Trump nos EUA. E se fosse Lemann no Brasil, qual seria a reação?

É inegável que hoje a política no Brasil está doente, na qual as pessoas vão para a esfera estatal, carregadas de um discurso populista a favor dos pobres, visando apenas saquear o país e se perpetuar no poder. Será que a presença de pessoas com experiências administrativas bem sucedidas no setor privado não contribuiria para modernizar e oxigenar a administração publica? Vale a reflexão.

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Donald Trump, o empresário bilionário dos EUA, concorre a uma vaga para disputar as eleições americanas pelo Partido Republicano.  Ben Carson, o maior neurocirurgião do mundo, também. Sem entrar no mérito dos candidatos, o que chama atenção nos EUA é que pessoas bem sucedidas do setor privado são cogitadas para entrar na política, mesmo com pouca ou nenhuma experiência na esfera pública. No Brasil, geralmente as pessoas que disputam cargos executivos são candidatos que fizeram toda a sua carreira, na melhor das hipóteses, no setor público, quando não, no peleguismo sindical ou nos ”movimentos sociais”.  Já pensou se saíssemos deste lugar comum e, por exemplo, se o bem sucedido Jorge Paulo Lemann disputasse uma eleição presidencial? Como será que os mercados, a população em geral e os formadores de opinião reagiriam? 

De acordo com Bruno Garschagen, em ótima entrevista divulgada pela InfoMoney (veja aqui), o ambiente brasileiro nunca esteve tão propício para novas ideias.  Por que não novos candidatos, com novas visões? Longe de mim, fazer campanha por Lemann, até porque não o conheço suficientemente para poder emitir uma opinião e muito provavelmente ele não aceitaria entrar para política. Meu ponto é que seria muito bom para o país se tivéssemos outros nomes diferentes dos “Lulas” e “Serras” que temos por aí. Candidatos que saíssem do ranço ideológico de que o Estado deveria ser o promotor do crescimento e entendessem que o governo deveria ser um facilitador – e não um peso – para o setor privado. Políticos que compreendessem a importância das empresas que, ao visarem a lucros, consequentemente buscam inovação, produtividade e eficiência, peças fundamentais na geração de empregos, crescimento da renda e ascensão econômica das pessoas mais pobres. 

Se, de um lado, os mercados e a população enxergariam esse tipo de candidato como uma alternativa de dinamismo e oxigenação para política, por outro, poderia pesar contra, a falta de experiência na esfera pública. A pergunta é se as mesmas competências e habilidades essenciais para a condução dos negócios serviriam para o mundo da política? Não sei. Mas, Michael Bloomberg, prefeito de Nova York (2002 a 2013), é um exemplo bem sucedido de um magnata do setor privado na administração pública. No Brasil, Henrique Meirelles e Armínio Fraga são outros bons exemplos de executivos do setor privado no campo estatal.

E os formadores de opinião? Bom, como boa parte dos intelectuais, dos professores, dos artistas e dos jornalistas sofrem em algum grau influência marxista, achariam que qualquer empresário bem sucedido estaria na política apenas para defender os interesses do grande capital. Ora, se até hoje um ex-professor da FFLCH-USP, de esquerda, foi considerado por eles como o “presidente das elites”, o “homem que vendeu o país”, imaginem um empresário milionário e bem sucedido? Enfim, a reação e o discurso (a ladainha de sempre) seriam mais do que previsíveis.

É inegável que hoje a política no Brasil está doente, na qual as pessoas vão para a esfera estatal, carregadas de um discurso populista a favor dos pobres, visando apenas saquear o país e se perpetuar no poder. Será que a presença de pessoas com experiências administrativas bem sucedidas no setor privado não contribuiria para modernizar e oxigenar a administração publica? Vale a reflexão.  

Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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