O que tem em comum Hong Kong, Cingapura,Nova Zelândia, Suíça e Austrália?

Mariana Peringer - Economista, formada pela UFRGS, é associada ao Instituto de Formação de Líderes de Sao Paulo - IFL SP, possui pós graduação em finanças pela FGV SP, trabalhou por 14 anos em banco de investimentos, foi analista de research e estruturava operações de equity no mercado de capitais. Candidata ao level 2 do CFA (Chartered Financial Analyst). Atualmente a frente do Blog #BeFree www.mariperinger.com.

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Países como Hong Kong, Cingapura, Nova Zelândia,  Suíça e Austrália apresentam alta renda per capita, qualidade de vida, uma excelente infraestrutura e crescimento econômico sustentado há vários anos, mas o que mais há em comum entre eles?  Esses países, nessa mesma ordem citada, são os “top 5” países no Ranking de Liberdade Econômica segundo o índice da Heritage Foundation. 

A liberdade econômica é um componente crucial da liberdade, capacita as pessoas a trabalhar, produzir, consumir, possuir, comercializar e investir de acordo com suas escolhas pessoais. A teoria austríaca de economia defende, acima de tudo, a liberdade no contexto da ação humana, entendida como a ausência de coerção de indivíduos sobre indivíduos. Esta liberdade defendida pelos economistas austríacos se materializa na economia através do mercado. Na verdadeira economia de mercado os indivíduos são livres para escolher entre as diversas possibilidades de ação, desde que seus atos sejam espontâneos, não coercitivos, ou que não firam a liberdade dos demais indivíduos. A economia de mercado é baseada na livre ação humana, na livre ação da empresa privada, no direito inalienável à propriedade, na ausência de mecanismos restritivos à concorrência, ao investimento, ao comércio e ao consumo. Segundo a teoria austríaca, a maneira de atingir o progresso econômico é através da adoção dos seus postulados na prática, através da proteção à propriedade privada, da liberdade de intercâmbio econômico, de mercados competitivos, de um mercado de capitais eficiente, da estabilidade monetária e de baixas cargas tributárias. Em um mercado mais desregulamentado um país progride economicamente. São princípios que têm força científica: resistem ao tempo e funcionam em todo o planeta.

“Quando esses princípios básicos estão presentes na economia de um país, as pessoas serão capazes de ‘colher o que plantaram’, será liberada energia produtiva e serão criadas riquezas.” (Gwartney and Stroup,1994).”

Através da analise do Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation fica comprovado que os países mais libertários no mundo são os que têm uma maior renda per capita e maior crescimento econômico, enquanto, por outro lado, os mais intervencionistas costumam apresentar baixo crescimento econômico e baixa renda per capita.  

O trabalho divulgado pela Heritage Foundation destaca em Hong Kong o alto nível de abertura do mercado e a disciplina fiscal, o que faz o país continuar sendo um dos principais mercados globais e centro financeiro. Sobre Cingapura,  ainda que o crescimento econômico tenha desacelerado, a abertura do país ao comércio global e ao investimento externo, além de um ambiente regulamentar transparente, reforçado por direitos de propriedade bem garantidos continuam fornecendo uma base sólida para o dinamismo econômico por lá. Já a economia moderna e competitiva da Nova Zelândia apresenta um forte compromisso com políticas de mercado aberto que atraem fluxos incessantes de comércio e investimento para o país, mesmo com mercado financeiro relativamente pequeno, mas que propicia um acesso adequado aos recursos financeiros. Por fim, a abertura ao comércio global e ao investimento permitiu que a Suíça se tornasse uma das economias mais competitivas e inovadoras do mundo. A economia suíça se beneficia de elevados níveis de flexibilidade, instituições fortes, forte proteção dos direitos de propriedade e uma tolerância mínima à corrupção, através de um poder judiciário independente.

Assim, o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, sintetiza, através de números, os resultados da teoria econômica austríaca, que prega, seguramente, que com direitos de propriedade definidos, baixos impostos, estabilidade monetária e confiança nos mercados, fatores-chave para o progresso econômico, os países tendem a se desenvolver mais rapidamente do que os que sofrem mais intervencionismo estatal. Ou em outras palavras, os países que restringiram a atividade privada, o seu comércio e os demais setores, impondo, por exemplo, alta carga tributária, altas taxas de juros, seguiram uma política monetária inflacionista e, ainda por cima, fixaram preços, desencorajaram as atividades produtivas e retardaram o uso eficaz dos recursos, foram penalizadas com um baixo crescimento econômico e com baixa renda per capita.

Uma sociedade econômica libertária é a chave para a riqueza das nações, a prosperidade futura de qualquer tipo de sociedade, pobre ou rica, em desenvolvimento ou desenvolvida, e está diretamente condicionada à qualidade da sua organização econômica, se libertária ou intervencionista, conceituada pelo índice de liberdade econômica e há muito tempo defendido nos postulados austríacos. 

Enquanto isso, o Brasil ficou na posição 122, porque será?

Mariana Peringer – Economista, formada pela UFRGS, é associada ao Instituto de Formação de Líderes de Sao Paulo – IFL SP, possui pós graduação em finanças pela FGV SP, trabalhou por 14 anos em banco de investimentos, foi analista de research e estruturava operações de equity no mercado de capitais. Candidata ao level 2 do CFA (Chartered Financial Analyst). Atualmente a frente do Blog #BeFree www.mariperinger.com.

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