Intermédica (GNDI3): saúde para dar e vender, quer dizer, comprar!

Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa! Quando comecei esse texto fiquei pensando em alguma frase que refletisse a preocupação que todo ser humano tem com saúde. Me veio essa de “Paulo Cintura”, um dos personagens da “Escolinha do Professor Raimundo” – sim, eu assistia a todos os episódios ao lado do meu avô Manoel. O que todo mundo almeja durante a vida é ter saúde para continuar vivendo e ter uma velhice tranquila, mas isso não significa que ao longo dessa trajetória não necessitaremos de algum suporte.

Dada a sua importância no cotidiano das pessoas, empresas que oferecem serviços dentro do setor de saúde estão diante de um negócio resiliente (afinal, sempre vai existir demanda) e que, pelo menos no Brasil, ainda tem muito espaço para evoluir.

No Stock Pills dessa semana convidamos Renato Ometto, gestor do fundo de ações Mauá Capital Ações FIC FIA, para falar de Intermédica (GNDI3), que sobe mais de 100% na bolsa somente em 2019. Trata-se da segunda maior posição do fundo, então, ninguém melhor do que ele para compartilhar o que enxerga de potencial não só para a empresa como também para o setor.

PUBLICIDADE

Tanto Intermédica como Hapvida são duas empresas do setor de saúde presentes em praticamente todas as carteiras dos fundos de ações que conversamos, mesmo após as altas de 110% no caso de GNDI3 e 82% de HAPV3 somente em 2019. Se pegarmos desde o IPO – ambas abriram capital em abril/2018 – GNDI3 avança 270% enquanto HAPV3 sobe 143%.

Mas por que elas se tornaram as queridinhas do mercado?

Ambas são operadoras de planos de saúde, mas dispõem de um modelo de negócios verticalizado. O que isso significa: diferente das operadoras tradicionais, um modelo vertical dispõe de uma rede própria de hospitais, laboratórios e clínicas. Ao dispor de uma rede própria, ela consegue reduzir o custo dos serviços e assim evitar procedimentos desnecessários, gerando uma maior eficiência operacional e financeira.

PUBLICIDADE

Na página 2 da carta trimestral de gestão da Verde Asset divulgada em setembro – não a carta do Stuhlberger, mas a da estratégia de dividendos da casa – a gestora compartilhou uma análise detalhada sobre a tese de investimentos do fundo em Hapvida e trouxe um exemplo que mostra muito bem o quão ineficiente é o modelo de negócios não vertical.

Retiramos da carta o trecho a seguir:

“Um caso anedótico, que ilustra bem a magnitude dos desperdícios em uma cadeia desalinhada, ocorreu entre 2013 e 2015. Seguradoras de saúde fizeram uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein oferecendo segunda opinião em casos de indicação de cirurgia de coluna a seus beneficiários. Impressionantes 65% dos casos analisados não tinham recomendação cirúrgica. Isto é, 2/3 dos pacientes iriam se submeter a uma cirurgia de risco sem necessidade, a um custo de milhões de reais para os planos de saúde. O que se pode concluir é que o senso comum de que mais gastos implicam necessariamente melhor serviço de saúde não é verdadeiro.”

Por que ficar otimista com Intermédica:

No caso de Intermédica, ela atua principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro e foca as suas operações na venda de planos de saúde e odontológicos para clientes corporativos e pequenas e médias empresas (“PME”). A maior eficiência gerada pelo modelo vertical permite que ela ofereça planos mais acessíveis (próximos de R$ 200), conceda reajustes anuais menores e tenha margens maiores que as operadoras tradicionais (Unimed e Amil por exemplo).

Para Ometto, os principais gatilhos da tese seriam: 1) potencial de ganho de market share – por ter o melhor custo-benefício do segmento; 2) consolidação – ainda há muito espaço para crescer seja organicamente ou via aquisições; 3) retomada da economia e PIB crescendo, que além de trazer novas empresas para a carteira, também se beneficia do aumento no quadro de funcionários das empresas que já são clientes da Intermédica, sem nenhum custo de aquisição adicional; 4) população vai ficar mais velha: a parcela da população com mais de 65 anos sairá de 7% para 14% do total nos próximos 21 anos. Na França, o mesmo movimento demorou 115 anos.

Se você quiser entender mais sobre cada um desses pontos ou mesmo sobre as oportunidades do setor, não deixe de conferir esse Stock Pills!

Matheus Soares

Matheus Soares é analista da Rico Investimentos e um dos responsáveis pela Carteira Rico Dividendos 8+