EM DESTAQUE EUA criam 4,8 milhões de vagas em junho, acima da expectativa dos economistas

EUA criam 4,8 milhões de vagas em junho, acima da expectativa dos economistas

Como os juros baixos podem transformar a Bolsa

A taxa básica de juros de uma economia ajuda a determinar o preço justo das ações

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores
arrow_forwardMais sobre
ações bolsa mercado stocks índices gráficos
(Shutterstock)

Eu sempre baseei minhas decisões de investimento em renda variável nos fundamentos que enxergava nas empresas e nos fatores macro e microeconômicos que poderiam afetá-las.

A procura por ações que estavam depreciadas em relação ao seu “preço justo” era o que me movia. Óbvio que as empresas que apresentavam esta oportunidade viviam condições complicadas, no meu entender, que as impediam de trilhar um caminho virtuoso.

Aí começava o trabalho de “ativismo”, que procurava criar condições para que o caminho virtuoso pudesse ser alcançado. O preço de entrada e o de saída eram consequência dessas condicionantes.

PUBLICIDADE

A taxa de juros de uma economia tem muito a ver com o que chamo de “preço justo”. Isso porque o desconto dos lucros que a companhia vai gerar passa a ser feito por uma taxa bem menor, o que obviamente aumenta o valor presente desse “preço justo”.

Além disso, existe um segundo fator que é o fato de os lucros que esta companhia vai gerar certamente serão maiores, já que haverá uma economia dos juros a serem pagos pela parcela de endividamento.

Mesmo que esse endividamento hoje não exista, é razoável imaginar que a substituição de capital próprio (caro) por endividamento deve melhorar o retorno sobre o capital investido.

Esse raciocínio deve ser o que vai nortear o futuro do mercado de renda variável no Brasil nos próximos anos. Companhias gerando mais lucros, e esses lucros sendo multiplicados por múltiplos maiores para definir o preço.

Desnecessário dizer que esta é a razão do meu otimismo com a Bolsa. Sei que alguns vão dizer que eu sempre fui otimista, a despeito de cenários ruins. É verdade, reconheço. Mas desta vez estou muito seguro de que meu otimismo é mais fundamentado.

A velocidade desse processo está relacionada ao ritmo com que o mercado acredite que os juros baixos vieram para durar muito tempo.

PUBLICIDADE

A história econômica do país nos faz duvidar dessas “benesses” que caem do céu, mas desta vez parece que os astros estão conosco. O mundo vive uma onda de juros baixos (negativos em muitos casos), e nós não ficaremos de fora.

Como ressalva, e para não orientar erroneamente o leitor, reconheço que renda variável deve oferecer um “prêmio de risco” em relação aos juros.

Embora eu não seja muito fã dessa ideia, uma ação, por melhor que seja a companhia, tem que render mais do que um título público na visão da maioria absoluta dos investidores.

Espero um crescimento substancial da Bolsa, tendo em vista que o país se acostumou com taxas colossais e fez toda sua modelagem com estas premissas.

Por último, saliento que, embora estas considerações valham para todo o universo de renda variável, vai ser mais verdade para alguns setores do que para outros.

Vai aparecer mais rapidamente em setores como comércio e construção civil, mas será mais demorado e intenso em setores intensivos de capital, como a infraestrutura.

Oxalá eu esteja certo!

Guilherme Affonso Ferreira

Guilherme Affonso Ferreira é sócio-fundador e chairman da Teorema Capital. Além disso, é conselheiro de empresas como Arezzo, B3 e M Dias Branco. Foi diretor-presidente da Bahema no período em que a companhia foi acionista relevante do Unibanco (1986 a 2008) – e obteve um retorno de 50% ao ano, em dólares, com as ações do banco. Também foi conselheiro da Petrobras de 2015 a 2018, participando do programa de recuperação da companhia.