Black (oil) Swan: por que o petróleo caiu 20% e pode cair ainda mais

O Stock Pills dessa semana foi uma verdadeira aula sobre petróleo contada por Ricardo Kazan, que além de além de acompanhar a commodity há pelo menos 15 anos é também gestor internacional da Novus Capital

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Instalações de petróleo da Aramco
Instalações de petróleo da Aramco (divulgação)

Quem achou que o fim de semana daria uma trégua no noticiário negativo se enganou. O Ibovespa registrou seu 6º “Circuit Breaker” da história (e o 1º desde 2017) ao recuar 12,17% – pior pregão do século 21 – fechando aos 86.067 pontos, menor patamar desde dezembro/2018 (sim, devolvemos 14 meses de alta em poucos dias). O caos não foi só aqui: o índice S&P500 caiu 7,6% e teve sua pior queda diária desde 2008, com o ‘índice do medo’ VIX subindo 30% para 54, maior nível e maior alta diária desde a crise financeira de 2008.

Para vocês terem dimensão do evento, veja abaixo a tabela que retiramos do Rico Matinal (clique aqui para assinar nossa newsletter diária. É gratuito!) com os principais indicadores locais e internacionais de mercado e suas oscilações no dia:

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Sim, você não leu errado. As ações da Petrobras caíram 29,7% seguindo a queda de 24% dos preços do petróleo pior conta da guerra de preços capitaneada pela Arábia Saudita (maior produtor do Oriente Médio) no último sábado – o petróleo, aliás, chegou a cair 30% na sessão sendo que já havia caído 6% na sexta.

Mais do que entender o que aconteceu e suas implicações na economia global, queríamos escutar alguém que já acompanha o mercado de petróleo há tempo o suficiente para traçar semelhanças com eventos anteriores e diagnosticar o que esperar do preço do petróleo daqui para frente.

Com isso em mente, o Stock Pills dessa semana foi uma verdadeira aula sobre petróleo contada por Ricardo Kazan, que além de além de acompanhar a commodity há pelo menos 15 anos é também gestor internacional da Novus Capital (conversamos com a gestora no Stock in Rio. Clique aqui para saber mais!)

Para explicar o que aconteceu, ele remontou à péssima e agressiva estratégia adotada pela Arábia Saudita anos atrás para frear a produção de petróleo (shale oil) dos EUA. Naquele momento o petróleo chegou a tocar os US$ 27, pouco abaixo do atual patamar de US$ 37 (nesse momento em que escrevo, 17h do dia 10/mar/2020). Os produtores americanos não só sobreviveram como se tornaram ainda mais eficientes nesse período. Foi aí que Arábia Saudita e Rússia ficaram ‘amiguinhos’ em meados de 2016 e se juntaram para diminuir a oferta de petróleo no mundo… amizade que parece ter acabado no último sábado.

O fim da amizade em meio a propagação do coronavírus juntou o pior dos dois mundos: queda na demanda e elevação da produção (e oferta) de petróleo. Como quem manda em commodity é a lei da oferta e procura e como é impossível precificar o seu “valor justo”, o que vimos foi uma brusca queda dos preços petróleo.

Depois de recuar 24% na segunda, o petróleo avança 10% nessa tarde. Será que dá pra acreditar nessa alta ou devemos ver o petróleo romper a mínima de 2016?

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Para saber por que o petróleo pode cair ainda mais, escute no Stock Pills dessa semana o que um especialista no assunto e gestor tem a dizer.

 

 

Apresentado por Thiago Salomão, analista da Rico Investimentos, o Stock Pickers vai ao ar toda quinta-feira às 17h. Você pode seguir e escutar pelo Spotify, Spreaker, Deezer, iTunes e Google Podcasts.

Matheus Soares

Matheus Soares é analista da Rico Investimentos e um dos responsáveis pela Carteira Rico Dividendos 8+