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Ruídos e Aleatoriedade: o que não te contaram sobre o sucesso

Vivemos em um mundo hiperconectado e somos impactados por histórias, análises e notícias diariamente. Por isso, a nossa capacidade de ignorar informações irrelevantes se torna uma habilidade cada vez mais importante

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Pintura No. 31 do Pollock no MoMa em NY

Por Renato Marinho*

Nicholas Nassim Taleb, escritor americano best seller de livros como Antifrágil, A lógica do cisne negro, Arriscando a própria pele e Iludidos pelo acaso, já influenciou milhares de pessoas pelo mundo com suas obras e é uma das mentes mais brilhantes de nosso tempo. O grau de conexão que Taleb estabelece com a realidade torna-o capaz de romper barreiras e chegar à verdadeira essência das coisas. Tais traços de inteligência podem até ofender alguns, talvez refletindo as fraquezas veladas daqueles que o criticam.

Iludidos pelo acaso, como o próprio nome sugere, discorre sobre como pessoas de sucesso em suas respectivas áreas costumam minimizar a influência do fator aleatório, ou seja, da “sorte”. Nesses “cases de sucesso” não faltam pessoas se vangloriando pelos seus próprios feitos. O livro parece contra intuitivo no mundo atual das redes sociais, em que se repetem os chavões “nunca foi sorte” ou “nada é por acaso”. Será mesmo? Outro assunto importante abordado no livro é a influência negativa que a exposição excessiva a relatórios, notícias e análises pode ser prejudicial aos seus negócios e investimentos.

Particularmente, não concordo 100% com a filosofia por trás deste livro pois sinto, em várias partes, grande desvalorização do mérito e do esforço. No entanto, gostaria de compartilhar as duas ideias que mais me chamaram atenção e que acredito serem úteis.

Não se sinta inclinado a acreditar piamente em “histórias de sucesso”. Pessoas que obtiveram bons resultados (ou pior, que aparentam isso), tendem a criar histórias que ilustram o sucesso como fruto de muita inteligência, planejamento e execução impecáveis. Enquanto isso, o fator sorte é deixado de lado, pois tornaria a história menos cativante, atenuando o mérito de quem a conta. Taleb expõe alguns exemplos do viés de sobrevivência para comprovar sua teoria da aleatoriedade (ou sorte).

Este viés consiste no erro lógico de nos concentrarmos em coisas ou pessoas que sobreviveram a algum processo enquanto ignoramos aqueles que foram eliminados devido a sua falta de visibilidade. Imaginem dois pilotos de avião em uma batalha aérea na Segunda Guerra Mundial. Um piloto é abatido pois o inimigo acerta as duas hélices do avião, enquanto outro é alvejado com tiros nas asas e na lataria, porém sua aeronave não cai e ele sobrevive. O piloto sobrevivente volta para casa e escreve um livro contando suas façanhas. Atribui sua sobrevivência às suas habilidades como piloto, coragem e mindset de vencedor.

A moral da história é que a maioria das pessoas de sucesso atribui seu êxito a algumas de suas qualidades e ações pessoais, sem considerar quantas pessoas em contextos comparáveis, fracassaram. O pior é que muitas outras pessoas acreditam nessas relações de causa e efeito e tentam reproduzir, sem sucesso, a mesma realidade em suas vidas, frustrando-se e ouvindo de alguns que não se esforçaram o suficiente. Meu conselho é: invista mais tempo executando suas ideias, testando, errando e ajustando, e menos tempo estudando e buscando inspiração nas histórias dos outros.

Evite as notícias e os analistas. Eles só podem lhe dar a ilusão de estar informado. Os noticiários buscam entreter, não apresentar uma imagem precisa e bem equilibrada do mundo; além disso, a maioria dos “especialistas” tem o histórico abismal de previsões fracassadas. Se você investe em ações, tem o impulso quase diário de verificar seus investimentos e ler análises, a fim de acompanhar o mercado.

No livro, Taleb alerta para esse tipo de atitude, que pode ser muito mais nociva do que benéfica. Seria melhor, segundo ele, nos limitarmos apenas a um relatório anual ou semestral, por exemplo. O foco no micro ou no curto prazo faz com que nos sujeitemos a muitos ruídos. Como seres movidos pela emoção, somos influenciados negativamente por qualquer notícia que possam, mesmo que só em nossas mentes, impactar nossos investimentos.

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Gestores de fundos, traders e investidores normais são tão emotivos quanto qualquer outra pessoa, e por estarem sempre conectados, acabam influenciados por esses ruídos. Por isso, notícias tendem a impactar a bolsa para cima ou para baixo. Esses ruídos são exemplos da aleatoriedade. Ele trata a probabilidade não como o ato de jogar uma roleta ou um dado, mas a trata mais como a nossa aceitação da falta de certeza. Portanto, em tempos de excesso de informação, escolher o que ignorar é uma habilidade importantíssima para manter seus princípios e estratégias em foco.

A moral da história é que, ao invés de admitirmos a parcela de influência do acaso em nossas vidas, procuramos padrões e conexões, mesmo que eles não existam de fato. O curso do desenvolvimento evolucionário nos preparou para sermos assim – mas essa é a limitação que precisamos transcender para lidar efetivamente com questões complexas do mundo moderno, conectando-nos efetivamente com a realidade, ignorando ruídos e investindo mais tempo para construir nossas próprias histórias de sucesso.

*Renato Marinho é administrador de empresas, formado pelo IBMEC-RJ, possui mais de 5 anos no setor de varejo de moda, e é Gerente de Produto na C&A Brasil.

IFL - Instituto de Formação de Líderes

O Instituto de Formação de Líderes de São Paulo é uma entidade sem fins lucrativos que tem como objetivo formar futuros líderes com base em valores de Vida, Liberdade, Propriedade e Império da Lei.

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