão) de fusão entre Fibria (FIBR3) e Suzano (SUZB5), o que criaria uma das maiores produtoras de celulose do mundo e com sinergia de R$ 9 bilhões, segundo relatório publicado pelo Bank of America Merrill Lynch em janeiro do ano passado. Em 2017, a consolidação do setor voltou à cena, mas, desta vez, os rumores apontam para uma disputa entre as empresas pela Eldorado Brasil. 

Os negócios das empresa estão concentrados no Mato Grosso do Sul e atualmente fabrica cerca de 2 milhões de toneladas de celulose por ano, segundo informações da própria fabricante. Porém, não é essa produtividade que atraiu Fibria e Suzano, mas sim um “leilão” da Eldorado Brasil por conta de todos os escândalos envolvendo a JBS (JBBS3).

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Isso por que, a fabricante de celulose é controlada justamente pela J&F Investimentos, holding financeira do grupo JBS que, segundo os rumores de mercado, está buscando bancos para vender as empresas Alpargatas, Vigor e a Eldorado. A expectativa é que todo o recurso levantado seja direcionado para honrar os acordos feitos com a Justiça após as delações dos irmãos Batista, além de outras pendências em aberto.

Quem tem mais a ganhar?

Com tudo isso em jogo, analistas e investidores começaram a especular quem ganharia mais com a compra da Eldorado – Fibria ou Suzano? Para Thiago Lofiego, analista do Bradesco, a Fibria “não deveria perder essa oportunidade”, mesmo que ocorra um aumento nos níveis de alavancagem, que é uma preocupação corrente entre as empresas do setor.

Entre as duas, Suzano tem uma posição de caixa mais confortável, já que a relação entre dívida Líquida e Ebitda (um dos principais múltiplos de endividamento acompanhado pelo mercado) negocia a 2,8 vezes, enquanto seu par em bolsa opera a 3,6 vezes. Sobre o múltiplo, quanto menor, maior a probabilidade da empresa conseguir honrar suas dívidas.

Levando em conta o cenário de compra pela Fibria, o analista do banco calcula que a fusão irá gerar sinergias entre R$ 4 bilhões a R$ 6 bilhões, algo bastante relevante, pois a última estimativa representa 30% do valor de mercado de FIBR3. Se a compra fosse pela Suzano, inicialmente a sinergia seria de R$ 1 – 2 bilhões, ou seja, de 6% a 12% do capital de SUZB5.

No caso da Suzano, as sinergias poderiam ser muito maiores em um estágio posterior, afirma o analista, mas a empresa teria que entrar em um acordo de troca de ativos com a Fibria, entregando a Eldorado em troca da planta da Aracruz. Colocando tudo isso na conta, as sinergias saltam para entre R$ 4 bilhões a R$ 5,5 bilhões, aí sim um negócio bastante promissor, vide que este valor representa 23% e 32% do valor de mercado da Suzano, respectivamente.

Consolidação à vista

Como já dito, para o analista, a Fibria não deve perder essa oportunidade e os cálculos de sinergia dizem por si. Para que esse negócio seja fechado, o banco não descarta uma emissão ou mesmo uma tolerância maior dos acionistas controladores com relação ao nível de alavancagem.

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Porém, para que esse negócio seja fechado, todas as investigações envolvendo J&F e JBS deverão ser resolvidas, afirma o analista, pois nenhuma empresa estaria disposta a assumir o risco de comprar um ativo com uma bagagem de processos tão grande.

Portanto, a tão sonhada consolidação do setor poderá ser acelerada diante de todo o cenário envolvendo o frigorífico. “Talvez, em um cenário ‘dos sonhos’, o acordo com a Eldorado (Fibria ou Suzano) poderia até provocar uma consolidação total, em que as três empresas se fundiriam”, criando assim um gigante do setor mundial, especula o analista. Em meio a tanta especulação, quem sabe esse sonho antigo do mercado não se torne realidade.

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Rafael de Souza Ribeiro