A nova e a velha guarda do Value Investing carioca

O "dinossauro disruptivo" Pedro Chermont (Leblon Equities) e o investidor sem fronteiras Felipe Campos (Navi) falaram no episódio 3 do Stock in Rio sobre o apreço com Petrobras, small caps, PetroRio e a importância das operações "short" para a sociedade

LEBLON – O 3º episódio da série Stock in Rio uniu o que há de melhor na velha guarda e na jovem guarda do “value investing”.

De um lado, Pedro Chermont, fundador e gestor da Leblon Equities e que emprega um value investor tradicional em seus quase 25 anos de história no mercado financeiro (e que ganhou o apelido de “dinossauro disruptivo” do Matheuzinho, diga-se de passagem).

Do outro lado, Felipe Campos, gestor da Navi Capital e muito mais ligado à “data analytics” na composição de suas análises – ele disse inclusive que sonha em transformar a gestora em um grande centro de pesquisas.

É interessante notar através das diferentes gerações como o mercado evoluiu: Chermont, por exemplo, cita que no início dos anos 90 ler Warren Buffet e fazer fluxo de caixa descontado já era considerado um diferencial.

Já Campos fala da necessidade da conexão e da facilidade de acessar dados, levantando muito a bandeira da pesquisa. Isso é tão levado a sério por lá que a gestora carioca também possui escritório em São Paulo, para estar mais próximo das informações que correm na Faria Lima mas a conectividade é tão grande que o escritório poderia estar em Florianópolis que não faria diferença.

Sobre teses de investimentos

Chermont revelou seu “top 5”: Petrobras (PETR4), Vale (VALE3), BRF (BRFS3), Natura (NATU3) e B3 (B3SA3). Sobre B3, ele disse que com o mercado globalmente conectado a tendência é que exista ainda menos bolsas no mundo todo.

O gestor da Leblon também comentou sobre algumas “small caps” que tem na carteira, como Springs Global, Tegma (TGMA3) e Mills (MILS3) – essa última Chermont disse que pode triplicar nos próximos anos – e explicou com mais detalhes da posição de PetroRio (PRIO3): nas suas palavras, Nelson Tanure pagou R$ 0,60 em uma nota de R$ 1,00 ao comprar a antiga HRT e transformar na atual PetroRio.

Já o gestor da Navi concorda sobre Petrobras, que continua sendo sua maior posição, explicando que há muita coisa a acontecer na questão de desalavancagem.

Campos também tem comprado mais Lojas Americanas (a “Ame”, a conta digital do grupo, está muito mal precificado no valuation de LAME4, na visão do gestor) e disse que gosta muito das duas empresas de saúde verticalizadas, Hapvida (HAPV3)e Notredame Intermédica.

Apesar das altas bem expressivas das duas, os fundamentos seguem tão bons no longo prazo que fica difícil de reduzir a posição e embolsar os lucros, explica o gestor.

No final, um ponto muito interessante, embora polêmico: Campos falou que o ‘trade da vida’ foi uma posição “short” (vendida, ou quando você lucra com a queda da ação) em Oi, que durou mais de três anos. “O short é bom pra sociedade: é a melhor maneira de avisar que tem alguma coisa errada”, disse o gestor da Navi.

Stock In Rio

Este é o 3º de 6 episódios da série especial Stock In Rio: o tour do Stock Pickers pelo Leblon. Entrevistamos 11 gestores cariocas em seu território: Flávio Kac (Polo), Breno Guerbatin (Studio), Bruno Garcia (Truxt), Pedro Menezes (Occam), Felipe Campos (Navi), Pedro Chermont (Leblon), Rodrigo Galindo (Novus), Bruno Barreto (IP), Paulo Abreu e Leonardo Rufino (ambos da Pacífico) e Leonardo Linhares (SPX).

 

Thiago Salomão

Analista de ações da Rico Investimentos, idealizador e apresentador do Stock Pickers