STBP3: Onde os fracos não têm vez

arrow_forwardMais sobre

Um dos filmes mais insanos que já vi foi “Onde os fracos não têm vez”. Antes que algum crítico de cinema queira saber o motivo, já adianto que não entendi quase nada do filme, mas a combinação de um nome forte com assassinatos frios me marcou.

Tal frase se encaixa muito bem no mercado de ações: encontramos na Bolsa o apanhado das maiores, melhores e mais eficientes companhias do Brasil. Esse ambiente agressivo e meritocrático é de fato o lugar “onde os fracos não têm vez”.

E falaremos no Stock Pills de hoje de uma empresa que sobreviveu a um duro momento em que pares mais fracos não conseguiram ficar aqui para contar história: trata-se da Santos Brasil (STBP3).

PUBLICIDADE

A convidada do Stock Pills dessa semana é a Sara Delfim, uma das fundadoras da Dahlia Capital, gestora que apesar de jovem (foi fundada em 2018) já tem mais de R$ 1,5 bilhão em ativos sob gestão e que inclusive já fechou um dos seus fundos, o Dahlia Total Return, nas plataformas de investimentos – inclusive a Rico. Além dos fundos, a gestora também é conhecida pelas imperdíveis cartas mensais, que já viraram leitura obrigatória minha e do Salomão.

Sugestão de leitura: carta de junho de 2019, em que eles fazem uma analogia com Star Wars para mostrar o ganho em dividendos que o mercado brasileiro de ações pode te dar (o link desta carta está aqui).

Pra entender o que a Santos Brasil faz, deixo essa imagem abaixo:

A Santos Brasil opera um dos maiores terminais de contêineres do país, localizado no Porto de Santos (o maior do Brasil). É a que tem a maior capacidade instalada do setor e, tanto pelo tamanho quanto pela natureza de negócio, a Santos Brasil acaba negociando com muitas das empresas negociadas em Bolsa. Digo isso pois ela movimenta contêineres de açúcar, café, carnes, celulose, soja, milho, combustível, dentre outros tantos.

Para fazer negócio com as maiores empresas do Brasil, é necessário oferecer os melhores serviços a bons preços e isso só é possível se a empresa for eficiente e competitiva. É claro que nem tudo depende da empresa, afinal se o mundo deixa de consumir, ou mesmo se a demanda local cessa, não há santo que ajude. Nesse setor, de fato os fracos não terão vez.

PUBLICIDADE

Mas negócios rentáveis geralmente chamam a atenção de novas empresas e traz concorrência – sabe aquelas empresas que apresentam margens altíssimas? Sim, elas podem estar sozinhas hoje, mas em algum momento devem atrair competidores (vide Cielo). As margens de Santos Brasil que já foram de 38% em 2015, ficaram em 16% no 2° trimestre de 2019.

Pois é, essa acirrada competição chegou ao setor portuário na pior hora possível, pois a economia teve neste breve intervalo uma verdadeira derrocada, com espiral inflacionária + PIB negativo prejudicando a empresa tanto no lado da oferta quanto na demanda. O resultado foi que os preços dos serviços, nas palavras da Sara, “colapsaram”. O preço médio de movimentação de um contêiner, que havia sido de US$ 350 em 2011, bateu US$ 100 em 2018.

Não é preciso ir além para imaginar que muitas companhias não aguentaram o baque. Males do capitalismo: uns dizem que ele é ruim por isso, mas tudo na vida tem seu ciclo e o mundo corporativo traz o darwinismo em sua mais pura essência: quem melhor se adaptar às mudanças de ambiente, sobreviverá.  E já diria o poeta: o que não me mata, me fortalece (não, não foi o Warren Buffett disse isso).

Nos 4 minutos do áudio, Sara Delfim explica por que está otimista com essa nova fase da Santos Brasil. Ouça abaixo o Stock Pills.

STOCK PILLS

Stock Pills é um quadro do podcast Stock Pickers e não implica em uma recomendação do Stock Pickers ou dos analistas da Rico Investimentos. Os áudios são enviados uma vez por semana pelos próprios gestores convidados.

Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, e Renato Santiago, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira à noite. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer, iTunes e Google Podcasts

Matheus Soares

Matheus Soares é analista da Rico Investimentos e um dos responsáveis pela Carteira Rico Dividendos 8+