Por que a Bolsa tende a subir no longo prazo

Lembro que a Bolsa tem menos de 400 empresas, em geral as maiores e melhores de suas áreas de atuação. A sobrevivência dessas é certamente muito mais provável do que a das companhias fechadas, no geral

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(Shutterstock)

Começo com a qualificação de como se mede alta ou baixa na Bolsa, que é o índice de ações Ibovespa.

Esse índice é revisto em intervalos regulares, de forma a abandonar as ações menos representativas, ficando sempre com aquelas que melhor representam a movimentação no momento da revisão. E inclui a ponderação do peso com que são negociadas.

Ou seja, o Ibovespa acompanha as ações mais bem-sucedidas na visão dos investidores. Isso, por si só, logicamente, já daria ao índice uma trajetória de alta.

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Ainda assim, se vivêssemos num mundo em que as recessões fossem mais acentuadas do que as expansões, isso de alguma maneira estaria refletido neste índice.

O fato é que a natureza humana impulsiona sempre o mundo para um crescimento do bem-estar social, seja qual for a maneira com que ele seja medido.

Tradicionalmente, a expansão do PIB tem sido essa maneira de medir. Mas creio que, com o avanço da visão ESG, novas e melhores formas deverão ser encontradas. No mínimo, um “PIB aperfeiçoado”.

Toda essa divagação para fundamentar que os investimentos em Bolsa, se razoavelmente escolhidos, tendem a ter um bom vetor de alta no longo prazo.

A razão do “se razoavelmente escolhidos” é apenas para pontuar que sempre haverá empresas que vão quebrar, desaparecer etc.

A pandemia que estamos vivendo é, na minha opinião, um momento de grande mudança na economia. Alguns setores sofrerão muito por um tempo, mas, se sobreviverem, poderão se recuperar; outros terão até expansão de atividade.

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Essas diferenças vão ficando mais claras à medida que nos acostumamos com o “novo normal”, porém ainda carregam muitas zonas cinzentas.

Portanto, a premissa “se razoavelmente escolhidas” deve um ser reforçada neste momento.

Importante também ter em vista que, em muitos setores que retornarão à normalidade mais cedo, o ambiente concorrencial deverá ser facilitado pelo desaparecimento de pequenas e médias empresas, o que facilitará o aumento do market share das outras.

Lembro que a Bolsa tem menos de 400 empresas, em geral as maiores e melhores de suas áreas de atuação. A sobrevivência dessas é certamente muito mais provável do que a das companhias fechadas, no geral.

E bem-vindos aqueles que estão entrando agora no mundo da renda variável. Só um conselho: “Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

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Guilherme Affonso Ferreira

Guilherme Affonso Ferreira é sócio-fundador e chairman da Teorema Capital. Além disso, é conselheiro de empresas como Arezzo, B3 e M Dias Branco. Foi diretor-presidente da Bahema no período em que a companhia foi acionista relevante do Unibanco (1986 a 2008) – e obteve um retorno de 50% ao ano, em dólares, com as ações do banco. Também foi conselheiro da Petrobras de 2015 a 2018, participando do programa de recuperação da companhia.