As commodities e a inflação

O mercado de commodities metálicas e a inflação.
Por  Alexandre Aagesen
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Imagino que você se lembre com algum carinho (ou não) das suas aulas de química no colégio. “Li na cama Robson Crusoé em Francês”. Por que raios alguém faria isso? “Senhor Barão Ratão casou…” com sei lá quem. É muita pompa para um rato grande. Na coluna 11 da tabela periódica, naquela meiuca que ninguém aprendia, entre os metais alcalinos e os gases nobres, ficavam alguns elementos que serão importantes na coluna de hoje. Aquela que começa com Cu (cobre), Ag (prata) e Au (ouro). Vamos começar pelo Ouro, com uma massa atômica de 196,97 mols. Ontem o minério atingiu nova máxima, com as seguidas compras massivas de ouro pelos bancos centrais, particularmente o chinês. Já sobe 26,5% nos últimos dois meses, cotados à 2.350 dólares por onça troy. Por favor, não me pergunte que raios é uma onça troy (mas no google diz que são 31g de ouro).

Algumas colunas para o lado da tabela periódica, ficava o Fe (ferro), com 55,846 mols de massa atômica. Esse minério também vem surpreendendo bem, mas no sentido contrário e pelo mesmo suspeito: o império do meio, a China. No ano cai quase 30%, mas alguns analistas já falam em piso nos 100 dólares a tonelada. De qualquer forma, sempre vale acompanhar. Nesses últimos dias bateu nos tais 100 dólares e começou de novo a subir, longe dos 140 do começo do ano, ou dos 220 do meio de 2021, mas “uma jornada de 10 mil quilômetros, começa no primeiro passo”. Bem, a jornada do sofá até a geladeira também, mas ok.

Para hoje, o mercado curte a ressaca pós eclipse (não, eu não acho que tenha feito preço) e se prepara para a próxima. Hoje, agenda esvaziada, com tom de espera, de suor e café frio. Amanhã teremos inflação – no Brasil (IPCA), EUA (CPI) e China (CPI). Olho nos de lá de fora, podem (e devem) fazer preço. Quando todo mundo sabe que o CPI pode fazer preço e está todo mundo olhando, provavelmente ninguém vai conseguir fazer muito dinheiro com isso, mas vão tentar, claro. O paradoxo de Fermi-Hart, ou silentium universi, trata a aparente contradição lógica entre a alta probabilidade de vida extraterrestre inteligente e a falta de evidência de tal vida. Às vezes, algumas coisas me fazem dar um passo atrás e questionar a probabilidade de vida inteligente na terra. Não tenho certeza de se é tão alta assim.

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