Após Estocolmo agora é vez de Boston desistir de sediar as Olimpíadas

Há algumas semanas foi Estocolmo, na Suécia. Agora, Boston, nos EUA, desiste de sediar as Olimpíadas. Mas por que será que duas das mais conhecidas(e ricas) cidades do mundo passaram o bastão? Por vários motivos, mas para mim, o principal deles, foi um só: a pressão popular em cima daqueles que, em última instância, são nossos funcionários... os políticos!

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Nevava bastante. Eu estava apreensivo. Poucas vezes havia dirigido tantos quilômetros debaixo de neve pesada. Viajava de Washington DC, capital dos EUA, para Boston, capital do estado de Massachusetts.  Cerca de seiscentos e trinta quilômetros separam as duas cidades. Era dezembro de 2014. Mais difícil do que a neve era o trânsito para atravessar Nova York situada a meio caminho entre Washington e Boston. Apesar do frio, a nevasca foi se dissipando e um céu muito azul me esperava. 

Boston: uma pintura! 
Uma das mais antigas cidades norte-americanas. Coração da New England. No outono, o tom alaranjado das folhas das arvores transforma a cidade em um quadro vivo. Fundada em 1630 tem atualmente 700 mil habitantes felizes, ativos e combativos. Com forte influência britânica em suas construções, Boston era a candidata mais forte a sediar os Jogos Olímpicos de 2024. O tempo verbal está correto. Era! Desistiu nesta segunda feira, dia 29 de julho. Boston tem esses maneirismos. Seja na arquitetura, seja na cultura, seja na política. Aliás, foi por conta da pressão pública que os políticos locais, de olho hoje no voto de amanhã, decidiram: “Há outras prioridades”, informou a prefeitura. 

Opinião pública (ou oposição pública) é tudo!
Desde de janeiro de 2014, quando venceu várias outras concorrentes para sediar as Olimpíadas, a candidatura nunca contou com a simpatia da população. Não é para menos. As autoridades, em maratona, corriam para conseguir quase nove bilhões de dólares. Sim, mais de 30 bilhões de reais! Esse era o custo estimado do projeto. As autoridades garantiram: não haverá investimento público nestas obras. O povo, como um lutador de boxe, olimpicamente desconfiou. Resistiram. Fizeram uma corrida de revezamento na pressão contra as autoridades. Ao final, nocautearam os políticos de plantão. 

Votos X apoio popular
“Não conseguimos o apoio da maior parte dos cidadãos de Boston”, discursou Scott Blackmun, diretor-presidente do Comitê Olímpico dos EUA.  Tal qual Estocolmo, que abriu mão de sediar os Jogos Olímpicos para investir o dinheiro em moradias para a população, os cidadãos de Boston acharam que tanto dinheiro assim merece destino menos duvidoso. Na partida de futebol entre povo e políticos, estes últimos perderam de 100 a zero! Me lembro bem do “clam chowder ” que tomei naquele inverno rigoroso no simpático Quincy Market. Quente e saborosa, a sopa de mariscos mais famosa dos EUA tranquilizou meu espírito e meu estômago. No final do ano passado, era grande a polêmica na cidade sobre a questão de sediar os Jogos Olímpicos de 2024. Um casal de amigos que foi conosco à Boston (ela brasileira, ele americano), se referia ao “colossal gasto de dinheiro” como uma grande estupidez das autoridades. 

Troco nas urnas
“Vamos dar o troco nas urnas”, dizia ela. Não sei porque, mas desde que ouvi aquela frase, tive certeza: se depender do povo, ‘nadica’ de nada de jogos olímpicos por aqui, pensei enquanto sorvia minha cremosa sopa. Reconfortado, sonhava: como seria bom se no Brasil o povo se unisse contra “jogadas olímpicas” de nossos políticos! Será que um dia isso acontecerá? Em Boston e Estocolmo, ficou claro. Quem manda é o bom senso e é o povo que realmente tem voz ativa. Os políticos, eleitos, simplesmente cumprem o que nós, que pagamos seus gordos salários, queremos. E se você, que está lendo este relato de viagem um dia puder visitar Estocolmo, na Suécia, ou Boston, nos EUA, garanto que se lembrará desta fugaz e rápida aventura em texto.   Bem, rápida pelo menos para você, que apenas leu este artigo… Garanto que, para os cidadãos americanos e suecos, não foi rápida nem fugaz…         Foram meses e meses transpirando no corpo a corpo da luta pelo bem comum.  No tatame social lutaram e venceram o time dos “interesses” políticos.     Uma maratona popular que deu certo! E aí, se animou???  


Dia de céu azul em Boston, EUA | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Great Hall de Boston, EUA | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Great Hall de Boston local onde os politicos juram lealdade ao país | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Passando por Nova York transito pesado | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação


Skyline da cidade de Boston, EUA | Crédito: Paulo Panayotis e Divulgação

Paulo Panayotis